A França de Paulo Cézar Caju

Todo mês uma personalidade carioca responde às nossas perguntas e nos conta o que a França representa para ela. Este mês, quem nos dá o seu testemunho é um campeão do futebol brasileiro, o mítico jogador do Olympique de Marseille, Paulo Cézar Caju!

Quais são os seus laços com a França?

São laços de coração! Em 1974, tive a honra de receber duas propostas, quando estava em plena Floresta Negra. Uma foi do Paris-Saint Germain, apresentada por meus amigos Just Fontaine e Daniel Hechter, e a outra foi do Olympique de Marseille, através de Jules Zvunka e Fernand Méric. É claro que eu preferi ir para Marseille! Escolhi Marseille porque a cidade é parecida com o Rio. Eu tinha vinte e cinco anos, era um garoto, mas já era campeão do mundo e a cada treino tinha dez mil pessoas me assistindo. Durante quinze anos seguidos, fui à Roland Garros, ainda me lembro da vitória do Yannick Noah em 1983! Eu também ia aos desfiles da Maison Hechter, cheguei inclusive a desfilar também! Tenho uma historia de amor e de amizade com o país. Em 1976, eu trouxe os jogadores do Olympique para jogarem no Rio contra o Fluminense, e mais de 300 Marselheses vieram torcer por eles! Eu sinto como se eu fosse um embaixador dos dois países!

Um lugar imperdível na França?

Saint-Tropez, Marseille, Cassis, Bandol, e também Aix en Provence, onde morei e onde nasceu o meu filho.

Qual a sua palavra predileta em francês?

Je t’aime.

Qual a personalidade francesa que você prefere?

Daniel Hechter e Yannick Noah. Eu fiquei muito amigo do pai dele, o Zacharie, que era jogador de futebol. Yannick também podia ter sido um jogador, ele tinha talento!

Qual o pior defeito e a melhor qualidade dos Franceses?

O mau-humor! Quanto às qualidades, o profissionalismo, a seriedade, a solidariedade, a paixão ao estilo francês.

Se você tivesse que resumir a França em um livro, uma musica ou um filme, qual seria?

O filme "Borsalino" que foi rodado em Marseille, com Delon e Belmondo. Em termos de musica, "La Bohème" de Aznavour, "La Vie en Rose" de Piaf, Adamo, e é claro, Yves Montant, que foi me ver jogando no estádio Vélodrome!

O gosto da França (especialidades, pratos, sabores…) ?

O queijo, o patê, a confeitaria! E também as ostras e os mariscos da cidade de Cassis, entre setembro e outubro.

Como você descreveria a França em três palavras?

Oh mon dieu!

No Rio, qual o seu cantinho francês preferido?

O restaurante do chef Roland Villard no Sofitel, o Pré Catelan. Lá estamos na casa dele e com ele, que é o mais importante! Um torcedor do Saint-Etienne que ficou meu amigo, é uma coisa incrível, não é?!

Para você, o que simboliza o laço entre a França e o Brasil?

A descontração da língua. O português do Rio e o francês são as línguas mais bonitas do mundo! Nós, brasileiros, representamos a simpatia, esse jeito de viver apesar de todas as dificuldades, seguimos em frente com um sorriso no rosto. Quando os franceses desembarcam aqui, eles levam o pacote: a musica, a língua, tudo enfim!

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No mês passado, o poeta, jornalista, ator e autor Gregorio Duvivier respondeu às nossas perguntas. Descubra A França de Gregorio Duvivier clicando aqui!

publié le 09/08/2016

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