A França de Raí

Todo mês uma personalidade responde às nossas perguntas e nos conta o que a França representa para ela. Este mês quem nos dá o seu testemunho é o craque Raí (Raí Souza Vieira de Oliveira). Tetra campeão do mundo pela Seleção Brasileira, atuou por cinco anos no Paris Saint Germain, quando foi campeão francês, duas vezes campeão da França, duas vezes campeão da Copa da Liga e Campeão da Copa da Europa. Defendeu também a camisa do São Paulo Futebol Clube por oito anos, sendo cinco vezes Campeão Paulista, Campeão Brasileiro, duas vezes Campeão da Libertadores e Campeão Mundial Interclubes.

JPEGO ex-jogador do PSG participou da festa nacional francesa, no 14 de julho. A comemoração aconteceu na Sociedade Hípica Brasileira, que vai sediar o "Clube França": centro da torcida francesa nos futuros Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016. (c) Nathalie Mélot

Atualmente, Raí preside o Conselho Curador da Fundação Gol de Letra, também é Diretor da ONG Atletas pelo Brasil e Sócio-fundador da Raí+Velasco.

Quais são os seus laços com a França?

Laços com a França não faltam! Sempre foi um país que eu queria conhecer, desde a época de faculdade, em que eu estudava História; sempre foi um país que me atraiu. E depois, quando fui pra lá trabalhar, fiquei cinco anos em Paris. As minhas filhas eram pequenas... Hoje uma delas mora lá, também tenho um apartamento na França e muitos amigos! Acho que esses são os laços principais.
Eu tenho uma ligação afetiva grande com o país, pois eu vivi la e a França fez parte da minha história de vida. Eu me identifico com os valores que a França representa e eu acho que os franceses também identificam, em mim, valores que eles dão importância. Sempre tive um relacionamento especial com a França e os franceses.

Um lugar imperdível na França?

Eu chamo a França, às vezes, de “mini Brasil”. O Brasil tem uma diversidade de natureza gigante, mas a França também, mesmo com um espaço geográfico bem menor: tem montanha, praia, campos e algumas coisas que o Brasil não tem por causa do clima, como a neve...
Não consigo dizer um lugar só, mas eu aconselho se aventurar e se “perder” na França, pois sempre vai achar alguma coisa linda! Uma vez viajei com as minhas filhas pelo interior e descobri Les Gorges du Verdon, um vale, um cânion maravilhoso no sudoeste da França, que eu recomendo!

Qual a sua palavra predileta em francês?

Tem uma expressão que eu acho muito bonita e que não existe em português: “FAIRE RÊVER” (fazer sonhar).
Quando o francês tem alguma coisa que admira, ele usa esta expressão: “isso ou aquela pessoa me faz sonhar”... Essa expressão traz dois conceitos que eu acho muito interessantes: o do sonho (inatingível) e o do ideal (atingível desde que você construa o seu caminho). Essa mistura resume bem o charme do pensamento francês. Além disso, eu tive a honra de que os franceses sempre falavam isso pra mim nesses cinco anos em que eu estive lá jogando e atuando pelo Paris Saint-Germain, o time que representou a cidade, e eu acho que é um elogio único, principalmente pra quem é estrangeiro!

Qual a personalidade francesa que você prefere?

Na música Edith Piaf, na história política de resistência, Charles De Gaulle. No esporte poderia citar vários, Zidane e muitos outros... Mas tem um em particular, que inclusive dei o nome à minha filha em homenagem a este atleta que eu muito admiro que é o ex-tenista Yannick Noah, que eu acho uma personalidade de energia incrível e que também representa um pouco essa coisa da integração, sendo filho de imigrantes e que se adaptou... Ele também tem a ver com o Brasil em energia e em carisma. Eu acho que é a personalidade mais amada pelos franceses!

Qual o pior defeito e a melhor qualidade dos franceses?

Defeito eu diria que uma certa impaciência, que algumas vezes se transforma em pessimismo, mas ao mesmo tempo ajuda a conquistar tudo o que eles conquistaram. Os avanços que tiveram acho que tem a ver com esse “defeito”, mas que para eles serve como motivação para mudar.

Qualidades os franceses têm muitas! Mas eu ressalto a busca pelos valores dos direitos humanos, que já está embutida na cabeça deles, às vezes mais ativa, às vezes menos, mas é algo presente no seu cotidiano e que eu sempre admirei.

Se você tivesse que resumir a França em um livro, uma música ou um filme, qual seria?

O texto dos Direitos Humanos porque a história da França teve uma participação importante e, repetindo a questão das qualidades dos franceses, que têm isso como um ideal, como uma busca por este ideal.

O gosto da França (especialidades, pratos, sabores…) ?

Ah, a gastronomia francesa é incrível! Mas o vinho representa muito da história, da cultura francesa... Aprender a degustar, a apreciar e a conversar sobre isso é você descobrir mais a França! Se é pra escolher um sabor, entre tantos deliciosos da França, então o vinho!

Como você descreveria a França em três palavras?

Resistência, resistência e resistência!

Eu vejo a França como um país de resistência, de luta e de fibra, e de questionar a lógica, o futuro... De defender o que ela acredita e sempre com muita resistência, às vezes mais, outras menos.

No Rio, qual o seu cantinho francês preferido?

O restaurante Le Pré Catelan, no Hotel Sofitel Copacabana.

Ter ali naquele cantinho de Copacabana, que é um bairro que tanto os franceses amam e que é um dos cartões postais mais famosos do Brasil, um símbolo francês, é um charme!

Para você, o que simboliza o laço entre a França e o Brasil?

Eu acho que existe uma identificação muito grande e ao mesmo tempo uma complementaridade entre os dois países. Eu percebi que o que os franceses gostam nos brasileiros é essa demonstração da emoção, do sentimento, que eles (franceses) não demonstram tão facilmente (mas sentem).

As emoções, os sentimentos, a maneira de querer curtir a vida… Tem muita coisa em comum entre as duas culturas (nos dois países), porém expressadas de maneiras diferentes. O francês se vê muito nisso no brasileiro, assim como o brasileiro admira muito o francês por um outro lado mais contido, um pouco mais organizado, disciplinado, com mais história principalmente... Então eu acho que tem essa complementaridade, que faz com que os brasileiros e franceses se atraiam.

Mensagem do Raí:

“Para os brasileiros que ainda não conhecem a França corram, vão conhecer não só pela beleza, mas porque vocês vão se identificar! E para os franceses que ainda não vieram ao Brasil corram, corram, venham logo porque vocês vão ser felizes também aqui independente da nossa diversidade, mas com a nossa complementaridade!”

Nossas últimas entrevistas foram com a atriz Cláudia Ohana, o jogador de futebol Túlio de Melo, o músico Ricardo Villas e ator Marcos Breda, que responderam às nossas questões. Descubra o que a França representa para cada um deles nos links a seguir:

http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/A-Franca-de-Claudia-Ohana
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/A-Franca-de-Tulio-de-Melo
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/A-Franca-de-Ricardo-Vilas
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/A-Franca-de-Marcos-Breda

JPEGO ex-jogador do PSG com a Escolinha do PSG do Rio de Janeiro, na festa nacional francesa, no 14 de julho. (c) Nathalie Mélot

JPEG (c) Nathalie Mélot

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publié le 08/12/2015

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