A França de Ricardo Vilas

Todo mês uma personalidade (carioca) responde às nossas perguntas e nos conta o que a França representa para ela. Este mês, quem nos dá o seu testemunho é Ricardo Vilas, músico franco-brasileiro.

JPEG

Quais são os seus laços com a França?

São muitos e profundos. Hoje posso dizer que a França é meu segundo país. Ao chegar em Paris aos 20 anos, banido do Brasil, ex prisioneiro político, encontrei primeiramente terra de asilo, mas também terre d’accueil. 
Estudante, a França me possibilitou a continuação de meus estudos universitários.
Músico, a França me deu condições de amadurecer e crescer na carreira, fazendo shows, gravando discos.
E mais que tudo, nos 29 anos que morei na França, ela me deu 4 de meus cinco filhos. 
Hoje tenho a dupla nacionalidade, e se moro no Brasil, tenho laços fortes e constantes com a França, familiares, e de amizades, que são pra toda a vida. 

Um lugar imperdível na França?

Dizer um só é covardia! Mas sou parisiense, por convicção, por opção, por empatia. Mas adoro muitas outras cidades, regiões, e pequenos lugares perdidos por este país de grande diversidade geográfica. 

Qual a sua palavra predileta em francês?

Outra vez, é covardia. Minha relação com a língua francesa é muito íntima, afetiva. Com minha esposa, que é francesa, e com meus filhos, ainda que sejamos todos bilíngues, volta e meia falamos em francês, mesmo aqui no Rio de Janeiro. Uma só palavra? Amour. Uma segunda? Solidarité. 

Qual a personalidade francesa que você prefere?

François Mitterrand. Um homem cheio de qualidades, cheio de defeitos, mas um verdadeiro estadista, um visionário, um tanto monarca, um tanto déspota, mas um homem sensível e que deixou um grande legado para o país. 

Qual o pior defeito e a melhor qualidade dos Franceses?

Um defeito: estressados
Uma qualidade: consequentes (em geral)

Se você tivesse que resumir a França em um livro, uma musica ou um filme, qual seria?

Um livro: Germinal, de Zola.
Uma música: Ne me quitte pas, de Jacques Brel.
Um filme: L’année dernière à Marienbad, de Alain Resnais.

O gosto da França (especialidades, pratos, sabores…) ?

Os queijos, o coq au vin, o cassoulet de Castelnaudary, as ostras da Bretagne ou de Arcachon...

Como você descreveria a França em três palavras?

Cultura, sociedade, política.

No Rio, qual o seu cantinho francês preferido?

Aliança Francesa de Botafogo

Para você, o que simboliza o laço entre a França e o Brasil?

Os laços são afetivos, mas de um amor um tanto frustrado, desde a tentativa da França Antártica de Villegaignon na Guanabara.
São também de inveja, ou admiração, como queiram ver, de ambos os lados:
do lado francês, pelo futebol, pelo samba, pela caipirinha, pelo clima, pela espontaneidade do brasileiro, pelas belezas humanas e pelas belezas naturais...
do lado brasileiro, pelos livros, pelo cinema e suas estrelas , pela arquitetura, pela moda, pela culinária, pelos vinhos...
e finalmente são laços cheio de significados, e persistentes ao longo do tempo. 
França e Brasil, eis um casal que dá certo. 

Nossas últimas entrevistas foram com o ator Gregorio Duvivier, o jogador de futebol Paulo Cesar Caju e com o músico Kleiton Ramil, Marcos Breda, que responderam às nossas questões. Descubra o que a França representa para cada um deles nos links a seguir:

http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/A-Franca-de-Gregorio-Duvivier-1288
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/La-France-de-Paulo-Cesar-Caju
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/La-France-de-Kleiton-Ramil
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/A-Franca-de-Marcos-Breda

JPEG - 51.6 KB

publié le 01/10/2015

haut de la page