A construção do consulado

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Maison de France

Inaugurada em 20 de março de 1956, num terreno cedido pelo governo brasileiro, a Maison de France tem por dupla vocação abrigar os serviços diplomáticos e consulares do governo francês no Rio de Janeiro e contribuir para a difusão da cultura francesa no Brasil.

A idéia de construir uma Maison de France surgiu após a Exposição Universal, comemorativa do primeiro centenário da Independência do Brasil, que aconteceu no Rio de Janeiro, então capital da República, em 1922. Para esse evento, foram construídos (depois demolidos) dezenas de prédios e monumentos, representando a cultura das diversas regiões do Brasil e de vários países estrangeiros – dentre os quais, a França. Do conjunto de edifícios que ocupava quando da Exposição, o governo francês doou ao Brasil uma parte do complexo, uma réplica idêntica do Petit Trianon (a famosa construção de Ange-Jacques Gabriel, de 1768, construída ao lado do Palácio de Versalhes, em Paris), transformado logo em seguida em sede da Academia Brasileira de Letras.

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Desejosos de mostrar seu reconhecimento, um grupo de intelectuais brasileiros pensava estabelecer, perto da Academia, uma Casa da Cultura Francesa. Essa instituição deveria ser essencialmente a sede do Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura, encarregado de promover o intercâmbio universitário entre os dois países e abrigar um secretariado permanente de trocas culturais. Os diversos projetos em estudo para a construção do edifício, no entanto, foram interrompidos pela eclosão da Segunda Guerra Mundial.

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Foi somente ao final da Guerra que as negociações levaram à promulgação, por parte do governo Getúlio Vargas, de um decreto estabelecendo as bases desse Instituto. Promulgado em 25 de setembro de 1945, o «Decreto Vargas» oferecia à França um lote de 1.378m² na esplanada do Castelo. Em contrapartida, o governo francês deveria construir nesse terreno um prédio, onde seriam instalados, além da chancelaria da Embaixada da França e o Consulado Geral, o Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura e todo e qualquer outro serviço de difusão cultural que a França quisesse oferecer.

Construído por dois arquitetos franceses, Auguste Rendu et Jacques Pilon, entre 1951 e 1955, o prédio conhecido com o nome de « Maison de France » foi inaugurado em 20 de março de 1956 por Juscelino Kubitschek, Presidente da República do Brasil, e por Maurice Faure, Ministro das Relações Exteriores do governo francês. Situado num bairro central, em frente à Igreja de Santa Luzia, vizinho da Academia Brasileira de Letras, da Biblioteca Nacional, do Museu Nacional de Belas-Artes e do Museu de Arte Moderna, a Maison de France é um imóvel de treze andares, concebido desde a origem como um complexo cultural.

Em 1956, ele abrigava já um teatro, as salas de aula e os escritórios da Aliança Francesa, duas grandes bibliotecas dotadas de um número considerável de obras cobrindo todos os ramos do conhecimento, uma rica discoteca, uma sala de imprensa - onde já se podiam encontrar jornais franceses, recebidos por correio aéreo - e o serviço cultural da Embaixada da França. Aí funcionavam também diferentes associações e empresas ligadas à França, como a companhia aérea Air France, assim como os serviços do Conselheiro Comercial, a Chancelaria Diplomática, o Consulado Geral e o escritório do Embaixador – já que a Maison de France foi sede da Embaixada da França até 1976, quando o serviço foi definitivamente transferido para a capital federal, Brasília.

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Criada em 1961, a partir da fusão da Biblioteca do Serviço Cultural da Embaixada com a Biblioteca da Aliança Francesa, a Biblioteca da Maison de France teve sua importância reconhecida desde muito cedo. De 1964 a 1985, durante o período da ditadura militar, ela foi um espaço de liberdade, trocas e acesso livre a diversas «leituras subversivas» no país, especialmente os pensadores marxistas e de esquerda. Ao lado da então Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Federal, surgia como um lugar preservado de censura e propício ao debate de idéias.

Foi, portanto, durante os anos de chumbo que a biblioteca adquiriu seu perfil universitário e sua vocação como lugar de agitação cultural. Renovada em 1991, com o incremento de diversos suportes multimídia, tornou-se uma Mediateca, organizada segundo o modelo das mais modernas bibliotecas francesas do gênero, abrigando um acervo contemporâneo em livros, cds, vídeos, periódicos, bem como computadores para uso público. Desde 1996, ela funciona também como um Centro de Informações, propondo aos leitores e visitantes um serviço gratuito de orientação e dados sobre a França contemporânea.

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Inaugurado em 1956, o Teatro da Maison de France reabriu suas portas em fevereiro de 2002, na presença de Charles Josselin, Ministro da Cooperação e da Francofonia. Inteiramente renovado, com capacidade para 353 lugares, ele acolhe cada semana espetáculos de teatro, dança, concertos e sessões de cinema, colóquios e seminários. Jacques Derrida, Jean Delumeau, Roger Chartier, Michel Deguy, Jean-François Sirinelli, Jacques Rancière são alguns intelectuais que participaram de encontros no Teatro desde a sua reabertura. Ana Botafogo (dança), Bibi Ferreira (música), Barbara Hendricks (ópera), e, claro, inúmeros diretores e atores como Marcos Caruso, Natalia Timberg, Pedro Paulo Rangel, Camilla Pitanga e Irene Ravache passaram também pelo palco do novo Teatro.

O teatro também funciona como cineclube, o CINEMAISON, com o melhor do cinema francês e debates todas as segundas-feiras, desde 2002. A entrada é franca.

Hoje, a Maison de France abriga os serviços diplomáticos franceses no Rio de Janeiro, bem como uma série de organismos, empresas e associações ligados à França.

É onde se encontra o Consulado Geral e a Chancelaria (que se ocupam dos assuntos diplomáticos, dos serviços de visto e nacionalidade, entre outros), o Serviço de Cooperação e Ação Cultural (que cuida da promoção da cultura francesa no que diz respeito à língua, ao audiovisual, às artes cênicas e plásticas e ao livro e à leitura), a Missão Econômica, a Mediateca, o Teatro, uma filial da Aliança Francesa, a Câmara de Comércio França-Brasil e diversas outras entidades.

publié le 23/10/2013

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