A jornalista Helena Celestino recebe a condecoração de Cavaleiro da Ordem do Mérito da França

Na quarta-feira, dia 1° de junho, a jornalista Helena Celestino recebe a condecoração de Cavaleiro da Ordem do mérito da França, por sua contribuição em prol do debate publico durante a sua carreira de repórter internacional.

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[(Discurso do Consul Geral da França no Rio de Janeiro, Brice Roquefeuil:

Cara Helena Celestino,
Senhoras e Senhores representantes eleitos da França, e de Organizações Internacionais e Nacionais,
Senhoras e Senhores jornalistas,
Caros amigos,

Hoje, a Republica Francesa presta uma homenagem solene à Sra. Helena Celestino, entregando-lhe a condecoração da Ordem Nacional do Mérito.

Carioca de nascimento, quando chegou o momento de escolher uma profissão, você se voltou inicialmente para o ensino. A bordo do trem que te levava todo dia do seu bairro até a escola ondel você lecionou durante alguns anos, começou uma viagem que iria durar pelo resto da sua vida. Uma viagem que te levaria cada vez mais ao encontro das pessoas, a ouvi-las e compreende-las.

Sua capacidade de escutar os outros é uma qualidade nata, mas foi o seu talento na arte da escrita que a levou a deixar os seus alunos para ocupar o seu espaço na redação de um grande jornal. O jornal O Globo contou por vários anos com a sua valiosa participação como colaboradora, na prestigiosa função de editora executiva. O jornalismo passou a comandar o seu destino, com uma paixão que te levou a atravessar todo tipo de situação, sem nunca se acovardar. A sua melhor descrição é uma declaração recente, na qual você confessa que: “O jornalismo é um vicio assumido, é difícil me imaginar longe da notícia. Acostumei a viver com o dedo na tomada: aprendi isto trabalhando, viajando pelo mundo”.

A sorte colocou no seu caminho um companheiro perfeito, para viajar e para a vida toda: Ernesto Soto, seu marido, colega de jornalismo e cumplice na expatriação. Juntos, vocês moraram em Nova Iorque, em Londres e em Paris. Em Paris, a capital intelectual do mundo, o seu senso critico pôde se expressar plenamente. Enquanto jornalista e formadora de opinião, você adora os debates franceses, que são uma espécie de esporte nacional, marcando a cadencia da sociedade, segundo as atualidades. Todos os assuntos atiçam a sua curiosidade: politica, economia, tudo aquilo que faz vibrar os franceses...

Durante os seus anos de Paris, você também aprendeu a se divertir com os defeitos da nossa sociedade. Em seus editoriais, você sabia como ninguém descascar com a ponta da caneta a tão conhecida “exceção francesa”, a fim de explica-la aos leitores brasileiros. Às vezes irônica, nunca excessiva, você ofertou aos intelectuais franceses uma voz voltada para o Brasil. Em sua agenda se acumulam os números de telefone pessoais de grandes pensadores franceses. De vez em quando, você ligava para Alain Touraine, “Só para conversar, para trocar ideias...” como você mesma dizia.

Faz tempo que você não mora mais na França, mas o seu olhar nunca se afastou completamente do país. Sempre atenta ao pluralismo nos debates públicos, em novembro no ano passado você assinou um editorial dedicado à França, com um titulo provocador: “Onde foram parar os intelectuais de esquerda?” No texto, você destacava a importância do engajamento intelectual como parte dos valores republicanos, com uma observação bem-humorada: “O intelectual engajado no estilo Sartre é uma especialidade tão francesa quanto os queijos e vinhos”.

Engajada, tolerante, crítica, são adjetivos que definem bem o tom das crônicas “Volta ao mundo”, que você assinou durante anos. São adjetivos que soam como uma declaração de princípios. Você defende a liberdade de expressão e luta pelos valores fundamentais de nossa Republica indivisível, laica, democrática e social, que garante perante a lei a igualdade de todos os cidadãos. A tolerância e o respeito são dogmas onipresentes em seus textos. Seus assuntos prediletos, como as relações internacionais, a politica, o direito das mulheres e a questão da imigração, mais do que temas recorrentes, tornaram-se verdadeiras causas.

Atualmente colaboradora do jornal “Valor” e do projeto “Colabora”, você assinou, ao longo dos últimos meses, diversos artigos sobre as mulheres no poder. Há pouco tempo, você lançou o questionamento “Como o acesso efetivo ou possível de mulheres aos cinco mais importantes cargos no cenário internacional poderia mudar o mundo?”. No ano passado, você denunciou fervorosamente a cultura do estupro nos Estados-Unidos, assunto abominável que infelizmente faz-se presente nas noticias brasileiras atualmente. Além de tudo disso, você está finalizando um livro sobre a crise dos refugiados que acomete a Europa. Uma reflexão sobre a imigração que nos convida a repensar sobre o nosso contrato social. Estaremos acompanhando com grande atenção a publicação desta sua nova obra.

Essa noite, querida Helena, temos o prazer de recebê-la aqui, sempre com o Ernesto e com alguns de seus inúmeros amigos. Quero aproveitar a ocasião para felicita-la também por seu sorriso, marca registrada com a qual você recebe todos os seus entrevistados, sejam eles altos diplomatas, chefes de estado, lideres, colaboradores, colegas, amigos de viagem ou de roda de samba! Todos são unanimes na escolha da palavra que a caracteriza: “Simpatia”. Seu humor e sua curiosidade pelo ser humano, sua sede de novidades e a sua abertura de espirito se tornaram um modo de vida, sendo o seu maior trunfo profissional.

Por seu trabalho indispensável para a riqueza dos debates públicos, com os quais você sempre contribuiu de forma incontestável através de intervenções notáveis, por sua luta incansável em defesa da liberdade de opinião, pelo olhar agudo, engajado e sem concessões que você lança sobre a nossa sociedade, a Republica Francesa, cujos valores você defende, tem a honra de condecora-la nesta data.

Cara Helena Celestino, em nome da Republica Francesa, eu lhe nomeio Cavaleiro da Ordem do Mérito.

publié le 08/06/2016

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