Cerimonia em homenagem aos Combatentes das Grandes Guerras Mundiais

No dia 11 de novembro foram realizadas no Rio de Janeiro varias comemorações em homenagem ao armistício e aos ex Combatentes da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. Oficiais se reuniram primeiramente no cemitério São João Batista, em seguida no Consulado Geral da França e no Monumento aos mortos da Marinha Brasileira, localizado na Praça Mauá.

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As comemorações aconteceram ao longo do dia 11 de novembro, com a presença do ex-Ministro e atual presidente da Fundação Charles de Gaulle, Jacques Godfrain, do Cônsul Geral da França no Rio de Janeiro, Brice Roquefeuil, do Cônsul Geral adjunto Jean-François Laborie e do Presidente da Associação Francesa dos ex-Combatentes (AFAC) no Rio de Janeiro, Roland Mello.

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Um grupo de representantes oficiais e autoridades se reuniu primeiro no mausoléu dos soldados mortos pela França durante as duas Grandes Guerras, no cemitério São João Batista em Botafogo. Ali foi realizada uma cerimonia em homenagem aos 57 soldados franceses e franco-brasileiros do Rio de Janeiro, mortos em combate pela França. O Sr. Roland Melo lembrou os principais feitos e os horrores da Grande Guerra, com seus nove milhões de mortos, dos quais 2 milhões alemães e 1,5 milhão franceses, e ressaltou o papel da AFAC, uma associação criada no dia 14 de julho de 1919 "no intuito de preservar a memoria dos fatos, que é o que estamos fazendo aqui".

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Em seguida, foi organizada uma cerimonia no Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, com a presença dos Cônsules Gerais da Alemanha e da Grã Bretanha. O Cônsul Geral da França, Brice Roquefeuil, agradeceu em seu discurso a presença de seus colegas e de um grupo de alunos da escola francesa Lycée Molière, ressaltando a importância do trabalho de recordação dos fatos passados junto às novas gerações. Ele agradeceu também a presença do Presidente da Fundação Charles de Gaulle, que veio ao Rio de Janeiro neste dia especialmente para participar das comemorações.

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Na ocasião, foram entregues duas condecorações: uma Medalha da Legião de Honra entregue postumamente à viúva do Sr. Michel Mokdesse, soldado de nacionalidade Síria engajado como voluntario junto às Forças Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial, herói na Campanha da Africa do Norte e residente no Brasil desde os anos 50; e a Cruz de Guerra de Operações no Exterior ao Francês Michel-Henri Pérennes, residente no Rio de Janeiro.

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As comemorações se encerraram na Praça Mauá, a convite dos Oficiais do 1° Distrito Naval. Coroas de flores foram colocadas no monumento aos mortos pelo Cônsul Geral da França, Brice Roquefeuil, pelo diretor no Brasil do DCNS (Departamento de Construção Naval da França) , Eric Berthelot, e por um Oficial da Marinha Brasileira.

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Os discursos da cerimonia do dia 11 de novembro foram transmitidos ao vivo na pagina Facebook do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro

Discurso do Cônsul Geral da França no Rio de Janeiro, Brice Roquefeuil, durante a cerimônia do dia 11 de novembro de 2016 :

Prezado Senhor Ministro,
Senhor Embaixador,
Prezado Senhor Coronel, Senhores Oficiais Militares,
Senhoras e Senhores representantes eleitos,
Caros colegas Cônsules Gerais,
Senhores presidentes das Associações de ex-Combatentes,

Primeiramente quero agradecer pela presença de vocês todos aqui hoje, para esta cerimonia do dia 11 de novembro. Quero dizer especialmente aos jovens, os alunos do Lycée Molière que estão aqui, que a participação de vocês neste evento no dá uma grande alegria.

Estamos reunidos para comemorar aqui no Rio de Janeiro o armistício de 1918, quase 100 anos depois da adesão dos Brasileiros ao chamado dos Aliados.

No dia 11 de novembro de 1918 às 11h00, as cornetas soaram o cessar-fogo em todo o front, dando fim ao que ficaria marcado na historia como a Grande Guerra. Nunca dantes em toda a sua longa historia, a Europa havia sido castigada a tal ponto em um conflito armado, deixando marcas tenebrosas, com cerca de 10 milhões de mortos e mais de 20 milhões de feridos.

Os nossos países, aqui representados, foram todos duramente atingidos nessa época; poucas famílias francesas, alemãs e britânicas foram poupadas. Vários jovens brasileiros de origem francesa morreram em combate. É para nos lembrarmos deles e do sacrifício que fizeram, é para honrar nossos familiares que caíram no front, que estamos reunidos aqui hoje.

Comemorar é uma forma de homenagearmos os anônimos de ontem e de hoje. É poder falar da coragem dos “Poilus” – como eram chamados os soldados franceses – nas trincheiras, é nos orgulharmos do Francês livre que se juntou a de Gaulle em junho de 1940, é honrarmos a memoria do nosso saudoso Michel Mokdesse, o que faremos daqui a pouco, que se uniu ao exercito livre francês em 1940. É saudarmos hoje a coragem dos nossos soldados, que se engajaram em operações de defesa para defender nossos valores. É nos lembrarmos de seus companheiros, que deram a própria vida em missões de paz.

Comemorar é também aprender com as lições do passado a construir o futuro. Como dizia Paul Claudel, Chefe da delegação francesa aqui no Rio durante a Grande Guerra, "as guerras tem que servir para alguma coisa, já que não podemos evitá-las". É reafirmar os valores de paz e de independência, que após os combates incitam homens e mulheres a se dedicarem à reconciliação dos povos, e são os valores fundamentais da Europa e de nossa Aliança transatlântica.

Comemorar é manter acesa a chama da amizade franco-alemã, que conseguiu liberar nossas nações do nacionalismo da guerra. É de um simbolismo muito forte o fato de estarmos reunidos aqui na Casa Europa, que abriga os consulados da França e da Alemanha, marcando o caráter indefectível dos laços que nos unem.

"O entendimento franco-alemão não foi apenas para resolver os problemas da época, ele foi feito para durar, e para a Europa. Ele se apoia na coincidência de nossos interesses políticos e econômicos essenciais, mas principalmente ele se baseia em na convicção que compartilhamos sobre a importância da dignidade e da liberdade do homem”, disse Konrad Adenaueur.

Comemorar é nos lembrarmos do que representaram as Guerras para nossas nações: nem todos os “Poilus” eram franceses e nem mesmo francófonos, mas hoje em dia muitos franceses são descendentes desses homens que se irmanaram na prova de fogo. Quantos europeus imigraram durante as guerras do século XX para a terra de exilio que representava o continente americano, para se tornarem, alguns cidadãos brasileiros e outros cidadãos americanos.

Comemorar, é compreender que um povo ou uma nação se constrói com uma visão lucida de sua própria historia, cumprindo o dever de uma memoria critica e sincera, que é também o que faz a grandeza de uma nação.

Temos hoje a grande honra de realizarmos esta cerimonia com a presença do Sr. Presidente da Fundação Charles de Gaulle, uma fundação que se dedica desde 1971 a perpetuar as ações de Charles de Gaulle, General, Chefe da França livre e Presidente da Republica. Permitam que eu termine este breve discurso com uma lembrança do fundador de nossa 5ª Republica, que encontrou refugio no Reino Unido para se dedicar à reconciliação franco-alemã: "O que precisamos principalmente para a paz, é o entendimento entre os povos. Os regimes de governo, nós sabemos o que são: são coisas que passam. Mas o povo não passa”.

publié le 24/11/2016

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