Encontro franco-brasileiro no Rio de Janeiro sobre a energia sustentável

Uma delegação de 11 empresas de diversos setores ligados à energia sustentável visitou o Rio de Janeiro na segunda-feira 31 de agosto, para um encontro com os representantes dos setores públicos brasileiros durante um seminário no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

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Parque eólico de São Miguel do Gostoso. Foto: Voltalia

O mercado brasileiro demonstra interesse pelas tecnologias francesas

A Agência Business France, encarregada de promover o desenvolvimento internacional das empresas francesas e as exportações e pela divulgação da atratividade do território francês no exterior, organizou no Rio de Janeiro e em São Paulo, em parceria com o Syndicat des Énergies Renouvelables (sindicato da energia sustentável) e a Agence Française de Développement (AFD) (agência francesa de desenvolvimento), a visita de uma delegação de 11 empresas francesas dos setores ligados à energia sustentável: Cap Vert Énergie, Cofely Ineo, EDF EN, Exosun, Green Yellow, Nass & Wind Offshore, QOS Energy, S3D, Technique Solaire, Urbasolar e Vinci Énergies. Representando a cadeia de valor, esta delegação se compõe de participantes de diversos tamanhos, como desenvolvedores/ produtores, construtores/ engenheiros, e também fornecedores de equipamentos e serviços.

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Seminário franco-brasileiro sobre energia sustentável na sede do BNDES no Rio de Janeiro

Na segunda-feira dia 31 de agosto de 2015, empresas francesas tiveram a oportunidade de se encontrar com os principais representantes do setor de energia elétrica do Brasil, durante um encontro franco-brasileiro na sede do BNDES. Do lado brasileiro, estavam presentes especialistas em energia sustentável do BNDES e do FINEP (Fundo de Investimento de Estudos e Projetos), o Diretor Geral da ONS (Operadora Nacional do Sistema Elétrico), Dr. Hermes Chipp, o Chefe do Departamento de Produção Elétrica da ANEEL (Agencia Nacional de Energia Elétrica, Sr. Christiano Vieira, e o Presidente do Conselho de Administração da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Eléctrica), Dr. Rui Altieri.

O responsável para a América Latina do Crédit Agricole Brasil, Sr. Jean-Paul Illy, também estava presente e pôde orientar as empresas francesas sobre as possibilidades de financiamento para a implantação de suas empresas no Brasil. O Diretor Geral da Voltalia do Brasil, empresa francesa instalada no país desde 2006, Sr. Robert Klein, também teve a oportunidade de apresentar diversos projetos de sua empresa e falar sobre a sua experiência no mercado.

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Almoço durante o seminário franco-brasileiro sobre energia sustentável na sede do BNDES no Rio de Janeiro

Segundo o Sr. Hamza Belgourari, Chefe do Polo de Energia e Meio-Ambiente da Business France Brasil, "as empresas francesas puderam compreender, durante este seminário de alto nível, um pouco mais sobre a situação atual da regulamentação do mercado brasileiro de energia sustentável, tanto em termos de integração das energias, quanto de seu financiamento, que são as principais questões hoje em dia. Todas as opções deverão ser analisadas para os futuros projetos: a importação de tecnologia francesa, sem duvida, mas também a fabricação local, o que significa uma transferência de tecnologia. A oferta francesa é muito bem vista no mercado brasileiro, que considera a experiência e a tecnologia francesas como sendo uma das mais adiantadas do mundo. O interesse das empresas francesas é também muito positivo, pois tem acompanhado o dinamismo do mercado da energia sustentável, mesmo durante a fase difícil que atravessa a economia brasileira. O próximo passo será de apresentarmos as tecnologias francesas com mais detalhes às empresas brasileiras que o desejarem, durante uma visita à França.”

Nos dias seguintes, as empresas tiveram a oportunidade de participar das exposições da Brazil Windpower e da Intersolar South America, que ocorreram respectivamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na terça-feira dia 1° de setembro, as empresas visitaram, no centro de operações da ONS, que opera em tempo real a administração do equilíbrio do sistema elétrico nacional. Em São Paulo, elas puderam visitar a Central Fotovoltaica de Tanquinho, em Campinas, operada pela companhia CPFL. Durante esta missão, a Business France organizou para as empresas participantes mais de 100 reuniões individuais com potenciais parceiros e interessados. O Sindicato de Energia Sustentável (Syndicat des Énergies Renouvelables) teve por sua vez a oportunidade de encontrar com seus colegas, as associações brasileiras de energia eólica e de energia solar, através de seus respectivos presidentes, Sra Elbia Gannoun e Sr. Rodrigo Sauaia, que expressaram a vontade de desenvolver parcerias a fim de trocar informações praticas e de criar sinergias entre os seus membros, aproveitando a aproximação da COP21.

Um mercado de grande potencial, com muitos desafios

Algumas empresas francesas, já presentes no mercado brasileiro, puderam partilhar, durante o seminário no BNDES, suas experiências no mercado da energia sustentável no Brasil: VINCI Energies atua no setor de engenharia, construção e manutenção de infraestruturas de produção e distribuição de energia; a Voltalia desenvolve, constrói e opera diversas centrais de produção de energia sustentável (principalmente eólica) no Brasil, EDF EN esta começando as suas atividades no Brasil, desenvolvendo uma série de projetos eólicos.
Segundo o Sr. Hamza Belgourari, Chefe do Polo de Energia e Desenvolvimento da Business France Brasil, “o financiamento constitui atualmente a principal questão no setor da energia sustentável no Brasil. O custo do financiamento pode ser muito alto neste mercado, as garantias exigidas são em geral muito pesadas e os prazos de obtenção são em geral relativamente longos. A empresa tem que poder trabalhar em meio a todos esses fatores , evitando ao máximo que qualquer contratempo possa paralisar o investimento. Por outro lado, parte dos equipamentos tem que ser importados (como certos componentes das turbinas eólicas por exemplo) e isso representa custos cada vez mais altos, devido à variação cambial e também porque os fornecedores locais ainda estão se estruturando. A contratação de pessoal qualificado é outro elemento-chave para o sucesso da operação.”

“O mercado da energia sustentável no Brasil é enorme e as empresas francesas capazes de trazer tecnologias inovadoras e soluções já testadas em outros lugares do mundo tem, sem duvida, muitas oportunidades no mercado brasileiro. Devemos ter em conta, entretanto, que é difícil a instalação no Brasil para os pequenos operadores, pois o território é imenso e os projetos energéticos são de enormes proporções.”

“Além disso, diversas empresas brasileiras do setor atravessam atualmente certas dificuldades financeiras, o que produz um movimento de adaptação. Para as empresas francesas que estiverem à procura de oportunidades, o momento é propicio para entrar no mercado brasileiro através de novas aquisições.”

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publié le 02/10/2015

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