Lancamento do filme "O Jardim da Esperança" no Festivalambiente do Rio de Janeiro

De 28 de agosto a 1 de setembro, o filme "O Jardim da Esperança" será exibido pela sua primeira vez no Festivalambiente do Rio de Janeiro

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"O Jardim da Esperança" de Laurence Guenoun | Brasil, França | 2015 | 75 min

Filmado em Gramacho, depois do fechamento do lixão, o filme dá voz àqueles que perderam seu ganha pão. O que acontecerá com esta comunidade que não tem outras fontes de renda? Qual o futuro das crianças dalí? Com uma câmera, podem se expressar e nos mostrar sua esperança.

28/08/2015 | 21.00h | Espaço Itaú de Cinema
01/09/2015 | 20.00h | Oi Futuro Ipanema
28/08/2015 | 19.00h | Nave do Conhecimento Madureira
29/08/2015 | 19.00h | Nave do Conhecimento Nova Brasília

Carta da diretora do filme

Faz alguns meses que vou no Jardim de Gramacho como voluntária, para tirar fotos como ja fiz no Haiti em 2011, depois do terremoto.
Aprendi que lutar contra o reflexo de propor soluções é árduo. Prefiro observar, me empregnar do que vejo e colocar em perspectiva o cotidiano das pessoas. A câmera se torna para eles um instrumento de dignidade, onde eles podem expressar suas lutas e suas vitórias. Finalmente eles dirigem tanto quanto eu.

A voz dos adultos, se acrescentará ao olhar de meia dúzia de crianças, que tiraram fotos da dura realidade de seu Gramacho. Colocar um aparelho nas mãos deles, e ensiná-los a tirar fotos, segui-los na sua comunidade e deixá-los revelar sua realidade, seu carinho, suas esperanças através da lente. Afim de produzir em seguida uma exposição de suas imagens, afim de valorizá-los através de suas criações.

A ideia é gravar desde o mês de Abril, nas próximas construções dos voluntários do TETO, e de filmar o olhar da comunidade nessa efervescência.

Num país tal qual o Brasil, com todas suas riquezas, eu me faço essa pergunta: como podemos livrar uma comunidade inteira dela mesma? Um ano após o fechamento do aterro sanitário de Jardim Gramacho, nenhuma solução viável foi executada. Nenhum desenvolvimento a nível de transporte para facilitar o acesso a cidade mais próxima; nenhuma formação foi proposta aos antigos catadores, para que eles possam achar um trabalho descente; pouquíssimos custos adicionais prometidos foram pagos por recompensa da perda de seus empregos.

Pior, onde o aterro sanitário foi fechado nas vésperas do Rio +20, caminhões descarregam diariamente lixo na comunidade, de forma clandestina na frente de habitações... No entanto, permetindo a uma pequena parte de catadores de trabalhar.

Hoje, em 2014, o governo brasileiro decidiu fechar todos os aterros sanitários ilegais e a céu aberto, do país. O que acontecerá com as comunidades que não tem muitas fontes de renda?

Existe um fórum do Jardim Gramacho, que reagrupa algumas associações, porém a grande parte dos moradores procuram nas igrejas, ajuda alimentar e moral, quem sabe até um pouco de esperança.

Famílias, na sua maioria numerosas, estraçalhadas, enviam seus filhos a terceiros, pela falta de espaço no lar, falta de recursos. Muitas vezes, as casas não possuem água potável, nem sanitários. Quatro dias por semana, a água é liberada na rua principal. As famílias estocam como podem, em grandes cisternas de plástico em frente de suas casas, expostas ao sol. Água que servira para as necessidades cotidianas como lavar as roupas e louça, são tiradas de poços no solo, de baixo de montanhas de lixo, totalmente imprópria para consumo.

Na véspera da copa do mundo, há dois anos dos jogos olímpicos, onde milhões foram investidos para infraestruturas,muitas vezes efêmeras ou lugares ligados ao turismo, a trinta minutos das praias de Ipanema e Copacabana, a comunidade de Jardim Gramacho vivia e continua vivendo em um depósito de lixo. Após o encerramento das atividades do aterro sanitário, a esperança acabou? É disso que quero falar, é isso que eles querem expressar. No intuito de nos fazer compreender que o lixão pode ser um jardim, um jardim insalubre, um jardim de onde pode germinar um futuro.

Obrigada.

Laurence Guenoun

publié le 30/07/2015

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