Meus estudos na França - Abril 2015

Uma vez por mês, oferecemos um rápido encontro com brasileiros dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, que estudaram na França. Algumas perguntas, sempre as mesmas, permitem desenhar breves retratos e conhecer quem foi estudar nas universidades francesas.

Thamara Calçado: "Estudar na França significou concretização, liberdade, responsabilidade!""

JPEG

Thamara tem 24 anos, estudou um ano de Engenharia Elétrica na Universidade Lille I, num intercâmbio acadêmico entre Lille I e a UFRJ.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade onde estudou na França: Lille (Nord-Pas-de-Calais)

Por que você escolheu estudar na França?
Eu sempre quis estudar um tempo fora do Brasil, se pudesse. Quando entrei na UFRJ, a faculdade apresentou as oportunidades de intercâmbios que existiam. Procurei saber um pouco mais sobre o programa Ciências Sem Fronteiras e percebi que a França é um dos países com mais oportunidades para se estudar. Eu sempre gostei da cultura francesa, então me inscrevi num curso de francês e fiquei dois anos e meio estudando a língua para me preparar. Quando apareceu o edital para estudar na França, eu me candidatei e consegui !

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Minha primeira impressão foi de que tudo funcionava muito bem ! A mobilidade é excelente, as pessoas respeitam uns aos outros e respeitam os horários. Conforme já haviam me falado, as pessoas do norte da França (onde fica a cidade de Lille) são muito gentis, é verdade !

Qual a sua maior lembrança da França?
Minha maior lembrança são as amizades que eu fiz em Lille, com franceses e estudantes de outras nacionalidades (chinesa, grega, marroquina) ! A programação cultural lá é muito densa ; a gente saía muito para visitar exposições, ir ao teatro ou viajar. A gente falava francês junto, era muito engraçado ! Até hoje a gente se escreve cartas e conversa no WhatsApp em francês.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Eu gostei muito de estudar na França, por isso voltarei em agosto para fazer meu mestrado de veículos elétricos da Fundação Renault (uma parte em Paris e outra em Lille), o qual acabei de ser aceita! E meu desejo, depois, é ficar e trabalhar lá; vamos ver se eu consigo...

Qual é a sua atividade profissional?
Eu sou estudante de engenharia elétrica. Acabei minha graduação e vou fazer um mestrado.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Minha estadia na França me fez sair da minha zona de conforto e me tornou mais responsável, pois eu tive que me doutrinar e cumprir minhas obrigações profissionais e pessoais. Por conhecer outros países, você também vê que seu país não é nem tão bom nem tão ruim. É bom ter a oportunidade de viver outra realidade.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Concretização, liberdade, responsabilidade.

Três palavras que resumam o país?
Diversidade, serenidade, progresso.

Noelle Borges Vilardo : "Estudar na França significou liberdade, amizade e encanto !""

JPEG

Noelle tem 24 anos, fez um duplo diploma em engenharia de automação na Ecole des Mines de Douai. Ela ficou ao todo dois anos e meio lá (metade em Douai e metade em Paris, fazendo estágio).

Cidade de origem: Rio de Janeiro.

Cidade onde estudou na França: Douai (Nord-Pas-de-Calais).

Por que você escolheu estudar na França?
Estudo Engenharia na UFRJ e desde o início do meu curso eu sabia que queria estudar fora. Sempre acreditei que seria uma grande experiência em todos os sentidos: acadêmico, profissional e pessoal. Ao me informar melhor sobre as possibilidades de estudo no exterior, percebi que a parceria entre as Ecoles/Universidades francesas e a UFRJ é muito forte. Para outros países normalmente existiam três ou quatro universidades parceiras, enquanto que com a França o número subia para um pouco mais de 20. Então, como já era um programa antigo, que sempre deu muito certo e que tinha um ótimo retorno dos alunos participantes, além de ser uma língua diferente, escolhi ir para a França.

Qual foi a sua primeira impressão quando você chegou na França?
Logo no meu primeiro dia fui até Montmartre visitar a Sacre-Coeur com alguns amigos. Era fim de tarde e, enquanto estávamos lá em cima, presenciamos um pedido de casamento! Minha primeira impressão foi de que as pessoas tinham razão quando diziam que Paris é a cidade mais romântica do mundo!

Qual a sua maior lembrança da França?
São tantas e tantas lembranças que eu não poderia citar apenas uma! Tive basicamente duas fases bem distintas na minha estadia lá. Uma vivendo em uma cidade pequena, estudando e morando na residência universitária (o que já é bem diferente da vida no Rio de Janeiro). Uma grande lembrança desse período foi o fim de semana de integração, um final de semana em um lugar surpresa com a maior parte dos estudantes da Ecole, logo no início do ano, para integrar os alunos novos (inclusive estrangeiros). Uma segunda fase foram meus estágios em Paris, onde morei em colocation (república) e me apaixonei pela cidade! A maior parte das minhas lembranças lá são com os meus amigos, bebendo vinho, saindo nos bares da cidade e voltando para casa de vélib (bicicletas alugadas)!

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Tenho muitos amigos na França que pretendo guardar pra vida toda! Voltei para o Brasil há três meses, então ainda tenho contato com a maior parte deles. Mas pretendo continuar mantendo esse vínculo durante muito tempo, visitando-os e recebendo visitas também! E quem sabe um dia voltar para lá?! Além disso, hoje trabalho na L’Oréal, que é uma empresa francesa e incorpora muito da cultura de lá, aqui no Brasil.

Qual a sua atividade profissional?
Sou estudante de Engenharia de Controle e Automação na UFRJ e hoje faço estágio na L’Oréal.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Esse tempo na França me amadureceu muito. Morar fora do seu país, conhecer outras culturas, outras pessoas, aprender um novo idioma, tudo isso faz com que você cresça muito. Eu particularmente gostei e me adaptei bastante à cultura francesa, então existem muitas coisas que eu acabei incorporando à minha vida e ao meu jeito de ser. Me considero uma pessoa de sorte, pois conheci pessoas incríveis durante a minha estadia por lá, que sem dúvida me ensinaram muito e contribuíram para essa experiência inesquecível!

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Liberdade, amizade e encanto.

Três palavras que resumam o país?
Vinho, culinária e cultura.

Bruna Soalheiro : "Estudar na França significou livros, amigos, crèpes !""

JPEG

Bruna tem 32 anos, fez um estágio de cinco meses de pesquisa doutoral em História, no Centre d’Études de l’Inde et de l’Asie du Sud (CEIAS), ligado à EHESS e ao CNRS.

Cidade de origem: Rio de Janeiro.

Cidade onde estudou na França: Paris.

Por que você escolheu estudar na França?
Na minha área de atuação (História) a produção intelectual francesa sempre foi referência. Estudar na França seria uma oportunidade única de entrar em contato com pesquisadores cujas reflexões pautam os debates historiográficos.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Assim que cheguei na França percebi que todos, entre funcionários, pesquisadores e estudantes, tinham um grande compromisso com seu trabalho e, como consequência, sempre foram muito solícitos e atenciosos comigo.

Qual a sua maior lembrança da França?
As minhas lembranças da França, de Paris mais precisamente, me ocorrem como as imagens dos caminhos que eu fazia no meu dia-a-dia. O trajeto do ônibus da Cité Universitaire, onde eu morava, até a biblioteca nacional (BnF); o gramado da CIUP; das vistas das margens do Sena em diferentes pontos da cidade... São lembranças muito comunzinhas do meu cotidiano, mas que falam da minha familiarização com a cidade. Tal qual quando você se apaixona por uma pessoa e ela vai se deixando conhecer e se revela com o passar do tempo.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Hoje tenho um vínculo afetivo com a França. Continuo atenta ao trabalho dos pesquisadores com quem tive contato na EHESS, mas sem vínculo formal.

Qual a sua atividade profissional?
Sou historiadora, atualmente bolsista de pós-doutorado do programa de pós-graduação em História da UERJ.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Minha estadia na França mudou a maneira que eu entendia e conduzia meu trabalho. Pesquisar em bibliotecas com a BnF, conhecer outros colegas de doutorado, perceber como eles viam seus próprios trabalhos... É uma forma respeitosa de encarar a pesquisa e a docência, a sua própria e a do seu colega. Um comprometimento bonito, uma identificação com seu ofício.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Livros, amigos, crèpes.

Três palavras que resumam o país?
Cultura, civilidade, História.

Ricardo Brandão Costa : "Estudar na França significou qualidade de vida, aventura e autoconhecimento !""

JPEG

Ricardo tem 24 anos, estudou engenharia durante nove meses na École des Mines de Saint-Etienne. Nos nove meses seguintes, ele fez um estágio no Tecnocentro da Renault em Guyancourt.

Cidade de origem: Natural de Teresina (PI), morando no Rio de Janeiro (RJ).

Cidade onde estudou na França: Saint-Etienne (Rhône-Alpes).

Por que você escolheu estudar na França?
O que mais pesou foi a possibilidade de ter uma bolsa de estudos e a paixão que eu já nutria pelo país.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Tive duas impressões ao chegar : A primeira foi a beleza das cidades que eram todas muito bem organizadas e ornamentadas, a segunda foi uma certa frieza dos franceses.

Qual a sua maior lembrança da França?
A minha principal lembrança não é de um momento específico, mas do hábito que eu tinha de me juntar aos meus amigos para cozinhar e beber vinhos acompanhados de queijos.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Hoje meus vínculos são basicamente afetivos. Mantenho constantemente contato com os amigos que formei lá.

Qual é sua atividade profissional?
Eu sou analista de câmbio em uma gestora de recursos.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
A França me deu outra visão do mundo por meio da gastronomia, literatura e amizades.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Qualidade de vida, aventura e autoconhecimento.

Três palavras que resumam o país?
Vinho, culinária e literatura.

publié le 15/04/2015

haut de la page