Meus estudos na França - Maio 2016

Uma vez por mês, apresentamos um breve encontro com brasileiros que estudaram na França, vindos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espirito Santo. Algumas perguntas, sempre as mesmas, nos permitem saber mais da experiência de quem saiu daqui para ir estudar nas universidades francesas.

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"Amigos para o resto da vida", diz o mineiro Pedro Ribeiro sobre as novas amizades que fez em Paris. "Conheci o Filipe e a Pâmela em uma festa. Desde então, somos inseparáveis!", conta. Embora não tenham estudado na mesma école, sempre se encontravam em "piqueniques, cafés... na beira do Sena e nos dias frios fazíamos um jantar em casa". Conheça agora cada um deles, de onde são e por quê resolveram estudar na França:

Pedro Ribeiro : minha experiência por lá me deu a coragem e a determinação de seguir o meu sonho!

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Pedro é mineiro de Belo Horizonte, tem 22 anos. Estudou em Université Paris Sud, cursando um semestre de cinema!

Cidade de estudos na França: Paris

Por que você escolheu estudar na França?
Me apaixonei por Paris no primeiro momento em que visitei o país, há 7 anos. A arquitetura, a cultura, a história e o estilo de vida me deixaram alucinado e, desde então, prometi a mim mesmo que voltaria para lá algum dia tendo um endereço fixo na cidade. Assim, comecei a aprender o francês, língua que já admirava há anos; fiz amigos e, no final de 2014, fui aceito para um semestre de estudos na Université Paris Sud. Hoje, prestes a embarcar de novo para recomeçar os estudos, sinto que não conseguiria viver em outro lugar. Parte da minha história está cravada na França.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Acredito que, num primeiro momento, senti como se eu estivesse em casa e consegui ter uma vida “comum” comparada à minha no Brasil. Contudo, às vezes eu era pego pelo sentimento de estar lá, vivendo Paris, vivendo meu sonho, estando no meu lugar favorito no mundo. Me surpreendia estar numa cidade tão cheia de rica cultura e historicamente. Inclusive, me lembro de uma vez indo para a aula onde esse pensamento “súbito” ocorreu. Passando pela Place de la Bastille, lugar que eu sempre ia com amigos, parei em frente ao monumento saindo do metrô e pensei comigo mesmo: “nossa, há 200 anos uma das maiores revoluções do mundo tava acontecendo bem aqui”.

Qual a sua maior lembrança da França?
São inúmeras as boas lembranças, mas acredito que a mais marcante seja a minha despedida no meu parque favorito de Paris, o Parc des Buttes Chaumont. Uma lembrança que pode parecer triste, já que eu estava me despedindo da vida na França. Mas, ao mesmo tempo, foi o dia onde eu realmente me dei conta da oportunidade e a chance que eu havia tido nos meses anteriores. Um domingo de sol, com o verão chegando, rodeado de amigos.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Antes mesmo de voltar para o Brasil, já tinha em mente a ideia de retornar para a França com o intuito de não apenas estudar, mas trabalhar e ter uma vida estável em Paris. Além de ter meus melhores amigos por lá, vejo que meu futuro acadêmico e profissional, qual seja na área cinematográfica, são muito mais valorizados na França. Assim, sinto que meu dia-a-dia no Brasil está diretamente ligado com Paris – é o lugar que eu penso todos os dias e que espero ansiosamente voltar em breve.

Qual a sua atividade profissional?
Sou estudante de cinema e audiovisual e curador do Festival Lumiar – Festival Interamericano de Cinema Universitário, em Belo Horizonte.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Como estudei direito por quatro anos – tendo o estudado inclusive na França -, posso dizer que minha experiência por lá me deu a coragem e a determinação de seguir o meu sonho e estudar o que eu realmente queria para a minha vida: as artes e, em especial, o cinema. Assim que voltei para o Brasil, tomei a decisão de começar o curso de cinema e audiovisual em Belo Horizonte e há um mês fui aceito para terminar meus estudos na Université Paris Diderot.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Libertadora, Revolucionária e Intensa.

Três palavras para resumir o país?
Organizado, Educativo e Encantador.

Filipe Posteral : acabei encontrando a mim mesmo!

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Ele tem 25 anos e é de Porto Alegre (RS)

Cidade de estudos na França: Paris

Por que você escolheu estudar na França?
Nunca planejei estudar na França. Estava cursando Engenharia de Computação na UFRGS em 2011 e fui selecionado para um programa de dupla diplomação franco-brasileiro. Quase não tive tempo para pensar: um dia eu fazia as provas do final do semestre e no seguinte eu estava embarcando pra capital francesa. Acho engraçado lembrar que cogitei recusar a oportunidade. Vir pra cá foi uma decisão muito acertada; um desses presentes camuflados que a vida dá.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Lembro-me de ter achado tudo muito grandioso. É uma primeira impressão que não perde força pois ainda me considero sortudo por ter a chance de passar pela Torre Eiffel todos os dias no caminho pra o trabalho.

Qual a sua maior lembrança da França?
Voltei ao Brasil por alguns meses em 2014 e lembro-me de ter ficado com saudades de sair para correr na Île aux Cygnes depois do trabalho, tentando refazer o circuito de aproximadamente 1km antes que o próximo metrô passasse por Bir-Hakeim. São as pequenas coisas que fazem mais falta.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Efetuei boa parte dos meus estudos no país e trabalho atualmente numa instituição de pesquisa estatal francesa vinculada com diversos ministérios do governo. Moro em Paris e tenho minha vida estruturada lá. A minha relação com a Franca se tornou tão forte desde que vim pela primeira vez, em 2011, que acabei escolhendo o país como local para iniciar minha carreira profissional.

Qual a sua atividade profissional?
Sou engenheiro de computação com especialização em inteligência artificial e visão computacional.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
A vida na França ajudou a definir minha identidade. Saí da minha zona de conforto em Porto Alegre e tive que construir a minha própria numa cidade com língua, costumes e clima diferentes. Foi lutando pelos meus direitos, fazendo grandes amizades e procurando soluções que eu acabei encontrando a mim mesmo.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Autoconhecimento, "bonvivantismo", adaptação.

Três palavras para resumir o país?
Cultura, burocracia, sofisticação.

Pâmela Arantes : Em um ano já tinha mudado completamente minha forma de enxergar o mundo e a mim mesma.

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A mineira tem 23 anos e é de Belo Horizonte. Seus novos amigos a chamam de ’’Pâm’’!

Cidade de estudos na França: Paris

Por que você escolheu estudar na França?

Eu já estudava a língua há seis anos e conhecia a cultura, pois já havia passado dois meses de férias estudando francês em Paris e feito outras viagens menores por aqui também. Além disso, as universidades eram boas, públicas e abertas à estrangeiros, e existiam diversas bolsas de estudos para as quais eu era elegível.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?

O começo foi muito difícil, não me identificava com a cultura e tive muitos problemas para me integrar. Eu percebia que, de maneira geral, era um país em que tudo funcionava bem, mas achava as pessoas muito distantes e sentia falta de mais contato.

Qual a sua maior lembrança da França?

Difícil escolher ainda estando aqui, mas posso dizer que as tardes de sol e vinho nos parques de Paris e na beira do Rio Sena foram, sem dúvida, as melhores.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?

Como ainda moro na França, minha vida está inteiramente vinculada ao país. Salvo pela minha família e os amigos que deixei no Brasil, todo o resto está na França. Fiz o meu mestrado aqui, tenho meus amigos e todos meus planos a médio prazo são aqui.

Qual a sua atividade profissional?

Advogada em Direito Empresarial, retomando meus estudos.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?

Em tudo. Em um ano já tinha mudado completamente minha forma de enxergar o mundo e a mim mesma.

Três palavras para resumir sua experiência lá?

Independência, identidade e liberdade.

Três palavras para resumir o país?

Liberdade, individualidade e comunitarismo (mesmo se as duas últimas parecem contraditórias). Por um lado existe um respeito muito grande pelo espaço e individualidade de cada um, enquanto por outro é um país que se preocupa com a distribuição de renda e de oportunidades.

publié le 10/05/2016

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