Meus estudos na França - dezembro 2015

Uma vez por mês, apresentamos um breve encontro com brasileiros que estudaram na França, vindos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espirito Santo. Algumas perguntas, sempre as mesmas, nos permitem saber mais da experiência de quem saiu daqui para ir estudar nas universidades francesas.

Aline Martins: "Estudar na França significou intensidade, objetividade e diversão!"

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Aline tem 27 anos, ela estudou na Université Paris 8 (Vincennes-Saint-Denis), onde foi alocada no departamento de História, mas o programa de intercâmbio entre a Paris 8 e a UFRJ permitia a ela cursar disciplinas em vários departamentos. Assim, então, aproveitou a oportunidade para se aprofundar nos conhecimentos de História, Ciências Políticas, Français Langue Étrangère e Cinema.

Cidade de origem: Rondonópolis (MT), mas mora há 10 anos no Rio de Janeiro

Cidade de estudos na França: Saint-Denis

Por que você escolheu estudar na França?
Eu sempre quis ter uma experiência no exterior. E sempre nutri determinado fascínio pela França. Depois que comecei a estudar francês, minhas idealizações caíram por terra! Quando cheguei à metade da minha graduação, decidi ir estudar fora. Escolhi a França por questões objetivas: eu poderia melhorar meu francês, língua que já estudava, e não precisei fazer nenhuma prova de língua estrangeira para provar minha proficiência. De resto, era só fazer um imenso dossier! Comme d’habitude!

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Eu desembarquei no Charles de Gaulle em 1º de janeiro de 2009. Minha amiga foi me buscar no aeroporto ainda de ressaca. Meu apartamento provisório era em Montparnasse. Portanto, RER B até Denfert Rochereau, depois uma troca para a linha 6 até a Gare Montparnasse. Eu subi e desci muitas escadas, cheia de malas. Meu apartamento era no quinto andar de um edifício sem elevador. Nesse primeiro dia, eu senti calor, muito calor. Depois disso, percebi que sentia muito frio nos pés durante o inverno. E que sempre carregar o cabas do supermercado na bolsa foi um dos grandes conselhos da minha professora de francês, Annette Bordage Bessa.

Qual a sua maior lembrança da França?
Não sei dizer qual a maior, mas tenho lembranças incríveis da minha universidade, a Paris 8. Para o ano universitário de 2008-2009, a universidade festejava 40 anos. Era um momento de muita luta na França por conta das propostas de leis orçamentárias da Valérie Pécresse, à época à frente do Ministère de l’Enseignement Supérieur. E numa universidade como a Paris 8, festa significa luta! E eu vivi isso intensamente! Me lembro de aulas incríveis com a professora Emanuelle Sibeud; da polêmica disciplina de “Mitos e símbolos da história nacional” lecionada pelo professor Daniel Lefeuvre (que veio a falecer em 2013 vítima de um câncer) no contexto do Ministère de l’Immigration, de l’Intégration et de l’Identité Nationale, nas polêmicas comandadas por Brice Hortefeux et Éric Besson. Para esse curso, precisávamos ler toda a “Histoire de France” do Braudel. As aulas de Nicole Blondeau e Ferroudja Alouache estavam sempre lotadas e cheias de discussões literárias. Além das minhas memórias universitárias, lembro dos grandes amigos que fiz em Lyon e de todos os pique-niques no Quai du Rhône, dos amigos intercambistas de diversas origens e com os quais mantenho contato até hoje. De Paris, guardo minha acolhida no 3, Rue Brown Séquard, endereço no qual fui muito feliz, e das inúmeras vezes que tentei entrar na contramão na Rue des Carmes para chegar à biblioteca Saint-Geneviève mais rápido de Veli’b.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
A França se tornou uma segunda casa para mim! Falo da minha vivência nesse país sempre com muito carinho! Me sinto completamente a vontade em vários lugares porque posso reclamar sem parecer chata, discutir política jusqu’au bout, as mulheres têm um poder social muito maior do que no Brasil e tudo isso me soa muito familiar. Volto à França para visitar os amigos e saber dos novos lugares onde moram, se casaram, se tiveram filhos. Na minha colocation com um breton, uma normande e uma réunionaise (porque até então eu nunca tinha ouvido falar dessa ilha!) eu fiz uma família. Fiz amigos para a vida toda, fui acolhida como membro da família em alguns lugares. Aguardo ansiosamente os JO 2016 para receber a família inteira de uma das minhas antigas colocatrices.

Qual a sua atividade profissional?
Sou historiadora. Me graduei na UFRJ e hoje faço mestrado sobre patrimônio libanês na mesma universidade com a orientação do Prof. Murilo Sebe. Dou aulas de Français Langue Étrangère desde a formação que obtive na Alliance Française de Nova Friburgo entre os anos de 2010 e 2011. Me apaixonei pela profissão de professora dando aulas individuais de francês, sobretudo para amigos que querem estudar na França por conta de suas pesquisas.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Aprendi a me ouvir, a perceber meus limites. Foi morando sozinha que percebi coisas boas e ruins sobre mim mesma. Mas isso poderia ter acontecido em qualquer país! Acho que o que a França agregou a minha vida foi a possibilidade de viver tranquilamente, poder sair sem me preocupar em como voltar para casa! Acredito que a maioria dos franceses não sinta isso da mesma forma porque cresceram naquela realidade, mas para uma carioca, isso significa muito. Em Paris, eu me sentia plenamente livre!

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Intensa, Profunda, Divertida.

Três palavras para resumir o país?
Reclamação, Objetividade, “et moi, et moi, et moi”

Caroline Pires Ting: "Estudar na França significou cultura, diversidade e aprendizado!"

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Caroline tem 29 anos e passou quatro anos na França, onde obteve diversas graduações na área das Artes.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidades de estudos na França: Paris (Île-de-France) e Argenton-les-Vallées (Deux-Sèvres)

Por que você escolheu estudar na França?
Pela oportunidade de intercâmbio oferecida pela UFRJ, completei minha grade curricular em Paris e recebi a bolsa de fomento artístico e acadêmico da Fondation des Etats-Unis de Paris. A França conta com excelentes recursos acadêmicos: o Institut National d’Histoire de l’Art (INHA), as bibliotecas do Louvre e da École des Beaux-arts, a Biblioteca Nacional Francesa (BNF) e a biblioteca Jacques Doucet foram fundamentais para que eu realizasse minha pesquisa de tese.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
A princípio, eu fiquei impressionada com a beleza da cidade de Paris, pelos espaços arquitetônicos e museológicos e com a sua dinâmica transcultural. Esta constitui, através das suas universidades, um centro inovador na grande tradição da transmissão do conhecimento clássico e da cultura da humanidade.

Qual a sua maior lembrança da França?
Em concomitância às minhas obrigações de artista-residente da Fondation des Etats-Unis de Paris, tornei-me copista oficial dos museus do Louvre e do Petit-Palais - Musée des beaux-arts de la Ville de Paris. Para este último, realizei uma matéria em sua revista de belas artes, a respeito do métier de copista. Essa experiência foi tão enriquecedora quanto fundamental para meus projetos de doutorado ainda hoje. Também fui muito influenciada pelas técnicas dos artistas franceses do século XIX. Foi após minha estadia em Paris que, graças ao extenso aprendizado nas instituições, realizei uma pós-graduação na academia de artes mais renomada da Rússia, a Répina (ex-Academia Imperial de Belas Artes de São Petersburgo).

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Atualmente, preparo um duplo-doutorado em História da Arte: uma cotutela entre a UERJ e a EPHE-Sorbonne. Espero retornar em breve para realizar pesquisas acadêmicas.

Qual a sua atividade profissional?
Sou aluna de doutorado em História e Crítica da Arte, sob a direção da Profa. Dra. Vera Beatriz Siqueira, na UERJ. Também sou artista-plástica, realizando pinturas em estilo naturalista; minhas obras encontram-se em meu sítio www.carolinepiresting.com

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
A minha estadia na Cité-Universitaire, onde a Fondation des Etats-Unis de Paris está localizada, é um enorme complexo cultural, permitindo o intercâmbio de estudantes de diferentes nacionalidades. Como resultado, fiz amigos de culturas diversas e aprendi outros idiomas. A proximidade geográfica dos países na Europa também permitiu que eu expandisse meus horizontes culturais e aprofundasse meus estudos de outras línguas após ter consagrado um amplo conhecimento acadêmico na área da história e crítica das artes, bem como maior saber técnico da pintura realista.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Cultura, diversidade, aprendizado.

Três palavras para resumir o país?
Programa de intercâmbio cultural, universidades, conhecimento transdisciplinar.

Carolina Veiga Schueler: "Estudar na França significou cultura, respeito e organização!"

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Carolina fez seu mestrado em Direito Internacional e Europeu da Propriedade Intelectual no Centre d’Études Internationales de la Propriété Intellectuelle, que faz parte da Université de Strasbourg.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade de estudos na França: Strasbourg

Por que você escolheu estudar na França?
Estudei francês desde os meus 13 anos e sempre participei ativamente das atividades da Aliança Francesa de Nova Friburgo, minha cidade natal, recebendo estudantes franceses e suíços na minha casa. A paixão pela cultura da França se intensificou com o passar dos anos e decidi que pelo menos um tempo da minha vida eu moraria por lá. Felizmente, após me formar em Direito, consegui unir a possibilidade de concretizar meus planos estudando em um dos mais respeitados centros de estudo de Propriedade Intelectual da Europa !

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Eu já havia visitado a França algumas vezes por conta das atividades da Aliança Francesa, porém apenas morando é que pude realizar como de fato somos respeitados como cidadãos e as coisas realmente funcionam, apesar da burocracia costumeira. Além disso, me saltou aos olhos o quanto os jovens são engajados cultural e politicamente nos assuntos do país.

Qual a sua maior lembrança da França?
Meus melhores souvenirs serão certamente - e para sempre! - a beleza das construções, os parques e jardins cuidadosamente arrumados, a eficiência dos serviços, a fartura das livrarias e, é claro, a taça de vinho cotidiana e o cheiro das baguettes no caminho para casa!

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Meu vínculo será sempre sentimental e de admiração. Tenho amigas por lá e pretendo voltar sempre que possível, não só para treinar o Francês mas também para "respirar" um pouco de cultura.

Qual a sua atividade profissional?
Eu sou advogada.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Além do conhecimento das aulas do mestrado, estar na França me trouxe algo muito mais valioso que pode até parecer piegas. Aprendi que a felicidade está em coisas simples, nos momentos que muitas vezes nem vemos passar, como "prendre un p’tit café" com calma enquanto apreciamos um livro, olhando o vai e vem das pessoas. Isso é uma coisa que os franceses fazem muito bem: são sabiamente felizes com o que é simples.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Estudo (muito!), vinho e saudade

Três palavras para resumir o país?
Cultura, respeito e organização

André Buscácio de Sousa: "Estudar na França significou cultura, organização e coletivismo!"

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André tem 31 anos e fez mestrado em “International in European Business”, na École de Management de Strasbourg.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade de estudos na França: Strasbourg

Por que você escolheu estudar na França?
Escolhi a França por ela ser um dos centros da Europa e mais especificamente a cidade de Strasbourg por sua história, posicionamento geográfico e cultura.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
A primeira impressão foi estar de fato entrando em uma das capitais europeias. Na cidade era possível estar em contato com diversas culturas e povos, com objetivos semelhantes. Além disso, a infraestrutura e qualidade de vida da cidade são excelentes.

Qual a sua maior lembrança da França?
A cultura francesa é a maior e melhor lembrança que trouxe da França. Seja no censo de sociedade, no coletivismo, como nos aspectos artísticos e, claro, na excelente culinária.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Total. Apesar de ter retornado ao país, continuo com a mesma rotina de acompanhar o noticiário local, estudar a língua e, principalmente, manter contato com as pessoas que ainda estão por lá e que tive o prazer de conhecer nesse período.

Qual a sua atividade profissional?
Sou analista de investimentos, trabalhando com alocação de ativos financeiros.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
A experiência internacional é muito importante na formação de uma pessoa. Apesar de já ter outras formações acadêmicas antes, o período na França trouxe mais do que um diploma, mas sim uma nova forma de ver e relacionar com pessoas com costumes diferentes, além de uma visão de mundo mais ampla e moderna.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Fantástico, viver e mente aberta.

Três palavras para resumir o país?
Cultura, organização, coletivismo.

publié le 08/12/2015

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