Meus estudos na França - janeiro 2016

Uma vez por mês, apresentamos um breve encontro com brasileiros que estudaram na França, vindos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espirito Santo. Algumas perguntas, sempre as mesmas, nos permitem saber mais da experiência de quem saiu daqui para ir estudar nas universidades francesas.

Diana Freitas: "Estudar na França foi uma abertura para o mundo!"

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Diana tem 32 anos e estudou por 7 anos na França. Fez um Master em Sociologia Urbana na École des Hautes Études en Sciences Sociales, um pós-Master em Arquitetura e Filosofia na École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris La Villette.

Cidade de origem: Rio de Janeiro (RJ)

Cidade de estudos na França: Paris

Por que você escolheu estudar na França?
Porque eu já tinha conhecimento da língua, e sempre sonhei conhecer o país.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Meu primeiro apartamento era próximo à estação de metrô Chateau d’Eau, onde ficam muitos africanos e chineses, e onde tem muitos salões de beleza e muita gente na rua. Achei inusitado, pois não tinha ideia que tinham tantos imigrantes, parecia até difícil achar um parisiense na rua.

Qual a sua maior lembrança da França?
Em sete anos, as lembranças são inúmeras. Mas uma das coisas que sempre lembro é que, como eu morava em um dos subúrbios de Paris, sempre que saía à noite em Paris, eu devia pegar o ônibus da noite para voltar para casa. Mas como ele só passava de hora em hora, era preciso calcular bem a hora de sair da festa para ter certeza que iria pegá-lo. Mas apesar desse pequeno perrengue, a viagem era super segura mesmo para uma mulher sozinha.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Ao longo desse tempo, fiz muitos amigos. Meu namorado também é francês. Sempre procuro estar em contato com a língua, e tenho feito alguns amigos franceses aqui no Brasil também. Meu projeto é poder trabalhar em uma empresa francesa, que me possibilite esse vínculo profissional com a França.

Qual a sua atividade profissional?
Sou arquiteta e urbanista, mas como trabalhei alguns anos na Sephora, também atuo na área de maquiagem.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Acho que o mais importante foi uma abertura para o mundo. Primeiro pelo encontro com tantas pessoas diferentes, de tantas culturas distintas. Segundo, pela localização, e a facilidade de visitar outros países, o que é muito enriquecedor. Terceiro, porque foi uma época de muitas experiências, pessoais e profissionais, que me proporcionaram grande maturidade.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Experiências, aprendizado, diversão.

Três palavras para resumir o país?
Cultura, patrimônio, gastronomia.

Gustavo Kusdra: "Minha estadia na França abriu meus olhos para o mundo!"

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Gustavo tem 23 anos e estudou engenharia generalista na École Centrale de Nantes (ECN), em um intercâmbio de dupla diplomação por quase 3 anos, com direito a um curso de verão de francês intensivo no CAVILAM de Vichy, um estágio operário de 1 mês na refinaria da Total em Donges e um estágio engenheiro de 6 meses na direção regional da Veolia EAU em Nantes, além dos 4 semestres acadêmicos na ECN.

Cidade de origem: Rio de Janeiro (RJ)

Cidade de estudos na França: Nantes (Bretanha)

Por que você escolheu estudar na França?
Gosto de estudar linguas e ainda cedo comecei a aprender o francês, incentivado pela minha mãe e minha avó, o que fez com que desde criança eu já tivesse um certo vínculo com a França. Soube bem antes de entrar na UFRJ, através de amigos e, principalmente, de um primo, que existia esse programa de dupla diplomação e como já pensava em fazer engenharia lá muito anos antes de prestar o vestibular, graças a meu pai, acabei fantasiando durante muito tempo essa idéia de largar tudo e ir estudar na Europa. Por alguma razão misteriosa, esse pensamento me fascinava! O tempo passou, ingressei na UFRJ e quando abriu o edital do programa não havia dúvidas: eu precisava ir para lá! Felizmente tive êxito e pude viver essa experiência edificante que foi essa longa estadia além-mar.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Cheguei à França em julho de 2012, tendo partido completamente só do Brasil para perseguir meus sonhos de estudar na Europa e deixando para trás tudo e todos que conhecia. Caí de paraquedas no verão europeu em Vichy, rodeado por jovens de todos os cantos do planeta e da França e logo alí naquele primeiro momento experenciei uma sensação que me impressionou e que perdurou ao longo da minha estadia na França: a sensação de realmente perceber na prática o quão multifacetado é o nosso mundo, algo que eu não conseguia compreender muito bem até passar a morar numa casa com 7 pessoas de 6 nacionalidades diferentes e a conviver diariamente nas salas de aula e no meu tempo livre com gente de diversos locais do Brasil e do mundo. E essa primeira impressão veio fortemente acompanhada de uma percepção diária de 3 idéias chaves da sociedade francesa (liberdade, igualdade e fraternidade) e do esforço diplomático que eles fazem, quando lhes convém, para se abrirem ao mundo e para se fazerem notar nele.

Qual a sua maior lembrança da França?
Ah, são tantas! Mas com certeza o clima foi uma das coisas que mais me marcou.
Poder ver nitidamente as mudanças advindas com cada estação do ano foi algo realmente incrível: o humor das pessoas, a temperatura, a paisagem e sobretudo o nascer e o pôr do sol! Nunca me esquecerei de um dia no meu primeiro verão na Europa, quando acabara de sair de casa atrasado para encontrar uns amigos após o jantar e ao pegar o celular para avisar que não chegaria a tempo percebi que já eram quase 23h e o sol apenas começava a dar sinal de que estava partindo. Quando vi que horas eram e o quão forte o sol ainda brilhava no firmamento não pude fazer nada além de parar tudo, respirar fundo e admirar aquele efêmero e, até então, estranho momento que continuou a me fascinar todos os dias de verão que lá vivi.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Ainda mantenho um pouco de contato com alguns amigos franceses que estão espalhados pelo mundo, alguns inclusive aqui no Brasil e até mesmo no Rio de Janeiro. Também escuto músicas francesas diariamente e de vez em quando acabo lendo algo em francês na internet. Ao longo do intercâmbio fiz muitos amigos brasileiros, do norte ao sul do país, e com eles consegui manter mais contato.

Qual a sua atividade profissional?
Atualmente estou terminando minha graduação em Engenharia Química pela UFRJ.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Seria talvez mais fácil falar sobre o que ela não mudou! Minha estadia na França abriu meus olhos para o mundo e para a vida de tantas maneiras... considero que tive a oportunidade inesquecível de viver na prática uma espécie de grande Alegoria da Caverna ao longo do intercâmbio. Foi um período de intensa evolução e descobertas, recheado das mais diversas experiências possíveis! Tive um grande crescimento acadêmico, profissional e principalmente pessoal. Pratiquei várias linguas estrangeiras, conheci pessoas incríveis, visitei lugares famosos, aprendi as nuancias e tradições de diversas culturas, desconstrui preconceitos, experienciei aventuras mil, tornei-me mais independente, amadureci, estudei, trabalhei, explorei-me e vi de perto a pluralidade do mundo e, sobretudo, do Brasil. Errei muito, e algumas vezes bem feio, o que acabou contribuindo para deixar o saldo do intercâmbio ainda mais positivo!

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Aventuras, amizades e autoconhecimento.

Três palavras para resumir o país?
Gastronomia, tranquilidade e cultura.

Bolivar Torres: "Uma experiência transformadora!"

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Bolivar Torres é jornalista e tem hoje 34 anos. Ele estudou cinco anos do ensino fundamental na França, da terceira a oitava série. Primeiro na École Le Plan d’Alès e depois no Collège Alphonse Daudet

Cidade de origem: Porto Alegre (RS)

Cidade de estudos na França: Alès (Sul da França, próximo à Montpellier)

Por que você escolheu estudar na França?
Ainda criança, fui acompanhar meus pais, que se mudaram para Alès. Meu padrasto na época estava fazendo um doutorado em engenharia de minas.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Minha primeira impressão foi o frio. Lembro também que as cores eram diferentes, menos vibrantes. Cheguei no inverno e nunca tinha saído do Brasil antes.

Qual a sua maior lembrança da França?
As primaveras no sul da França foram inesquecíveis! Quando o ar começava a mudar, tudo ficava mais colorido: o verde das árvores e a paisagem do Cevennes deixavam o ambiente com um cheiro de pinho, alecrim e tomilho.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Hoje em dia sempre vou à França para fazer caminhadas. Como jornalista, entrevisto frequentemente personalidades francesas.

Qual a sua atividade profissional?
Jornalista.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Como fui muito jovem, acredito que sim. Foi uma experiência transformadora!

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Transformadora, feliz, curiosa.

Três palavras para resumir o país?
Interessante, desafiador, idealista.

João Pedro Montorfano: "Aprendi a a realizar planos e executá-los!"

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João Pedro estudou na École Centrale de Nantes por dois anos.

Cidade de origem: Rio de Janeiro (RJ)

Cidade de estudos na França: Nantes (região Pays de la Loire)

Por que você escolheu estudar na França?
Porque já era familiar à língua francesa, porque acreditava na qualidade do ensino francês, porque a França apresentava as melhores opções de intercâmbio no que se refere a tempo e bolsa.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Que as pessoas andavam muito depressa.

Qual a sua maior lembrança da França?
Da cidade de Nantes, do centro, do rio Erdre.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Acompanho da maneira que posso as notícias e ainda pretendo realizar uma pós-graduação no país.

Qual a sua atividade profissional?
Estudante de Engenharia Estrutural.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Na maneira como eu encaro problemas do dia-a-dia, tentando não me estressar tanto, que existem problemas diferentes em toda a parte. Em como eu aprendi a me virar, a realizar planos e executá-los sozinho, por fim, como, sem perceber, mantemos muitos preconceitos arraigados na nossa cabeça e que devemos sempre pensar em perdê-los.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Independência, conscientização, descoberta.

Três palavras para resumir o país?
Pain au chocolat, SNCF (sic), despreocupação.

publié le 05/02/2016

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