Meus estudos na França - junho 2015

Uma vez por mês, apresentamos um breve encontro com brasileiros que estudaram na França, vindos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espirito Santo. Algumas perguntas, sempre as mesmas, nos permitem saber mais da experiência de quem saiu daqui para ir estudar nas universidades francesas.

Fernando de Castro Fontainha: "Estudar na França significou aprendizado, contraste e amizades!"

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Fernando tem 37 anos, ele estudou durante 5 anos na cidade de Montpellier, a onde ele realizou seu doutorado em Ciência Política na Université de Montpellier 1.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade onde estudou na França: Montpellier

Por que você escolheu estudar na França?
Não foi uma escolha. Durante o mestrado aqui na UFF meu grupo de pesquisas trabalhava em convênio com a Université de Montpellier 1, e esta proximidade me abriu a oportunidade de prosseguir lá minha formação.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Um país muito mais multicultural do que eu imaginava.

Qual a sua maior lembrança da França?
O grau de integração e profissionalismo que encontrei no meio universitário.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Além de muitos colegas e amigos que ficaram, sou pesquisador associado do meu laboratório de origem, o CEPEL – Centre d’Études Politiques de l’Europe Latine, e participo de uma equipe de pesquisa financiada pelo Ministère de la Justice et des Libertés, liderada pela École Normale Superieure de Rennes.

Qual é a sua atividade profissional?
Sou professor e pesquisador na área de Sociologia do Direito.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
O mais chocante pra mim foi a relação dos franceses com a qualidade de vida. Do ponto de vista individual, descobri como a disciplina no trabalho na verdade é sentida como uma necessidade de separar e organizar a vida familiar, lúdica e os momentos de prazer e descontração. Do ponto de vista coletivo é impressionante ver o apego dos franceses à coisa pública, sentida como “de ninguém para ser de todos”, e aos serviços públicos, sentidos como direitos coletivos.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Aprendizado, contraste e amizades.

Três palavras que resumam o país?
"Les copains d’abord !"

Francisco Aimara: "Estudar na França significou amizade, respeito, admiração!"

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foto: Amy Choin

Francisco tem 30 anos, estudou língua francesa para estrangeiros na Université de La Rochelle por um semestre e frequentou o Master em História da mesma universidade durante outro semestre.

Cidade de origem: Brasília morando no Rio de Janeiro

Cidade onde estudou na França: Marseille quando pequeno, e La Rochelle, aos 22 anos

Por que você escolheu estudar na França?
Tenho afinidade com o país, meu pai morou muitos anos na França, onde fez seu Doutorado em Antropologia e conheceu sua segunda esposa, uma francesa. Quando jovem, fui aprimorar meu estudo de língua francesa e conhecer o ambiente acadêmico francês a convite do Professor Laurent Vidal da Université de La Rochelle, um amigo da família.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Estranhamento, como era de se esperar. O frio, a formalidade no trato entre as pessoas, a maneira de jogar futebol, causaram grande estranhamento no menino de dez anos que eu era. Anos mais tarde, quando voltei o estranhamento e a familiaridade misturavam-se já em mim. Parte de mim achava tudo estranho e outra parte reconhecia e admirava cada coisa.

Qual a sua maior lembrança da França?
Ah, tantas coisas, passeios ao cair da tarde no Vieux Port, em Marseille, com a minha avó, uma viagem ao Ardèche com meu pai e minha avó, esquiar nos Alpes, jogar bola com os amigos no parque onde um dia foi a muralha de La Rochelle, almoçar no jardim com minha amiga Magali e sua filha Juliette derrubada por Richelieu, andar de bicicleta com minha Peugeot azul, beber na Cave de La Guignette com os outros estudantes, se promener au bord de la Seine, comprar livros, sempre compro muitos livros na França.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Afetivo, tive grandes alegrias e algumas decepções ou em França ou relacionadas a ela. Não posso dizer que a derrota de 98 não esteja entre as decepções, mas definitivamente a baguette e o sol da primavera estão entre as alegrias. É uma parte muito importante da minha vida.

Qual é a sua atividade profissional?
Sou Professor e estudante de História.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Tudo, abriu o mundo como possibilidade na minha vida. Como dobrar uma esquina e encontrar o estranho, o diferente.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Amizade, respeito, admiração.

Três palavras que resumam o país?
Vive la France!

Roberta Layra Faragó Jardim: "Estudar na França significou experiência, emoção, crescimento!"

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Roberta tem 22 anos, ela estudou engenharia civil durante dois semestres, na Universidade do Havre, e realizou estágio de três meses e meio na cidade de Rouen.

Cidade de origem: Governador Valadares (MG)

Cidade onde estudou na França: Le Havre

Por que você escolheu estudar na França?
Já tinha proficiência na língua e já conhecia o país, uma vez que a língua e cultura francesa me fascinam.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Já havia morado na França em 2008 durante um ano, portanto meu retorno como bolsista em 2013 não poderia ser relatado como “primeira” impressão. Porém, uma característica que sempre me chamou a atenção desde o primeiro contato com os franceses é importância do “ser educado” para eles. Ao esbarrar (ou até mesmo encostar) em alguém um “Pardon” vem imediatamente; o tratamento na terceira pessoal do plural com qualquer um que não seja do seu convívio e muito próximo a você é praticamente obrigatório; as pessoas não fazem barulhos nos metrôs e trens, por exemplo, uma vez que o intuito é não incomodar quem está à sua volta; dentre outras muitas características que os tornam os reis da “politesse”.

Qual a sua maior lembrança da França?
Me lembro perfeitamente de uma cena já no final do meu intercâmbio, quando morava na cidade de Rouen e fazia frio há vários meses (o inverno na Normandia não é fácil). Como estava na Normandia dificilmente via o sol aparecer entre as nuvens. Neste dia porém, voltava do supermercado quando percebi que raios de sol apareciam em meio ao céu nublado de Rouen. Meu corpo sentia tanta falta de “tomar um sol” (sou brasileira não é?), que quando percebi já estava estirada na grama mais próxima a mim e arregaçando as mangas do casaco só para sentir um pouquinho desse calor que há muito tempo não sentia. Achei a cena extremamente engraçada e rendeu muitas risadas entre os próprios amigos franceses.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Mantenho contato com vários amigos e estou me preparando para, posteriormente, retornar como bolsista de Mestrado.

Qual é a sua atividade profissional?
Ainda sou estudante e estou no sétimo período da Engenharia Civil.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
As “dificuldades” com a língua e a cultura ao resolver problemas cotidianos me fizeram amadurecer de tal forma, que não conseguiria imaginar como eu viveria hoje sem essa experiência.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Conhecimento, cultura, crescimento.

Três palavras que resumam o país?
Cultura, beleza, único.

Matheus Vieira Moreira: "Estudar na França significou superação, amizade e maturidade!"

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Matheus tem 24 anos, estudou durante 8 meses Energia e Processos (Énergie et Procédés) na École des Mines de Saint-Étienne.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade onde estudou na França: Saint-Étienne

Por que você escolheu estudar na França?
Escolhi morar na França motivado pela identificação com a cultura francesa desde pequeno, tendo início com o aprendizado da língua francesa ao longo de quase todo o ensino fundamental e médio. Ao ser aceito no programa Brafitec da Capes no primeiro semestre de 2011, pude finalmente concretizar esse sonho.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Minha primeira impressão quando cheguei na França foi a quantidade de sanduíches prontos nos balcões das padarias, além das formules. Outra impressão foi a “diferença de escala” entre uma cidade como Saint-Etienne e o Rio: Número de pessoas, trânsito, distâncias, etc.

Qual a sua maior lembrança da França?
Minha maior lembrança são os bons momentos com os amigos que formei lá. Até hoje, sempre que possível, tentamos nos reunir e claro, algumas histórias são sempre lembradas.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Dois são meus maiores vínculos com a França. Um deles é a língua francesa, com a qual tento sempre manter contato, seja por filmes, televisão, jornais eletrônicos; meu outro grande vínculo – o maior deles, é claro... – é minha namorada, que foi selecionada para um programa de mestrado na Foundation Renault e embarca no segundo semestre para França!

Qual é a sua atividade profissional?
Sou engenheiro de petróleo, tendo trabalhado como engenheiro de perfuração na Noruega durante um ano e meio. Além disso, sou estudante de mestrado em Engenharia Mecânica na COPPE/UFRJ.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Minha percepção de que é fundamental sairmos de nossa zona de conforto, de como é diferente nosso grau civismo e de quanto ainda precisamos trabalhar para combater nossos problemas sociais – e de que 20ºC não é frio!

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Superação, amizade e maturidade.

Três palavras que resumam o país?
“Bleu, Blanc et Rouge”.

publié le 07/07/2015

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