Meus estudos na França - maio 2015

Uma vez por mês, apresentamos um breve encontro com brasileiros que estudaram na França, vindos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espirito Santo. Algumas perguntas, sempre as mesmas, nos permitem saber mais da experiência de quem saiu daqui para ir estudar nas universidades francesas.

Julia Mota: "Estudar na França significou conhecimento, cultura, crescimento!"

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Julia tem 45 anos, estudou durante 4 anos o direito na Université d’Aix-Marseille III.

Cidade de origem: Goiânia

Cidade onde estudou na França: Aix-en-Provence

Por que você escolheu estudar na França?
Eu já havia morado na França durante um ano, fazendo um intercâmbio, foi quando aprendi o idioma e conheci a cultura francesa. Depois procurei conciliar a meta de estudar direito internacional com a vontade de passar mais tempo na França.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Morei inicialmente na Borgonha, quando eu tinha 18 anos, com uma família francesa. Frequentei o Liceu de Nevers, em Nièvre. Lembro que ao caminhar pela primeira vez pela rua principal de Nevers, só de pedestres, tive a impressão de estar dentro de um shopping- center. Era tudo muito limpo, bonito e organizado, dava uma sensação de segurança.

Qual a sua maior lembrança da França?
Paris, claro! Uma cidade que eu amo de paixão, por sua beleza, a arquitetura, o charme, os cafés, as boulangeries, as livrarias, a música, a cultura em geral, o metrô que é tão prático, enfim, mil coisas de lá que eu adoro.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Mantenho contato com a família da casa onde eu morei, com alguns amigos da universidade, e tenho clientes franceses.

Qual é a sua atividade profissional?
Sou advogada e atuo na área de investimentos estrangeiros no Brasil.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Essa experiência me deu uma visão diferente do mundo e das pessoas. Hoje eu tenho uma compreensão das coisas a partir de outro prisma: sou brasileira, mas conheço a mentalidade de outra cultura, que tem uma história bem diferente da nossa. Além disso, o domínio do idioma francês foi muito importante para o desenvolvimento de minha carreira como advogada internacional, e me abre portas que o inglês somente não abriria.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Conhecimento, cultura, crescimento

Três palavras que resumam o país?
História, gastronomia, charme

Diana Vasco: "Estudar na França significou cultura, paixão, aprendizado!"

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Diana tem 28 anos, estudou Arquitetura na École Nationale Supérieure d´Architecture de Bretagne por dois anos.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade onde estudou na França: Rennes

Por que você escolheu estudar na França?
Eu tinha esse sonho havia muitos anos, desde que comecei a aprender francês, aos 12 anos. Imaginava que eu faria um intercâmbio pela escola, mas nunca tive essa oportunidade. Já na faculdade, uma das primeiras palestras que tivemos foi sobre intercâmbio, e a partir dali eu tive certeza que queria ir estudar na França.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Ao contrário dos clichês e preconceitos que existem sobre os Franceses, encontrei um povo muito hospitaleiro. Fui recebida assim que cheguei na França por minha antiga colega de quarto, que me levou à casa dos pais delas, que também me receberam muito bem, com uma deliciosa refeição francesa e com uma hospitalidade, uma gentileza que são desconhecidas dos estrangeiros, principalmente dos brasileiros.

Qual a sua maior lembrança da França?
Tenho muitas, e todas tem a ver com a hospitalidade da qual falei. Visitei várias cidades francesas, e em algumas delas fiquei em casa de amigos da França, às vezes com as famílias deles. É uma cultura diferente, onde se recebe as pessoas em casa, ao contrário do Brasil. Acho que no Brasil as relações são mais superficiais, não existe esse acolhimento mais pessoal. As pessoas são amigas da porta da rua para fora, mas não te convidam para jantar, nem te chamam para dormir na casa delas.

Além disso, tive que fazer uma cirurgia e recebi todo o apoio médico, psicológico e de amigos. Desde o hospital, até a minha casa. A minha família estava com medo que eu fosse ser operada tão longe, sem a presença familiar, mas no fim vimos que foi a melhor coisa que eu fiz, pois tive todo tipo de apoio e acabei ficando muito pouco tempo sozinha. Lá, me ajudaram de todas as maneiras, profissionais e pessoais, e eu tive sempre um amigo do meu lado. Nunca vou me esquecer disso, porque tive o que eu mais precisava.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Meu vínculo com a França se mantém. Fui para lá em 2009/ 2010 e voltei para o Brasil, retornando à França em 2013. Nesse meio tempo, mantive as amizades e procurei ficar sempre ligada à cultura francesa, por meio de músicas, filmes e livros. Fui voluntaria para ajudar na recepção dos alunos estrangeiros, na faculdade que eu cursava no Rio de Janeiro, por já ter passado pela mesma experiência. Acabei me aproximando mais dos franceses, com quem trabalhei na faculdade e com quem fiz amizades. Guardo certas amizades até hoje, e tenho planos de retornar à França em breve. Também escrevo um blog e uma página sobre os eventos franceses no Brasil, sobre a cultura francesa e sobre a minha experiência por lá.

Qual é a sua atividade profissional?
Além do vínculo no qual falei, tenho um vínculo profissional. Atualmente sou professora de francês. Essa ocupação me obriga a pesquisar e a me atualizar, aprendendo um pouco mais a cada dia, além de me aproximar cada vez mais da França.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Minha estadia me fez ter outra visão do mundo, me fez estar mais aberta para as situações, me fez aprender a me virar, já que foi a primeira vez que morei longe da família, em um país estrangeiro e falando outra língua. Tive contato com essa cultura tão rica e apaixonante que é a cultura francesa, em todos os sentidos. Passei a ser mais corajosa, a encarar as situações de frente. Tive a oportunidade de morar com pessoas diferentes, e isso me fez aprender a ser mais tolerante também.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Cultura, paixão, aprendizado.

Três palavras que resumam o país?
Hospitalidade, gentileza e generosidade.

Esther Batista Bastos: "Estudar na França significou amadurecimento, conhecimento e coragem!"

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Esther tem 28 anos, estudou seis meses Direito, Relações Internacionais e Letras na Université Paris X (Nanterre).

Cidade de origem: Nova Friburgo

Cidade onde estudou na França: Nanterre (Île-de-France

Por que você escolheu estudar na França?
Eu sempre quis fazer um intercâmbio internacional, e quando eu estava estudando Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF), soube que a minha universidade tinha um programa de intercâmbio que concedia cinco bolsas por semestre. Na época, eu cursava uma disciplina eletiva na Faculdade de Letras Francês-Português e me interessei pelo idioma. A UFF tinha um acordo bilateral com universidades de vários países. Isso me fez pesquisar sobre os lugares, e decidi me candidatar a ir para a França, embora estudasse francês há pouco tempo. Fui selecionada, e ganhei uma das cinco bolsas de estudos! Foi maravilhoso!

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Meus primeiros dias foram difíceis: o computador não funcionava, o celular não funcionava, eu me perdia no metrô e no trem, não conhecia ninguém e não entendia direito o que as pessoas falavam, porque na região parisiense as pessoas falam muito depressa. Achei que não fosse aguentar, mas esse período de adaptação passou bem rápido, eu me acostumei com o ritmo da língua, fiz novos amigos e pude ver como Paris é linda, com os seus prédios antigos, os museus e os parques floridos!

Qual a sua maior lembrança da França?
Guardo uma boa lembrança dos almoços com meus amigos no restaurante universitário da estação Port Royal, seguidos de agradáveis momentos nos Jardins du Luxembourg, que ficam perto dali. Voltei tantas vezes ao Luxembourg, que decidi adotá-lo como o meu jardim! Anos mais tarde, eu li uma matéria que mostrava vários jardins do mundo e dizia assim: “todo mundo tem que ter um jardim para chamar de seu” e pensei: eu tenho o meu!

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Mantenho amizade com as pessoas que estudaram lá na mesma época que eu. Também mantenho contato com o pessoal da Igreja Batista de Nanterre e me lembro deles com muito carinho, inclusive gravei um vídeo para tentar mandar algum consolo, quando ocorreu aquele momento triste do ataque ao Jornal Charlie Hebdo. A língua francesa é para mim um bem precioso, e eu me tornei fluente. A língua é uma parte importante da cultura de um povo, e o fato de poder me comunicar em outras línguas me torna um pouco parte desta nação.

Qual é a sua atividade profissional?
Sou advogada e trabalho atualmente em uma empresa americana, em São Paulo.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
Ter morado na França me fez enxergar a vida de uma forma mais corajosa e simples. Entendi que o mundo não é tão grande assim! Conviver com pessoas de várias nacionalidades durante um tempo me ensinou que as pessoas são iguais, independentemente da sua origem: são pessoas! Hoje eu me sinto como uma pessoa que pertence ao mundo, não sou só brasileira, sou uma cidadã do mundo.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Amadurecimento, conhecimento e coragem.

Três palavras que resumam o país?
Beleza, história e sonho.

Suelen Lopes: "Estudar na França significou amor, crescimento, viagem!"

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Suelen tem 26 anos, estudou Letras modernas na Univesité Paris 3 (Sorbonne-Nouvelle), por 6 meses.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade onde estudou na França: Paris

Por que você escolheu estudar na França?
Eu me apaixonei pela França aos 12 anos, quando comecei a ter aulas de francês na escola. Desde então, passei a pesquisar e estudar a cultura francesa por conta própria. Lia livros, ouvia músicas e assistia a filmes em francês. Aos 17 anos, entrei para a Aliança Francesa. Quando terminei o curso, com 20 anos, eu cursava Comunicação Social na UFRJ, e lá surgiu a oportunidade de fazer um intercâmbio acadêmico. Não tive dúvida sobre o destino. Eu tinha que ir para a França, era uma questão pessoal. De qualquer maneira, recomento a experiência a qualquer pessoa, mesmo que não tenha um envolvimento com a cultura francesa, como eu tinha.

Qual foi a sua primeira impressão quando chegou na França?
Quando fui para a França, eu nunca tinha viajado de avião, então foi tudo muito novo desde o começo. Eu me lembro de ter ficado desesperada quando sai do aeroporto Charles de Gaulle, porque não conseguia entender nada do que as pessoas falavam no trem. Falavam rápido demais e eu fiquei achando que todos aqueles anos estudando francês tinham sido inúteis. Mas depois eu logo percebi que era só ansiedade e estranhamento. Aos poucos o meu ouvido foi se acostumando, e no mesmo dia ficou tudo ótimo.

Qual a sua maior lembrança da França?
Vivi muitas coisas legais em Paris, que com certeza vou carregar comigo para o resto da vida. Eu diria que a minha maior lembrança é das duas crianças francesas com quem convivi lá. Na época, elas tinham nove e seis anos. Eu trabalhei como babá, para juntar dinheiro e poder viajar pela Europa. Essa experiência me acrescentou muito pessoalmente; com certeza foram as pessoas com quem eu mais aprendi sobre a cultura e sobre a língua francesa, mais até do que na universidade. Convivendo com uma família francesa, tive experiências e adquiri conhecimentos muito interessantes, que não se ensina na escola. Quando se está disposto a participar e respeitar as diferenças culturais, toda experiência é muito enriquecedora. A família – e principalmente as crianças – eram muito afetuosa. Até hoje, cinco anos depois, eu me recordo delas em várias ocasiões.

Hoje qual o seu vínculo com a França?
Meu atual vínculo com a França continua sendo cultural. Tento acompanhar os lançamentos literários, os filmes e as músicas que fazem sucesso por lá. É claro que com a distância, não consigo ficar sabendo de tudo, e nem sempre tenho tempo de pesquisar o que está acontecendo, mas procuro não perder esse vínculo. É algo que sempre teve um espaço na minha vida, e que sempre o terá.

Qual é a sua atividade profissional?
Cursei Comunicação Social com habilitação à Produção Editorial, na Escola de Comunicação da UFRJ. Hoje trabalho com edição de livros no departamento de ficção estrangeira de uma editora do Rio de Janeiro.

Em que a sua estadia na França mudou a sua vida?
A minha estadia por lá foi muito enriquecedora. Começando por ter que morar sozinha, longe dos meus pais, e ter que aprender a lidar com situações que a gente nem se dá conta até precisar ou se deparar com elas. Também foi muito importante para mim, conhecer a vida cotidiana em outro país – pelo bem e pelo mal. Morar na França me fez aprender a amar o presente, mais do que eu podia entender naquela época. Passei a conhecer o sentimento e a sensação de se ter um sonho realizado – coisa que acontece poucas vezes ao longo de uma vida.

Três palavras que resumam sua experiência lá?
Amor, crescimento, viagem.

Três palavras que resumam o país?
Cultura, désolé, queijo.

publié le 26/05/2015

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