Meus estudos na França - novembro 2015

Uma vez por mês apresentamos um breve encontro com brasileiros que estudaram na França, vindos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espirito Santo. Algumas perguntas, sempre as mesmas, nos permitem saber mais da experiência de quem saiu daqui para ir estudar nas universidades francesas.

Marcela Wolff: "Estudar na França significou experiência, crescimento e respeito!"

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Marcela cursou um programa de mestrado em Grenoble, capital do departamento do Isère, além de ser uma das maiores cidades universitárias da França e ter diversos laboratórios de pesquisa e tecnologia!

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade de estudos na França: Grenoble

Por que você escolheu estudar na França?
Eu cursei um programa de mestrado que incluiu minha passagem por três países, Alemanha, França e Estados Unidos. Grenoble, capital do departamento do Isère, foi a segunda etapa do programa de mestrado que cursei, e foi uma experiência enriquecedora. Além de ser uma das maiores cidades universitárias da França, e ter diversos laboratórios de pesquisa e tecnologia, Grenoble tem uma beleza natural única.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
A vida universitária como um todo. Desde a cidade universitária, passando pela postura política dos estudantes até a paisagem ao redor. Foi uma experiência muito rica e que com certeza, me alimentarei dessa experiência por toda minha vida.

Qual a sua maior lembrança da França?
As montanhas nevadas de Belledone que rodeavam o campus universitário em pleno verão. Foi interessante ver como a paisagem ao redor influencia no dia-a-dia das pessoas. Entre idas e vindas pelo campus, estudantes passeavam com seus skis nas costas, encontrando no esporte, motivação para os estudos.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Durante meus estudos na França, estagiei no laboratório de pesquisa G-SCOP (Sciences pour la conception, l’Optimisation et la Production) e aprendi coisas que até hoje utilizo na minha vida profissional. Tive oportunidade de trabalhar com tecnologia avançada e orientadores muito competentes. Além disso, qualquer contato com a cultura francesa, me faz resgatar meu vínculo com a França.

Qual a sua atividade profissional?
Consultora de User Experience na área de Tecnologia da Informação

No quê sua estadia na França mudou sua vida?

O senso de sociedade do cidadão francês. Desde mais novos, os franceses se envolvem em questões políticas e desenvolvem a participação ativa na construção de uma sociedade justa. Eu observava que isso se manifestava não apenas na política, mas também nas relações entre as pessoas. Admiro esses valores e procuro levar comigo para aonde eu vou.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Experiência, crescimento e voilà.

Três palavras para resumir o país?
Sociedade, conhecimento e respeito.

Natalia Duz Hass: "Estudar na França significou conhecimento, intensidade e superação!"

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Natalia tem 22 anos, ela estudou engenharia mecânica no INSA de Lyon.

Cidade de origem: Porto Ferreira (SP), morando em Campinas (SP)

Cidade de estudos na França: Lyon

Cidade de estágio na França: Grenoble

Por que você escolheu estudar na França?
Com a oportunidade de um intercâmbio oferecida pela minha universidade, a Europa se destacava entre os destinos propostos. Entre eles, a França possui suas vantagens, como uma intrigante história e cultura, uma bela língua e uma ótima qualidade de vida e das universidades. Além disso, uma convenção entre minha universidade no Brasil e minha universidade na França me proporia não só um intercâmbio, mas um duplo diploma. Isso me possibilitaria um desenvolvimento profissional e pessoal muito maior, visto que a duração seria de não um, mas dois anos no país.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Minha primeira impressão ao chegar na França foi que a cidade de Lyon estava vazia. Como cheguei em agosto, várias lojas estavam fechadas numa quarta-feira à tarde e vários serviços não funcionavam. O país estava realmente de férias. Isso reflete o fato de que os franceses sabem aproveitar mais a vida, estão interessados com seu bem-estar, com o lazer e se deixam guiar menos pelo capitalismo.
A segunda impressão e que fica muito evidente nos supermercados e nas refeições dos franceses é que eles amam iogurte, queijo e vinho. Eles existem em uma variedade enorme nos supermercados e com preços muito inferiores comparados ao Brasil.

Qual a sua maior lembrança da França?
No primeiro mês de estágio, fui morar no campo, num quarto nos fundos da casa de um senhorzinho. Morava numa região muito conhecida pelo cultivo de noz. Ao sair para trabalhar, passava pela criação de vacas leiteiras cujo leite era destinado a produção do famoso queijo da região. Passava pelos campos dourados de trigo, as vastas terras de nogueira e esperava a cancela abrir depois do trem passar. Pude ir à apresentação de coral na igreja da cidade onde o senhorzinho cantava e as grutas nas montanhas. Foi uma verdadeira imersão.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Hoje ainda moro na França porque faço meu estágio de final da graduação.

Qual a sua atividade profissional?
Estudante e estagiária.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Minha estadia na França me mostrou a responsabilidade que tenho sobre tudo em minha vida. Apesar de termos pessoas próximas que nos auxiliam, as escolhas cabem à nós e somos completamente responsáveis por elas. Foi um verdadeiro amadurecimento. Além disso, hoje vejo belezas no meu país que não via antes, e posso dizer que valorizo mais certas coisas que só estão presentes nele.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Conhecimento, intensidade e superação.

Três palavras para resumir o país?
Bem-estar, cordialidade e cultura.

Ana Luiza Grillo Balassiano: "Estudar na França significou flexibilidade, conhecimento, alteridade!"

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Ana Luiza estudou Arquitetura nos anos 70 e, em 2010, quando fazia doutorado em pesquisa, teve a oportunidade de ir para Paris aprimorar seus estudos.

Cidade de origem: Rio de Janeiro

Cidade de estudos na França: Paris

Por que você escolheu estudar na França?
Quando eu estava na Faculdade de Arquitetura – na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), eu desejava estudar no exterior, em particular na França. Porém, no contexto brasileiro dos anos 70 a universidade brasileira não estava aberta às trocas internacionais como hoje, sobretudo para as graduações. E eu, como aluna da Aliança Francesa, que vivenciava um espaço internacional de formação, não perdi a vontade de ir estudar na França. Viver numa outra cultura, o processo de interculturalidade representa um espaço-tempo de formação profissional e pessoal fundamental no contexto atual de mundialização. E a França era um lugar que eu desejava vivenciar, por todo seu processo histórico, político, social e cultural. Então, foi no momento do doutorado, da pesquisa com olhar cruzado (França e Brasil), que me foi possível estudar na França, em Paris.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Eu já conhecia Paris e outras cidades, mas sempre como turista. Chegar à França, em Paris, para estudar foi outra situação e outro tempo. No ano de 2010 com uma bolsa do Brasil, do Programa da CAPES, eu fui com minha filha que tinha na época doze anos. Desse modo, eu vivenciei não somente a vida universitária, de estudante, mas também a experiência materna, com toda a complexidade que ela guarda. A sensação que mais me tocou foi a de acolhida e respeito nos espaços públicos (fossem Instituições ou espaços públicos da cidade).

Qual a sua maior lembrança da França?
Não é possível responder com uma única lembrança, mas vou contar o que sinto falta depois de meu retorno ao Brasil. A liberdade de “flanar” na rua, de me sentar num jardim, numa praça para ler um livro, descansar, para fazer anotações ou somente para passar o tempo... De ir sempre a uma biblioteca, não importando o bairro que estivesse para ler um livro, escolher um jornal ou até mesmo procurar um bom vídeo. Não se fica sozinho nas ruas de Paris, a cidade nos convida a andar, visitar e conhecer outras tantas culturas.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
Atualmente, minha relação com a França se faz pelo grupo de pesquisa EXPERICE da Universidade de Paris 13/ Sorbonne Paris Cité, e em particular com a coordenadora - Professora Cristine Delory-Momberger.

Qual a sua atividade profissional?
Eu sou pesquisadora em Ciências da Educação no grupo Educação e República (PROPED/Edu/UERJ) e trabalho com a organização de Centros de Documentação e Memória Escolar, em particular com o CDM do Liceu Franco-Brasileiro.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
A experiência internacional de viver em outro lugar, com outras identidades e pertencimentos é um exercício que corrobora para um olhar sobre os outros e sobre nós mesmos. Viver essa experiência é um fazer-agir bastante forte, que nos inscreve numa identidade cruzada; os lugares não são somente lugares de estudo, de história geral, mas são, sobretudo, nossos próprios lugares. Viver na Europa e em particular em Paris, me deu a experiência de conhecer outras realidades e de melhor compreender a história cruzada da circulação dos indivíduos em um contexto sócio histórico, político e cultural relacionado a múltiplos outros contextos, numa perspectiva histórica. Assim, toda essa experiência vivida faz parte de meu percurso existencial.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Flexibilidade, conhecimento, alteridade.

Três palavras para resumir o país?
Respeito, diversidade, cultura.

Mariana Freitas Alvim: "Estudar na França significou cultura, comida e lembranças!"

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Mariana tem 24 anos e estudou na Université Stendhal- Grenoble 3.

Cidade de origem: Niterói, RJ

Cidade de estudos na França: Grenoble

Por que você escolheu estudar na França?
Estudei na Aliança Francesa por mais de 4 anos e lá, além de ter contato com a língua francesa, tive também com a cultura. Por isso, escolhi estudar no país, para ter maior proximidade com estes aprendizados.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à França?
Já havia visitado a França quando tinha 7 anos, mas não lembrava de muita coisa. Senti uma coisa muito boa ao chegar para meus estudos em Grenoble. O dia estava bonito, vi muitos estudantes andando de bicicleta e achei a cidade, ainda à primeira vista, linda. Ah, e só de começar a escutar a língua francesa ainda no aeroporto de Paris me deixou muito satisfeita, amo sua sonoridade!

Qual a sua maior lembrança da França?
Muito difícil responder isso, mas acho que visitar construções históricas como a cidade murada de Avignon.

Hoje, qual o seu vínculo com a França?
O vínculo é bastante sentimental. O que ficou como contato efetivo com a cultura francesa foram alguns hábitos alimentares (sobretudo a apreciação de queijos e vinhos!), a leitura de notícias relacionadas ao país e os youtubers franceses aos quais assisto, como Cyprien e Norman Fait des Videos.

Qual a sua atividade profissional?
Sou repórter no jornal O Globo.

No quê sua estadia na França mudou sua vida?
Mudou principalmente no meu enriquecimento cultural, pois entrei em contato na faculdade, por exemplo, com o cinema de Godard, além das muitas cidades, museus e etc que visitei. Acho que mudou também minha perspectiva do que pode ser uma cidade, pois Grenoble, muito diferente da realidade brasileira, oferece uma ampla e diversa estrutura de transportes, cultura e etc.

Três palavras para resumir sua experiência lá?
Cultura, comida e lembranças.

Três palavras para resumir o país?
Diversidade, beleza e cultura.

publié le 10/11/2015

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