Os Franceses do Rio - Dezembro 2015 - especial artistas

Todo mês, apresentamos a vocês um rápido encontro com Franceses que decidiram vir morar no Rio. Algumas perguntas, sempre as mesmas, traçam os seus perfis e permitem que conheçamos nossa comunidade um pouco mais.

Priscilla Telmon & Vincent Moon : "A cidade do Rio é encantadora, caótica e plural!"

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Os cineastas Priscilla Telmon e Vincent Moon, ambos com 36 anos, estão morando no Rio há um ano e meio. Vieram para rodar o longa metragem “Híbridos” e fazer uma exposição sobre a religiosidade no Brasil.

Cidade natal: Paris

Bairro do Rio: Santa Teresa

Por que você escolheu o Rio?
Nessa aventura, nossa base é no Rio. Estamos viajando há um ano e meio, filmando pelo Brasil, e cada vez que temos uma pausa ficamos felizes de poder voltar para a nossa casinha em Santa Teresa, onde mergulhamos no processo de montagem do filme. Santa Teresa é como se fosse uma cidade do interior, é muito agradável.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Para nós, o Brasil é gentil, esperto, eloquente, espiritual, forte na dialética. O Brasil é o único país do mundo onde os homens de todas as cores se amam e não se odeiam. É um país jovem que tem cicatrizes, por ter sofrido todo tipo de opressão, injustiça e pobreza, mas que assim mesmo não desiste. Por isso tem uma historia de heroísmo que nos fascina. Estamos lutando contra a imagem de violência que lhe é dada. O Brasil faz muito barulho, como se tivesse medo do silencio, como se precisasse de muita festa e muito carnaval para esquecer as dificuldades da vida. Não sabemos se ele encontrou a felicidade, mas sabemos que ele dá aos seus habitantes a vontade de serem felizes.

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
Somos cineastas e entramos nessa aventura de modo independente. Já fizemos mais de cem filmagens pelo Brasil sobre o sincretismo religioso e os diferentes tipos de manifestações espirituais e místicas. Filmamos desde o famoso Candomblé, que é um ritual afro-brasileiro, às curas feitas por médiums espíritas, até o Santo Daime e os novos rituais da planta sagrada ayahuasca. HIBRIDOS desvenda os laços de irmandade que existem entre curandeiros, médicos espirituais, chamãs, místicos, os Pais de Santo e seus devotos, discípulos e iniciados. Esses rituais e cultos são uma expressão profunda da alma brasileira, do canibalismo cultural que construiu esse “país laboratório”. A intenção do filme é compartilhar os questionamentos essenciais de cada um e revelar essa descoberta fundamental de uma forma que possa nos ajudar a compreender nossas razões de viver e de morrer. (Para acompanhar a aventura Hibridos: www.hibridos.cc )

O que foi que o Rio mudou em você?
Nós estamos viajando há vários anos, chegamos de uma Europa meio cinza, esvaziada, desgovernada. O Brasil apareceu todo colorido, apesar de suas injustiças, sua miséria e suas sombras. Da primeira vez que amanhecemos no arpoador, depois de ter passado a noite sem dormis, ficamos olhando a praia, o sol e o mar, o dourado e o azul, chegamos à conclusão que estávamos vendo a verdadeira beleza das coisas. O Rio nos deu a noção de termos a natureza dentro da cidade, a simplicidade de Ser e Estar em contato com os outros, a sensação de sermos brasileiros entre os brasileiros, desde o primeiro dia. O Brasil nos dá todo dia a possibilidade de realizarmos o nosso tão sonhado filme Híbridos e de comemorar os seus mistérios.

O que significa ser Carioca, para você?
É dançar com a metamorfose permanente da cidade e com o seu caos, onde tudo é possível.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Existem tantos lugares mágicos no Rio, como escolher um ? Da Floresta da Tijuca ao Morro Dois Irmãos, do Barzinho de Cachaça de Jambu na Lapa ao Bar do Tino no Morro dos Prazeres… Nós adoramos Santa Teresa, os artistas, os amigos que moram lá, o bairro é uma espécie de cidadezinha. A casa onde nós moramos fica lá no alto, no meio das arvores, com uma vista para a Baia de Guanabara. A casa está sempre aberta ao vento, aos amigos, aos jantares, aos passarinhos...

O Rio em três palavras:
Encantadora, caótica, plural.


Clara Linhart : "O Rio é Natureza, Obras, Casa!"

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Clara tem 38 anos e mora no Rio há 32 anos. Diretora e produtora de documentários, ela adora o Parque Lage.

Cidade natal : Paris

Bairro do Rio: Jardim Botânico

Por que você escolheu o Rio?
Eu não escolhi o Rio. Eu vim para cá quando tinha 6 anos, com a minha mãe Ana Maria Galano, que era brasileira. Ela foi exilada politica na França e resolveu voltar depois da anistia, em 1984.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Eu fiquei muito chocada com a miséria, eu chorava quando via crianças largadas pelas ruas. Em 1984, em Paris, dificilmente víamos crianças muito pobres. Infelizmente, hoje em dia isso acontece com frequência.

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
Eu sou diretora de documentários, assistente de direção de filmes de ficção, e produtora de cinema.

O que foi que o Rio mudou em você?
Às vezes eu tento imaginar o que eu seria se não tivesse saído da França. Provavelmente eu estaria trabalhando com cinema também, como o meu irmão e a minha irmã, que moram em Paris. Talvez eu fosse menos flexível e mais exigente em relação às pessoas e aos serviços.

O que significa ser Carioca, para você?
Ser carioca é viver numa das cidades mais bonitas do mundo, é poder ir à praia quase todo fim de semana, ir à cachoeira a pé, é conhecer um monte de gente legal nas ruas por onde eu passo, é saber que eu só ando em 20% da cidade, e que do outro lado do túnel Rebouças, fora da zona sul, acontecem grandes injustiças e há uma violência louca. Ser uma carioca de classe média alta é ter uma fantástica capacidade de abstração para poder ficar leve e levar uma vida agradável à beira mar.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Eu adoro o Parque Lage, que fica dentro da mata e tem aquela linda casa de pedra do século XIX, aos pés da estatua do Cristo. La dentro há um café e a escola de Belas Artes, o ambiente é fantástico e muito democrático, já que a entrada é grátis. Além disso, lá foram rodados os filmes Macunaíma de Joaquim Pedro de Andrade e Terra em Transe de Glauber Rocha, entre outros.

O Rio em três palavras:
Natureza, obras, casa.


Vincent Rosenblatt : "O Rio é caos, desejo, catarse!"

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Vincent tem 43 anos e mora no Rio há 13. Fundou na década de 2000 o projeto fotográfico pioneiro “Olhares do Morro”, Vincent é o autor de ensaios fotográficos impactantes como “Rio Baile Funk” e “Bate-Bola, Carnaval Secreto”.

Cidade natal: Paris

Bairro do Rio: Gloria

Por que você escolheu o Rio?
Primeiro eu cheguei em São Paulo, com uma bolsa de intercambio da Escola Nacional de Belas Artes de Paris (ENSBA) com a FAAP, em 1999. Essa estadia, que inicialmente seria de 3 meses, acabou durando 9 meses. Foi uma época de desbravamento, comecei a oferecer os meus serviços de fotojornalismo à certas ONGs e aos representantes de algumas comunidades. E assim comecei a conhecer a geografia do “laboratório social” que era o Brasil naquele momento, indo de São Paulo até o Pará. Quando eu cheguei ao Rio, acabei me envolvendo mais nas favelas.

No dia da minha viagem de volta para Paris, o voo estava com overbooking. Aceitei ficar esperando algumas horas e com isso ganhei outra passagem de ida e volta! Durante a minha segunda estadia, no fim de 2001, elaborei (ou escrevi) um projeto que iria me ocupar durante 6 anos, de 2002 até 2008. Só que na época eu não sabia disso... O projeto “Olhares do Morro” (http://www.olharesdomorro.org/uma-historia/) surgiu da minha revolta diante da iniquidade das representações das favelas na imprensa local da época, da ausência de voz e de imagens que não fossem as versões policiais. Eu imaginei um ateliê de criação fotográfica, que se realizou em 2002 no topo da favela Santa Marta, de onde saíram vários outros “olhares” locais, que vinham contrabalançar a visão da cidade, do asfalto, como se diz aqui.

Uma residência artística, proporcionada pelo Serviço Cultural do Consulado da França no Rio de Janeiro em 2002, me ajudou a dar os primeiros passos, começando lá no alto do morro Santa Marta, muitos anos antes da “pacificação” chegar... Vários jovens fotógrafos, frutos do projeto “Olhares do Morro”, já expuseram seus trabalhos no Rio (Centros Light, Furnas, Oi Futuro), em Brasília (Teatro Nacional), na França nas ‘Rencontres d’Arles’ (durante o Ano do Brasil na França), na sede da Unesco em Paris, em Estocolmo, e até no Art Basel de Miami Beach em 2005, onde fomos convidados a participar como instituição artística. A venda de copias para colecionadores e de imagens para a imprensa internacional permitiu que esses jovens comprassem seus primeiros equipamentos profissionais. Sete anos depois do fim do ‘Olhares’, alguns fotógrafos que eu conheci quando eram adolescentes na favela me chamam para trabalhar como assistente de fotografia em seus eventos!

A partir de 2005, além de continuar com uma vontade apaixonada de tocar o projeto ‘Olhares’, passei a conhecer o universo dos Bailes Funk (http://goo.gl/z9WxC7), um projeto no qual estou trabalhando há 10 anos. Fiz uma exposição em Paris, na Maison Européenne de la Photographie, no Rio, e no verão passado em Niort (França), no CACP Villa Pérochon. Dançarinos, MC’s e DJ’s me “adotaram” e me transformaram no cronista de suas batalhas e criações coletivas, com o passar do tempo. Em 2007, os funkeiros me apresentaram os “Bate-Bola” (http://goo.gl/fNzXCO), turmas de palhaços de carnaval que andam em grupos nas ruas da periferia, que não são muito conhecidos. Com eles eu fiz outro ensaio de fotos, expostas na Aliança Francesa do Rio em abril de 2015.

Eu não me lembro de ter escolhido o Rio, a cidade é que foi me segurando aos poucos, me dando tanta inspiração que eu já não conseguir me imaginar morando em outro lugar. Assim mesmo, não deixei de desenvolver outros projetos fora do Rio, em outras capitais do Brasil e também na França, onde tive o prazer de fazer outro trabalho sobre a juventude: “Wesh - La Brèche” (http://goo.gl/8GK5Wk) – um pedido da cidade de Niort para esse ano, depois de quase 15 anos sem ter produzido imagens na França.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Fora o prazer da paisagem, da suavidade ilusória e da riqueza da cultura popular, que se renova constantemente, o Rio é uma cidade dividida, cheia de conflitos, opressora e venenosa, um retrato do país. As castas e classes, o racismo e a segregação estão sempre presentes, é uma luta diária para que essa situação não seja aceita como se fosse natural. O assunto é geralmente evitado e a negação do problema parece fazer parte do mecanismo de manutenção desse status quo.

Existem varias cidades juntas no território retalhado do Rio de Janeiro, além da ilha aparentemente democrática porém elitista da Zona Sul, diversas partes do seu vasto território encontram-se sob o domínio de contraventores, traficantes e milicianos de conchavo com políticos. Cada dia traz o seu lote de noticias de morte, o estigma de uma guerra civil não declarada e sem nome, que atinge principalmente os jovens negros, enquanto a maioria dos moradores dos bairros arrumadinhos nem se mexe... Apesar de tudo, a cidade é fascinante e cheia de “heróis urbanos”, que com sua arte e com suas ações sociais nos dão sinais de esperança.

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
Trabalho com fotojornalismo de forma independente para a imprensa estrangeira, principalmente para a Europa, e faço também todo tipo de serviço fotográfico, de arquitetura a ‘making of’ e fotos de filmagens. Além disso, tenho meus projetos de longo prazo e minhas pesquisas pessoais, que eu procuro divulgar com exposições e publicações. Recebo colecionadores e curadores de exposições em meu ateliê na Gloria, onde eu dou vida e interajo silenciosamente com minhas imagens, pedaços de identidades cariocas e brasileiras, com as quais eu procuro avançar e me aprofundar cada vez mais.

O que foi que o Rio mudou em você?
O Rio e o Brasil foram muito generosos comigo, me dando uma inspiração que se renova constantemente, que me faz dar continuidade ao meu engajamento e ao meu trabalho fotográfico. Isso é o que há de mais precioso e frágil.

A fotografia é uma espécie de pretexto, um segredo, uma chave que me permite atravessar ou transgredir a geografia social e as fronteiras tácitas da cidade, para encontrar o Outro... Isso acontece em qualquer lugar, eu me lembro de quando eu tinha 16 anos e morava em Paris, eu percebi que fotografando eu podia conversar com moradores de rua e logo depois estar na mansão de uma família da alta burguesia. A diferença é que no Rio os códigos são outros, apesar da mistura aparente que se vê nas ruas, é preciso ter lucidez para não ficar preso numa espécie de bolha, meio protegido.

O que significa ser Carioca, para você?
É ter coragem e vontade de viver, diante das adversidades e da ausência de oportunidades e de igualdade, em uma sociedade caótica e fragmentada. É também ter recursos ‘teatrais’ para a criação de sentidos, de cultura, da arte efêmera e coletiva. Um sentido aguçado do aqui-e-agora, às vezes até deixando de lado o dia de amanhã.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Faz tempo que o charme dos lugares turísticos e bucólicos já não me interessa muito. O povo carioca tem o dom de transformar qualquer pracinha abandonada e arrebentada de uma periferia afastada em festa, como as turmas coloridas e barulhentas dos Bate-Bolas saindo no meio dos fogos de artificio, ou um encontro de milhares de funkeiros que transformam uma favela qualquer na capital de um estado clandestino imaginário, num transe coletivo dançante. São momentos em que vemos surgir uma beleza inesperada, que dá qualidade e transforma territórios que estavam abandonados. É o efêmero, mas que acontece o tempo todo.

Eu não me canso de olhar a vista da janela do meu ateliê, no oitavo andar de um prédio na Gloria, como se fosse um enquadramento de cinema da baia de Guanabara, com uma ‘dramaturgia’ que varia todo dia, conforme os eventos meteorológicos.

O Rio em três palavras:
Caos, Desejo, Catarse.


Cécile Taquoi : "O Rio significa ’Explode coração’ !"

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Cécile tem 44 anos e mora no Rio há 17 anos. Excelente cantora, ela é mãe de três filhas e foi eleita Presidente da Associação de pais de alunos do Lycée Molière.

Cidade natal: Pergunta difícil de responder, porque eu nasci em Paris, mas cresci no campo, depois fui estudar em Tours, em Caen e em Aix-en-Provence. Em todo caso, tenho muito orgulho dos meus 50% de sangue bretão!

Bairro do Rio: Copacabana, Princesinha do Mar.

Por que você escolheu o Rio?
Vim para o Brasil porque queria “conhecer o mundo”: eu gostava de bossa nova e estudava línguas e relações internacionais. Vim pela primeira vez há 20 anos para um estagio em São Paulo. Depois disso, os paulistas que me perdoem, mas a escolha pelo Rio aconteceu muito naturalmente. Que outra cidade do mundo é ao mesmo tempo uma megalópole e um tesouro de exuberância da natureza? Quem mais, além dos cariocas, tem o privilégio de passar em frente ao Pão de Açúcar todo dia de manhã quando vai para o trabalho e de admirar o Corcovado e o Cristo de noite, quando volta para casa? Além disso, a cidade parece estar se renovando constantemente, passando por altos e baixos, mas conservando sempre apesar de tudo um ar de transformação. É uma cidade cheia de vida.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Minhas primeiras impressões foram muito variadas, tanto quanto as mil facetas que compõem o Rio. Eu me lembro que em alguns lugares eu tinha a impressão de estar em outra época, como se o tempo tivesse parado nos anos 50-60: todo um ambiente, a decoração e o jeito dos garçons em certos restaurantes como a Leiteria Mineira ou a Nova Capela, as fachadas dos prédios do Flamengo e de Copacabana, umas vitrines antigas...

Logo que eu cheguei, fiquei maravilhada (e continuo até hoje!) com a beleza da natureza, mas também fiquei chocada (e continuo até hoje!) com a falta de respeito e pela atitude das autoridades e da própria população com relação a essa grande riqueza. Fiquei revoltada pelas enormes diferenças sociais, pelo racismo e pela pobreza, e fiquei fascinada pelo otimismo à toda prova, pela fé do povo e pela capacidade de “se virar” de uma forma sempre criativa dos cariocas de todas as classes. Fora isso, eu não me acostumo com a violência nem com a falta de segurança.

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
Eu sempre gostei de estar em contato com as pessoas, diretamente com o publico, então é logico que minhas atividades tenham esse ponto em comum, que seja através da musica, de minhas atividades ligadas à organização de eventos ou na minha função de representante dos pais de alunos na escola francesa.
A música sempre foi a minha paixão, desde pequena. Quando eu cheguei aqui no Rio, antes mesmo de saber onde eu iria trabalhar, uma coisa era certa: eu ia continuar cantando. É um hobby que eu levo muito a sério, e eu sou muito critica comigo mesma. Sou a favor do ecletismo musical, prefiro não ser rotulada como cantora de um estilo específico, e é com a mesma alegria que eu canto jazz, bossa nova, musicas francesas, blues, bolero, samba, e qualquer outra coisa. Na verdade, o que me atrai na musica é a qualidade da letra e a riqueza da melodia. Cantar não é só emitir um som com a garganta, é se apropriar do texto e viver aquela estória, enquanto durar a musica. Cantar é um trabalho de interpretação e as notas musicais são o bônus. Tive inclusive a sorte de cantar com vários músicos maravilhosos, como Kiko Continentino, Idriss Boudrouia, Mauricio Einhorn, Arthur Verocai, Alberto Chimelli, Marcos Resende, Charles Marot, Eloir de Moraes, Ricardo Duna, Bernard Fines, Marcelo Alonso Neves, e outros. Atualmente, estou me apresentando no Zot Gastrobar de Copacabana, acompanhada por Charles Rio ao piano e Tony Botelho no contrabaixo, dois músicos muito talentosos.

Paralelamente, além do meu papel de mãe, fui eleita presidente da Associação de Pais de Alunos do Lycée Molière, a escola francesa do Rio. Isso requer uma grande dedicação pessoal em tempo e energia, mas ao mesmo tempo é o que me permite participar concretamente da vida do Lycée, ajudando a programar e a construir o seu futuro. Esta é a única escola do Rio que segue o programa francês e os desafios são grandes. Todos os envolvidos, incluindo a equipe pedagógica, a diretoria, os pais de alunos, os administradores e parceiros externos como o Consulado, trabalham juntos pelo bem dos alunos e em prol de um ensino de excelência. Este ano, graças a um grupo de pais de alunos cheios de boas ideias e de boa vontade, organizamos vários eventos, como as sessões do Cine Molière no MAM, uma Corrida Humanitária em beneficio de 2 ONGs do Rio, e varias reuniões com os outros pais de alunos. Já temos também alguns ótimos projetos para 2016: uma mostra de livros em francês, a publicação do “Livro do Ano” que será entregue a todos os alunos, e uma nova Corrida Humanitária, entre outras coisas.

O que foi que o Rio mudou em você?
O Rio me fez mudar minha maneira de ver os outros. Não vivo mais naquela espécie de bolha de isolamento, tão típica dos europeus. Os cariocas são mais abertos, as pessoas se falam, se tocam, se chamam, sabem rir dos outros e de si mesmos. O Rio ensina a gente a se comunicar. Mas o Rio também nos ensina a ter paciência, tão importante quando nos deparamos com certos atrasos burocráticos ou diante da inabalável tranquilidade carioca! O Rio me fez ficar mais zen e também mais desconfiada, porque às vezes os contatos são meio superficiais.

O que significa ser Carioca, para você?
É morar numa das cidades mais bonitas do mundo e agradecer todo dia, por poder aproveitar plenamente. É poder recarregar as baterias caminhando na praia de manhã antes do dia começar. É ser meio malandrinho, mas tendo sempre a mão no coração.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Eu escolho 3 lugares: Copacabana, um mito fora do tempo, uma mistura de beleza e de caos, tudo ao mesmo tempo: “A cara do Rio”. A Praia Vermelha, por causa de sua vista livre de qualquer intervenção urbana. E o Pão de Açúcar, para de lá poder admirar Rio em 360°

O Rio em três palavras:
Em duas palavras: “Explode coração!”

publié le 05/02/2016

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