Os Franceses do Rio - novembro 2015 – especial gastronomia

Todo mês, apresentamos a vocês um rápido encontro com franceses que decidiram vir morar no Rio. Algumas perguntas, sempre as mesmas, traçam os seus perfis e permitem que conheçamos nossa comunidade um pouco mais.

Henri Forcellino: "Rio é Fervor, Força e Contrastes!"

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Henri tem 47 anos e mora no Rio há 22. Com sua companheira, Anna Paula Gentil, ele dirige o bistrô "La Bicyclette" no coração do Jardim Botânico.

Cidade natal: Nice

Bairro do Rio: Jardim Botânico

Por que você escolheu o Rio?
Eu não escolhi o Rio, foi, por assim dizer, a Providência que colocou o Rio no meu caminho. Na época do meu serviço militar (pois é, naquela época tínhamos que servir à pátria e era possível transformar o Serviço “Militar” – ou seja, “com armas” em Serviço Nacional ... mas eu estou falando de uma época que quem tem menos de 20 anos não conheceu, o que me faz parecer um velho!). Enfim, eu tive a oportunidade de servir como “Cooperante”, ao terminar os meus estudos para ser professor de escola. Eu me comprometi a efetuar este serviço, com uma duração de dois anos, em vez de um só como no serviço militar, em nome de minha legitima retribuição à generosidade da República. Digo isso, não porque esta entrevista esteja sendo concedida ao serviço de imprensa do Consulado da França no Rio, mas porque era realmente isso que representava para mim. E o destino quis que eu me tornasse professor no Lycée Molière do Rio de Janeiro. Aquilo que devia durar dois anos, acabou se estendendo um pouco mais...

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Como eu estava dizendo, cheguei aqui em pleno Carnaval, então em matéria de primeiras impressões, fui muito bem servido! O clima de festa e de exuberância – que eu já esperava de certa forma – serviu como uma luva para os meus primeiros passos no Rio, mesmo que não fossem propriamente passos de samba. Desde que eu cheguei, caí no oba-oba, que tinha tudo a ver com as minhas expectativas e os clichês dos meus 26 anos...

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
Atualmente, estou comandando (junto com a minha companheira) uma padaria artesanal que se chama La Bicyclette. Nosso compromisso é de trabalharmos elaborando produtos simples e de boa qualidade, preservando a simplicidade e a tradição que requer todo artesanato. Quanto à minha atividade principal, não sei se a pergunta se refere à minha profissão ou aos meus gostos e preferências pessoais... Posso dizer que eu procuro, na medida do possível, ser coerente com os meus valores e “prioridades”, para usar um vocabulário menos rebuscado...

O que foi que o Rio mudou em você?
O Rio e o Brasil mudaram muitas coisas em mim. Minha compreensão do mundo mudou; minha situação de expatriado me permitiu vê-lo de outra maneira. E quando muda a compreensão, o mundo (interna e externamente) evolui, sem sombra de dúvida. Seria inútil e pouco apropriado entrar em detalhes agora, mas sim, eu mudei muito... E eu procuro me impregnar do que há de melhor nas duas culturas.

O que significa ser Carioca, para você?
Não sei se vou saber responder essa pergunta. Talvez seja acreditar que ainda podemos alimentar o sonho de reconciliar uma megalópole com a natureza, que temos orgulho da natureza espetacular do Rio, e que podemos também ficar perdidos na complexidade caótica dessa cidade tentacular.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Certamente, seria a Floresta da Tijuca, que continua sendo um santuário incrível, de onde podemos admirar “de cima” os contornos "à la Niemeyer" da geografia fantástica da cidade, que o urbanismo sufocante não conseguiu desnaturar...

O Rio em três palavras:
Fervor, Força e Contrastes.
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Catherine Leclercq (Madame Foie-Gras) : "O Rio é natureza, mar e contrastes !"

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Catherine, a “Madame Foie-Gras”, tem 64 anos e mora no Rio há seis. Ela veio inicialmente para acompanhar o marido, que é jornalista e correspondente da Agência France Presse. Eles têm dois filhos, um dos quais começou trabalhando com Catherine na aventura da "Madame Foie-Gras". Hoje em dia, ele comanda junto com seu sócio Gaspard Voiseau, o Food Truck "Monsieur B Burger".

Cidade natal: Paris

Bairro do Rio: Vidigal

Por que você escolheu o Rio?
No começo, eu não decidi nada, eu só vim para acompanhar o meu marido. Em 2012, quando o contrato dele acabou, ele voltou para a França e eu fiquei aqui, porque o meu Foie Gras estava dando certo. Eu não podia nem me imaginar voltando para Paris, onde tudo me parecia cinzento, tanto o céu quanto o ambiente. Ficamos separados durante dois anos e meio, até o Michel se aposentar e voltar para cá esse ano.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Quando cheguei aqui o que mais me impressionou foi a exuberância da vegetação, a cidade espremida entre o mar e a montanha, a natureza é tão envolvente. Foi uma coisa hipnotizante! Eu me senti completamente tomada e absorvida.

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
No Rio, eu me tornei “Madame Foie Gras”. Vim para cá como esposa de expatriado, depois comecei a fazer o foie gras com o meu filho Jérémie, e em 2010 abrimos a firma “Catherine en Famille”. Os fígados vinham da França, e eu os cozinhava aqui. Aos poucos, fui criando varias receitas, como a de foie gras meio-cozido, o tradicional foie gras cozido no pano, foie gras em terrina com pimenta e flor de sal, e ainda foie gras com figos ou com chutney de abacaxi e de manga. Nós temos inclusive um site, www.madamefoiegras.com.br.

Na verdade a minha paixão é a culinária. Adoro preparar o foie gras, claro, mas gosto de cozinhar de tudo. Gosto de comer e aprendi a cozinhar com a minha mãe, que é da região mediterrânea e com a minha avó, que era da Alsácia. Foi com ela que eu aprendi as técnicas de preparo do foie-gras.

O que foi que o Rio mudou em você?
O Rio me permitiu realizar vários sonhos, a montar o lugar onde eu moro e trabalho, e isso é uma realização pessoal, de poder trabalhar por conta própria. Uma vida nova.

O que significa ser Carioca, para você?
Para mim, é ser “Parioca”: eu continuo sendo Parisiense, mas essa cidade já me cativou completamente.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O lugar onde eu moro, a minha casa com vista para o mar, no Vidigal. É lá que eu recebo os meus amigos, é um espaço aconchegante, onde eu tenho o prazer de convidar as pessoas queridas. Acho que é um lugar que parece comigo, e que representa o Rio, para mim: entre o mar e a montanha, entre o asfalto o e morro, o Vidigal é um cruzamento da vida carioca, geograficamente e humanamente também.

O Rio em três palavras:
Natureza, Mar e Contrastes.

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Arnaud Gouxette: "O Rio é a gastronomia mundial, os Jogos Olímpicos e o desfile de Carnaval da Sapucaí!"

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Arnaud tem 32 anos e mora no Rio há cinco (dia 10 de dezembro!). Junto com um sócio, ele dirige a empresa CuisinePro, uma proposta para a solução de serviços de alimentação.

Cidade natal: Paris

Bairro do Rio: Flamengo

Por que você escolheu o Rio?
Por intermédio de amigos em comum, quando eu cheguei tive a sorte de ser muito bem recebido pelo proprietário do hotel Santa Teresa. Com isso, tive a oportunidade de trabalhar com o chef Damien Montecer, num dos mais bonitos hotéis do Rio de Janeiro. Foi uma experiência única!

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Era a primeira vez que eu estava botando os pés na América Latina. Tudo era novidade para mim e eu nem sabia se ia ficar morando no Brasil. Finalmente, a experiência foi 100% positiva!

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
Eu sou o Diretor geral da CuisinePro, uma proposta de solução para os serviços de alimentação, que cria e distribui pratos prontos embalados à vácuo e congelados, em todo o Brasil. Junto com o meu sócio, criamos a CuisinePro há 3 anos.

O que foi que o Rio mudou em você?
Eu diria que o Brasil me deu a oportunidade de realizar um sonho do tamanho do país!!

O que significa ser Carioca, para você?
É poder atravessar a rua e passear na beira do mar com a minha mulher, bebendo uma agua de coco! Para falar a verdade, é uma coisa que eu deveria fazer mais vezes...

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
A Urca, porque é um bairro muito quieto, calmo e perto do mar!

O Rio em três palavras:
Gastronomia mundial, Jogos Olímpicos e o desfile de Carnaval na Sapucaí!

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Ludovic Walter : "O Rio é sol, oportunidade e contraste!"

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Ludovic tem 28 anos e mora no Rio há quatro. Ludovic e sua companheira esperam a chegada de um menininho nos próximos dias.

Cidade natal: Sausset les Pins

Bairro do Rio: Catete

Por que você escolheu o Rio?
Desde quando eu era pequeno, a palavra Brasil já despertava em mim uma sensação de alegria, de felicidade por estar vivo. Em 2010, quando o meu sócio me convidou para vir abrir um restaurante com ele aqui no Brasil, eu não pensei dois segundos! Nós tínhamos a possibilidade de ficar hospedados na casa de uma família, e depois de alguns meses procurando, acabamos optando por Copacabana para criarmos a nossa primeira empresa, o “Très Restaurante e Bar”, um bistrô/ creperie /sanduicheria na beira da areia.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou aqui?
Muito calor humano, pessoas simpáticas, um país muito colorido e cheio de contradições. Os primeiros meses foram praticamente folclóricos, nós não sabíamos falar português e foi graças à gentileza dos nossos funcionários que conseguimos ultrapassar a barreira da língua. Rapidamente, também entendemos que a vida de um expatriado no Brasil não é bem como tínhamos imaginado. No Rio, para conseguirmos realizar um projeto temos que trabalhar duro, muito mais do que na França, para chegarmos a um mesmo resultado.

Qual a sua ocupação profissional, seus compromissos, a sua principal atividade atualmente?
Eu sou dono de restaurante e chefe de cozinha. Com o meu sócio nos exploramos um quiosque em Copacabana durante mais de 3 anos, e hoje sob o nome By Jack & Jack, estamos assumindo o restaurante do hotel The Villa, em Santa Teresa, onde pretendemos oferecer uma nova opção de alimentação com qualidade.

O que foi que o Rio mudou em você?
Quando eu cheguei aqui eu tinha 24 anos. O Brasil me fez amadurecer, me deu uma visão do mundo com mais contrastes e me fez descobrir uma dura realidade, que eu nunca tinha em enfrentado. Com isso, hoje eu tenho uma abordagem menos radical das coisas, e também mais confiança em mim mesmo, uma certeza diante da vida, que somente uma cidade bonita, difícil, envolvente e perigosa como o Rio pode oferecer.

O que significa ser Carioca, para você?
É se aliar aos prazeres da praia, do sol e da natureza exuberante que nos oferece o Rio de Janeiro, e tudo isso sempre dando tempo ao tempo.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
A trilha do Morro Dois Irmãos, subindo pelo Vidigal. A vista de lá no nascer do sol, com amigos ou como casal, é para mim um dos visuais mais lindos da cidade.

O Rio em três palavras:
Sol, Oportunidade, Contraste

publié le 08/12/2015

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