Os Franceses do Rio – julho de 2015

A cada mês, apresentamos um rápido encontro com Franceses que decidiram morar no Rio. Algumas perguntas, sempre as mesmas, traçam breves perfis, que nos dão a oportunidade de conhecer melhor a nossa comunidade.

Laïs Catherine Sonkin: "O Rio é o chorinho da Praça São Salvador!"

JPEG

Laïs tem 59 ans, ela nasceu em Brazzaville, no Congo, e mora no Rio desde que os 7 anos de idade.

Cidade natal: Brazzaville (Congo)

Bairro do Rio: Santa Teresa

Porque você escolheu o Rio?
Os meus pais vieram para o Brasil nos anos 60 e acabaram ficando. Meu irmão, minha irmã e eu estudamos no Lycée Français do Rio, que na época ficava dentro do Colégio Franco-Brasileiro. Depois, eu resolvi ficar morando no Rio porque gosto muito da cidade, de sua geografia tão característica entre a floresta e o mar, e também por causa da vida social, que é bem diversificada.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Na infância, tudo é novidade e mistério. Desde quando eu era bem pequena, eu ficava fascinada com a natureza carioca e sua diversidade. Depois, rapidamente fui fazendo novas amizades, principalmente na escola. Esses laços foram tão fortes, que até hoje muitas dessas amizades persistem, 50 anos depois. Minhas primeiras impressões foram as melhores.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Sou engenheira florestal, formada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Tenho especialização em políticas públicas de conservação do meio-ambiente pelo Suny Program (WWF) e trabalho em diversos estudos e projetos de planejamento e monitoramento ligados à engenharia florestal e ao meio-ambiente, na Mata Atlântica.

As atividades são muito variadas, indo do reflorestamento de terrenos degradados a estudos e projetos visando o desenvolvimento e o manejo do território, passando pela elaboração dos planos de gestão, o planejamento, a direção e a supervisão de obras em terrenos degradados, afim de reduzir a erosão, orientação em obras de saneamento para evitar o deslizamento dos terrenos, e até o paisagismo. Atualmente, estou trabalhando em processos judiciais que tratam de crimes contra o meio-ambiente e suas compensações. Sou uma perita ambiental, a serviço do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

O que é que o Rio mudou em você?
O Rio sempre esteve em mim, já que eu cresci aqui.

Ser Carioca, para você é o quê?
Esta é uma pergunta difícil, principalmente neste momento. Digamos que os sentimentos se misturam... Fico triste de ver que a poluição chegou a um nível tal, que as equipes de vela talvez não possam realizar suas provas durante os Jogos Olímpicos, e o governo já reconheceu que não conseguirá cumprir com os seus compromissos diante do Comitê Olímpico. Também fico triste por causa da violência que os Cariocas têm que enfrentar no dia-a-dia.

Apesar disso, ser Carioca para mim é morar ao redor e dentro da maior floresta urbana do mundo, ao lado de um parque nacional magnifico, do qual podemos disfrutar quando quisermos.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O meu bairro, Santa Teresa, e o Parque das Ruinas com o seu museu e a vista maravilhosa de lá, no pôr-do-sol.

O Rio em três palavras:
Chorinho da Praça São Salvador.

Nathalie Melot: "O Rio é um canto envolvente, o requebrado meloso, a pele salgada!"

JPEG

Nathalie tem 33 anos, é fotografa e mora no Rio há 5 anos.

Cidade natal: Sète, no sul da França

Bairro do Rio: Copacabana

Porque você escolheu o Rio?
Eu passei a infância na Guatemala e a adolescência em São Francisco, nos EUA. Lá eu fui muito feliz, estava sempre em contato com a natureza. Eu sempre soube que iria voltar a morar nesse continente. De longe, eu já era fascinada pelo Brasil, por causa da musica, da natureza e da alegria de viver dos Brasileiros. Faz nove anos, eu tive três meses durante os quais fiquei completamente livre. Eu estava saindo da Chanel, onde trabalhei 5 anos, para retomar o meu curso de artes na Esag-Penninghen (Escola Superior de Artes Gráficas), em Paris. Aproveitei as férias entre uma coisa e a outra para dar um pulo no Rio de Janeiro, depois fui para o Nordeste e fui parar em São Luiz… Fiquei apaixonada pelo Brasil e principalmente pelo Rio de Janeiro, onde a natureza e a cidade andam juntas, e onde há uma abertura internacional. Voltei para cá nos anos seguintes, e acabei ficando de vez em 2010.

Quais foram as suas primeiras impressões ao chegar aqui?
Elas se resumem em quatro palavras: Sol! Mar! Sorriso! Requebrado! Todos com pontos de exclamação, porque aqui tudo é exuberante. Uma abundancia de cores e de alegria de viver. Do lado negativo, apesar de já ter consciência das disparidades econômicas e sociais, eu fiquei impressionada com a falta de mistura entre as raças, contrariamente à ideia que podemos ter, olhando de fora.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua atividade principal atualmente?
Eu sou diretora artística e artista multimídia, trabalho como freelance e também com uma representação comercial em São Paulo, a OssEstudio. Eu me interesso muito pelo desenvolvimento das noções de valor partilhado e de troca, alias eu trabalhei durante quase um ano numa agencia de inovação social, a Cria Global. Atualmente, trabalho em vários setores, indo da publicidade à moda, a música e o teatro.

O que é que o Rio mudou em você?
Morar no Rio mudou a minha percepção do tempo e acima de tudo permitiu que eu me reconectasse ao que é essencial. O Rio me deu o tempo e o espaço para desenvolver um trabalho de autoconhecimento e uma conexão espiritual mais intensa.

Ser Carioca, para você é o quê?
É estar no momento presente. Tomar o tempo de respirar, de olhar para o horizonte, de sentir o meu próprio corpo, de me sentir conectada com os elementos ao meu redor.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?

Um ponto de encontro entre o mar e a floresta, a praia de Grumari. Adoro fazer meus castelos de areia lá…

O Rio em três palavras:
Canto envolvente – Requebrado meloso – Pele salgada.

Aglaé de Chalus: "O Rio é vitalidade, criatividade, violência."

JPEG

Aglaé tem 28 anos, ela é jornalista correspondente e mora no Rio há 2 anos.

cidade natal: Le Havre (norte da França)

Bairro do Rio: Ipanema

Porque você escolheu o Rio?
Eu já me interessava pelo Rio, como jornalista: um território gigantesco, com realidades muito diferentes e apaixonantes, com um bom crescimento econômico (naquela época) e principalmente, prestes a receber grandes eventos internacionais (Copa do mundo, JO)… Enfim, tinha uma série de fatores promissores para o meu trabalho. Além disso, o meu irmão acabava de se mudar para o Rio com a família, e isso reforçou a minha escolha.

Quais foram as suas primeiras impressões, quando chegou aqui?
Antes de vir, eu me preparei bem, principalmente no aspecto profissional: li uma porção de livros e artigos sobre a história do Brasil, sobre a situação econômica e social, o racismo, a violência, etc. Dediquei pouco tempo da minha preparação ao aspecto cultural, à maneira de viver, do jeito brasileiro. E foi justamente isso que me arrebatou quando cheguei aqui: a música, os shows improvisados, o jeito de dançar e de mover o corpo, a sensualidade, mas também a solidariedade, a espontaneidade, a facilidade com que se criam os primeiros contatos. Enfim, o que mais me impressionou quando eu cheguei, foi a incrível vitalidade dos Brasileiros, apesar da violência social (que me chocou muito e que continua me chocando)... foi essa força e essa energia que me transformaram!

Qual é a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua atividade principal atualmente?
Sou jornalista de imprensa escrita e de radio. Sou correspondente de diversas mídias, da Bélgica, do Marrocos mas sobretudo da França, principalmente para La Croix, para quem faço a cobertura das atualidades brasileiras. Com isso, acompanhei as manifestações de 2013, os JMJ, a Copa do Mundo, as eleições de 2014, o escândalo da Petrobrás, a crise econômica… Atualmente, o assunto é “Um ano antes dos JO”.

O que é que o rio mudou em você?
Mudou muita coisa. Hoje eu sou menos estressada, mais serena, mais esportiva, mais criativa… Eu descobri uma cultura extraordinária, de uma riqueza que eu nem desconfiava que existisse. E a cada dia eu descubro coisas novas. No momento, estou assistindo os documentários de Eduardo Coutinho: Edifício Master, Babilônia 2000… ele é o máximo!

Ser Carioca para você, é o quê?
É viver o momento presente. “Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr (…) Vou por aí a procurar, rir pra não chorar”. Essa é uma musica do Cartola, que resume bem o que significa para mim “ser Carioca”.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Difícil é escolher um só. Eu adoro ir às cachoeiras do Horto, parece que estamos no meio da selva, mas na verdade estamos à 20 minutos de casa.

O Rio em três palavras:
Vitalidade, criatividade, violência.

Loïc Prud’homme: "O Rio é agua de coco, Chico Buarque e fé."

JPEG

Loïc tem 37 anos, é franco-brasileiro, ele trabalha na agência de branding Cheeeeese! e mora no Rio há cinco anos.

Cidade natal: São Luiz do Maranhão

Bairro do Rio: Humaitá

Porque você escolheu o Rio?
Eu conheci o rio pela primeira vez em 2003, viajando de Kombi com um amigo. Percorremos o Brasil todo, de Florianópolis em Santa Catarina até Itacaré na Bahia, pela BR101. Foi quando passamos pelo Tropico de Capricornio que nós percebemos que havia um outro Brasil. O Rio é para mim a ligação entre o Brasil do sul, com um sotaque europeu, e o Brasil do norte, mais colorido e africano. Eu escolhi o Rio por sua complexidade cultural, sua alegria de viver e o seu clima.

Quais foram as suas primeiras impressões ao chegar aqui?
Eu nasci no Brasil e aqui morei até os 6 anos de idade, antes de conhecer a França e a cidade de Lille. O Rio de Janeiro me foi apresentado como sendo uma cidade descontraída, multicultural, criativa e espontânea. A arte que se vê nas ruas, ou street art é um exemplo perfeito disso, é como se fosse uma cidadezinha do interior com uma localização muito privilegiada. A cidade é cheia de surpresas. Eu fico sempre surpreso com os surfistas andando ao lado dos executivos na rua, fico maravilhado com os miquinhos fazendo o “parcours” deles no meio de Copacabana... No Rio, tudo é possível. A cidade muitas vezes é injusta, mas existem alguns lugares onde temos a mistura e um entrosamento social, como nas praias e nas rodas de samba.

Qual a sua ocupação profissional, seu compromisso, sua atividade principal atualmente?
Estou trabalhando na implantação da agência Cheeeeese! no Rio. Cheeeeese! é uma agência internacional de desenvolvimento de marca (branding) composta por uma equipe 100% dedicada à de criação de marcas globais e especiais (premium). Nós criamos as marcas e suas identidades, bem como suas apresentações físicas e digitais. Nosso trabalho se articula em torno de um principio único: soluções felizes, conhecidas como Happy Branding! Também estamos oferecendo nossos serviços aos empreendedores franceses que querem investir no Brasil, temos boas propostas e preços interessantes.

O que é que o Rio mudou em você?
Eu estou morando no Rio desde 2011, e tenho a impressão de estar constantemente me adaptando às transformações urbanas da cidade, com tantos eventos seguidos. Estou aprendendo como funciona o jeitinho carioca! Tudo isso faz com que sejamos mais eficazes e reativos no dia a dia.

Ser Carioca, para você é o quê?
Ser Carioca é uma arte, é saber aproveitar da própria essência do Rio. Ser Carioca representa não somente o privilégio de viver num lugar extraordinário, temos também o dever de preservar a natureza e a cultura.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
A Vista Chinesa, no Horto. É demais, poder contemplar o Rio estando ali, no meio dessa espetacular floresta tropical, e andando um pouco mais temos também a “Mesa do Imperador”.

O Rio em três palavras:
Agua de coco, Chico Buarque e fé.

publié le 05/08/2015

haut de la page