Os Franceses do Rio – maio de 2015

Todo mês, teremos um pequeno encontro com Franceses que escolheram o Rio para morar. Com algumas perguntas – sempre as mesmas – apresentaremos rápidos retratos, através dos quais poderemos conhecer melhor a comunidade francesa do Rio.

Loïs Warner : "Rio é convivência, natureza, musica!"

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Loïs tem 28 anos e vive no Rio ha 4 anos e meio. No Rio, ela pilota um projeto de empresa socialmente responsável chamada "Geração Y" que tem como objetivo de usar o impacto massivo das novas tecnologias para dar acesso à educação a milhões de Brasileiros.

Cidade de origem : Boulogne sur Mer

Bairro no Rio : Copacabana

Por que você escolheu o Rio?
O som do sotaque carioca. A riqueza da cultura musical, sendo o berço de diversas vertentes da musica brasileira (a bossa nova, o samba, as danças afro-brasileiras, as marchinhas de carnaval). O dinamismo do empreendedorismo social, dedicado a resolver questões sociais e ecológicas. A natureza omnipresente. Os esportes ao ar livre. Os movimentos da capoeira. Eu acho que são as principais razões por eu estar morando no Rio.

Quais foram as suas primeiras impressões quando chegou aqui?
A criatividade e o otimismo dos cariocas em relação ao futuro (‘vai dar tudo certo’), as disparidades e as injustiças sociais, a beleza exuberante da natureza.

Qual a sua profissão, suas atividades principais atualmente?
Atualmente estou criando um projeto de integração profissional, chamado Geração Y, que reúne aulas por internet (e-learning), ensino em empresas e acompanhamento personalizado (coaching), com o objetivo de promover a inserção no mercado de trabalho dos jovens vindos de meios desfavorecidos. O meu sonho é de usar o impacto massivo das novas tecnologias para dar acesso à educação a milhões de Brasileiros.

O que foi que o Rio mudou em você?
Eu sempre fui muito otimista, mas o Rio me ensinou a ter mais paciência. Hoje tenho consciência do conforto e das regalias que temos na França, estou aprendendo a valorizar. E me tornei fanática por manga e por capoeira ;)

Para você, o que é ser Carioca?
Saber aproveitar a vida, gostar de conversar e de estar em companhia de amigos. Gostar de comer uma feijoada com um calor de 40 graus.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O MAM – um prédio maravilhoso no Aterro do Flamengo, um exemplo bem sucedido de parque urbano. E lá é também um ponto de encontro de todo tipo de gente. O MAM simboliza a diversidade e as contradições da cidade: os visitantes do museu, as manifestações da cultura popular (blocos de carnaval, marchinhas, coco, jongo, jazz), os desportistas fazendo exercícios, os mendigos...

O Rio em três palavras:
Convivência, Natureza, Musica.

Laure Beringuer : "Rio é babilônia, beleza, saudade!"

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Laure tem 28 anos,ela mora no Rio ha 2 anos e meio. Ela é arquiteta e criou sua pequena empresa socialmente responsável: o Ateliê de Arquitetura de Favela.

Cidade de origem: Pressagny l’Orgueilleux (Normandie)

Bairro no Rio : Morro da Babilônia, Leme

Por que você escolheu o Rio?
Da primeira vez, fazem 5 anos, vim para um intercâmbio universitário. Não sei bem porquê, mas eu queria muito vir para cá. Na verdade eu sempre quis vir, desde pequena, talvez seja porque fui ninada com musica brasileira! Fui para a França buscar o meu diploma de Arquiteta, mas era a época da crise e um terço das agências em Paris fecharam. No Rio, ao contrário, tudo estava em plena efervecência, então eu voltei, para trabalhar. Depois conheci o meu companheiro e resolvi ficar.

Quais foram as suas primeiras impressões quando chegou aqui?
Eu me lembro de ter ficado impressionada com a força da natureza, a cidade espremida entre o mar e a floresta, uma maravilha poder admirar a paisagem urbana no meio dessa natureza tão incrivel. Quando chove muito, por exemplo, a cidade pára, ou quando faz muito calor, o mar é o melhor refresco. Adoro essa sensação de que a natureza está no comando.

Qual a sua profissão, suas atividades principais atualmente?
Eu sou arquiteta e criei o Ateliê de Arquitetura de Favela. No começo, era um projeto cultural de interesse social, que agora está se transformando numa empresa, por ter sido selecionado através de um editorial do Ministério da Cultura do Estado do Rio de Janeiro, para fazer parte de uma incubadora de empresas jovens de economia criativa.

A missão do Ateliê é dar a cada morador a garantia de ter uma casa segura e confortável, com salubridade. Acompanhamos o processo de construção nas favelas, para que possam contruir melhor, de forma mais econômica e ecológica. Para isso, oferecemos aos moradores das favelas serviços de arquitetura por um custo acessível, promovemos cursos de carpintaria e estamos criando com os moradores um site na internet, que permitirá que cada um tenha acesso às informações necessárias ao seu projeto, desde a concepção até o acompanhamento da obra. Fazem dois anos que estou trabalhando na favela onde moro, a Babilônia, mas agora a empresa está se desenvolvendo rapidamente e estamos procurando parceiros.

O que foi que o Rio mudou em você?
O Rio me deu a oportunidade de exercer a minha profissão do jeito que eu gosto, aqui eu tenho escolha, não estou mais no esquema metrô-trabalho-soninho (metro, boulot, dodo – um clichê parisiense). É um campo imenso de possibilidades para quem tem idéias e faz por onde colocá-las em pratica. O Rio me fez diminuir a velocidade e me des-estressar, aqui as coisas acontecem em outro ritmo, mesmo quando estamos com pressa, não é como em Paris. Aqui eu levo tudo de maneira mais calma e descontraida, a gente sempre acha uma solução para tudo, e nada é grave, a não ser que seja muito grave.

Para você, o que é ser Carioca?
Ser carioca é viver em osmose com essa cidade, adaptar o humor conforme os eventos do calendario, malhar o corpo para desfilar na praia, falar alto e prometer de se encontrar no dia seguinte, dançar e saber cantar a letra do samba, ficar em casa quando chove, ir à praia quando faz sol, trabalhar… mas não demais, subir o morro para admirar a beleza da vista, tirar fotos do pôr do sol… quase todo dia, sentir frio com um temperatura de 23 graus, falar com sotaque e com giria, usar uma roupa de lycra bem apertada e se sentir bem, não se apressar, gostar daqui e ter orgulho, sabendo que aqui... tudo é possivel.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
A Babilônia, a favela onde eu moro. Não me imagino morando em nenhum outro lugar dessa cidade, é um lugar extraordinário.

O Rio em três palavras:
Babilônia, Beleza, Saudade.

Sébastien Louis: "Rio é natureza, esportes e JO!"

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Sebastein tem 33 anos, ele mora no Rio ha um pouco mais de um ano e sonha de juntar a comunidade francesa do Rio em torno do esporte. Por isso, ele criou o projeto "Les sportifs de Rio".

Cidade de origem: Val-de-Chalvagne (Alpes-de-Haute-Provence)

Bairro no Rio : Laranjeiras

Por que você escolheu o Rio?
Depois de ter passado três anos na Oceania, três anos na Ásia e três anos na África, resolvi me instalar na América Latina. Escolhi o Rio porque adoro esportes. Hesitei um pouco entre o Rio e Buenos Aires, porque a Argentina também é uma grande nação nos esportes coletivos (futebol, handebol, futebol americano, basquete…). Como eu tive a sorte de estar em Pequim em 2008 e em Londres em 2012 (duas experiências extraordinárias), acabei escolhendo o Rio para poder estar presente durante os Jogos Olímpicos por uma terceira vez.

Quais foram as suas primeiras impressões quando chegou aqui?
Eu cheguei aqui em pleno carnaval, claro que eu fiquei muito impressionado com aquela multidão toda e com o ambiente festivo da cidade. O Rio é realmente perfeito para grandes eventos e eu logo vi que ia adorar poder ficar por aqui durante a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Qual a sua profissão, suas atividades principais atualmente?
Eu trabalho como web-designer, mas desde o começo do ano estou me dedicando como voluntário ao projeto “Os Desportistas do Rio”. É um projeto desenvolvido entre amigos, com o objetivo de federar a comunidade francófona e francófila, isso é, juntar pessoas que falam francês ou que tem qualquer tipo de ligação com a França, e que praticam esportes. A ideia é de facilitar a troca de informações (principalmente por facebook) entre praticantes e fãs de diversos esportes, e estamos organizando também campeonatos, para que as pessoas possam se conhecer antes da abertura dos JO e do Club France.

O que foi que o Rio mudou em você?
Eu cheguei faz pouco tempo, mas posso dizer sem duvida que a minha estadia na cidade está me transformando num esportista múltiplo. Antes, o meu esporte predileto era o handebol (que eu jogo desde os 7 anos), mas como o handebol não é muito conhecido no Brasil, comecei a jogar um pouco de tudo. Eu já tinha jogado vôlei em Pequim e vôlei de praia em Abidjan, mas imaginava que eu fosse praticar tantos esportes diferentes no Rio, nem que eu fosse organizar partidas de futebol, todas as segundas-feira à noite.

Para você, o que é ser Carioca?
Para mim, ser carioca é morar numa cidade grande e ter a sorte de poder curtir a natureza todo fim de semana. Essa mistura de cidade com praia e montanha é única no mundo e faz do Rio um lugar perfeito para quem gosta de praticar esportes.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Gosto muito de olhar a vista do alto dos morros da cidade, mas se eu tivesse que escolher um só lugar do Rio, seria a Praça São Salvador. Tanto de dia quanto de noite, é uma a praça muito agradável e animada.

O Rio em três palavras:
Natureza, Esportes e JO.

Clément Mombereau: "Rio é carnaval, mar et musica!"

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Clément tem 26 anos, ele mora no Rio ha três anos e trabalha no escritorio brasileiro do Centro Nacional de Pesquisa Cientifica francês (CNRS).

Cidade de origem: Marseille

Bairro no Rio : Catete

Por que você escolheu o Rio?
Escolhi vir para o Rio para passar o meu duplo-diploma, antes mesmo de vir com o Octopus Brass Band. Não foi uma escolha muito racional. Tive a possibilidade de vir passar um ano e meio no Rio, então pensei que de qualquer maneira seria melhor do que ficar em Chatenay-Malabry (subúrbio de Paris), então aceitei. Eu não conhecia nada daqui, só os cartões-postais do Corcovado e do Pão de Açúcar.

Quais foram as suas primeiras impressões quando chegou aqui?
No primeiro dia, desembarquei com o Octopus e fomos logo convidados para participar de um festival tipo “festa da musica” que iria acontecer em Santa Teresa. O festival foi cancelado na ultima hora pela Prefeitura, porque perceberam que o publico seria muito maior do que o espaço que havia nas ruas de Santa. Então acabamos indo parar no meio de um “festival de bandas” com as bandas Orquestra Voadora, Os Siderais, Go East Orkestar et nós. Foi um evento memorável!

De lá para cá, a minha primeira impressão só fez se enriquecer com todos os outros aspectos do Rio. Festejar é uma das coisas que o carioca sabe fazer muito bem.

Qual a sua profissão, suas atividades principais atualmente?
Tenho um contrato de VIA (Voluntario Internacional Administrativo) durante dois anos, como assistente do representante do CNRS no Brasil. Ajudamos a organizar acordos de parceria em pesquisas entre o CNRS e o Brasil, em todas as áreas cientificas.

Além disso, juntei vários amigos músicos de diferentes lugares em Maio de 2013 (3 meses antes de terminar o meu duplo-diploma) e formamos o grupo Bagunço. Desde o inicio, a ideia deu certo. A banda continuou tocando quando eu fui para a França, e agora estamos fazendo cada vez mais apresentações: na rua, em casas de show da Lapa, em outras cidades... E o publico sempre participa com grande entusiasmo. Também temos feito luaus na Praia Vermelha, como se fossem ‘mini-festivais’ com entrada franca, das 10 da noite até o amanhecer. Chegamos a reunir mais de 500 pessoas e o ambiente é dos mais animados.

O que foi que o Rio mudou em você?
Aprendi a esperar o tempo que for preciso para resolver todo tipo de trâmites (administrativos). No fim, tudo acaba dando certo (ou pelo menos alguma coisa acontece), basta ter paciência e conversar com as pessoas!

Para você, o que é ser Carioca?
Saber comemorar, não gostar do frio e aproveitar o momento presente (o que nem sempre é uma qualidade, haha).

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Durante os primeiros anos, eu teria respondido a Lapa. Hoje eu diria a Praia Vermelha.

O Rio em três palavras:
Carnaval, Mar et Musica

publié le 29/05/2015

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