Os franceses do Rio - junho de 2016

Todo mês, apresentamos a vocês um rápido encontro com Franceses que decidiram vir morar no Rio. Algumas perguntas, sempre as mesmas, traçam os seus perfis e permitem que conheçamos nossa comunidade um pouco mais.Este mês, damos a palavra a quatro franceses que vieram morar no Rio para trabalhar na preparação dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Amélie Bouan: "O Rio é Vida, Natureza, Bagunça!"

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Amélie Bouan tem 26 anos, ella veio morar no Rio para participar da organização do Jogos Olímpicos e para conhecer uma parte da sua familia materna.

Qual a sua cidade natal?
Saint-Maur-des-Fossés (arredores de Paris).

Em que bairro do Rio você mora?
Morei em Copacabana durante quase um ano e recentemente eu me mudei para Jacarepaguá, para ficar mais perto dos Jogos Olímpicos.

Há quanto tempo você mora no Rio de Janeiro?
Desde o dia 5 de julho de 2015. Uma parte da minha família é brasileira, e eu já tinha estado aqui algumas vezes de férias, além de participar de um projeto social (Casa Geração Vidigal, de Nadine Gonzalez) e de ter vindo também à trabalho (Copa do mundo 2014, Rio 2016), desde 2010.

Porque você escolheu o Rio?
Vim para o Rio por dois motivos: o primeiro motivo foi pessoal, ligado às minhas origens e à família que eu tenho aqui. Eu tinha uma vontade enorme de me conhecer melhor o Brasil, tendo crescido na França eu vim ao Brasil uma só vez, até fazer 20 anos. Vim à procura de mim mesma. O segundo motivo, e que talvez tenha sido o empurrão que me levou a tomar a iniciativa, foi profissional. Eu trabalhava na área dos esportes, e eu queria muito trabalhar na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos. Em suma, morar no Brasil e trabalhar na organização dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 foi o meu sonho, desde 2012.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Pergunta difícil essa, porque minhas primeiras impressões são de quando eu tinha 13 anos! Eu me lembro das pessoas usarem casaco quando fazia 20 graus (um costume que eu acabei adotando...), me lembro do sol e do calor humano, da beleza natural do Rio e das paisagens estonteantes. Depois, à medida que eu fui conhecendo melhor, fiquei impressionada com a desenvoltura natural dos brasileiros (que podemos qualificar como uma grande flexibilidade com relação ao tempo e ao planejamento) e a bagunça da cidade, que me deixava desarvorada no inicio, mas que hoje em dia eu gosto muito. É uma cidade e um tipo de vida onde tudo muda o tempo todo, evoluindo, se adaptando e se desenvolvendo, muitas vezes na base do “jeitinho”. Uma riqueza e uma diversidade que continuam a me impressionar até hoje.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Eu estou trabalhando para o Comitê Organizador do Rio 2016, no serviço de Operações com a Imprensa. É uma função é operacional e logística, com o objetivo de proporcionar as melhores condições possíveis de trabalho à imprensa escrita e fotográfica. Isso significa preparar os locais das competições para que haja tribunas para a imprensa e salas de conferencia disponíveis. Na pratica, faremos tudo para que o Centro de Imprensa seja um verdadeiro escritório remoto para os jornalistas, como se fosse a casa deles durantes os Jogos, de modo que eles possam cobrir os Jogos da melhor maneira possível.

O que é que o Rio mudou em você?
Quando eu tomei a decisão de vir morar no Rio, vim em parte para procurar a mim mesma, e posso dizer que eu me encontrei: o Rio é muito mais a minha cara do que Paris! Aqui eu me sinto em casa, e o fato de ter feito varias amizades (com brasileiros e estrangeiros) foi muito importante também, me ajudou a relaxar e a não me estressar tanto no dia-a-dia. Finalmente, eu diria que morar no Rio aguçou a minha sensibilidade em relação a problemas sociais de todo tipo, e a minha consciência politica também.

Ser Carioca, para você é o quê?
É gostar dos cariocas – que são o sal da vida no Rio, tanto quanto a própria cidade – que vence por unanimidade, sem ter que fazer força.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Para morar? Eu hesitaria entre a Tijuca, Botafogo e o Arpoador. Um lugar só para estar? Difícil de dizer, porque eu gosto tanto da praia (Arpoador, Grumari), quanto da montanha e da floresta (Tijuca, Parque Lage) e da própria cidade (os bairros antigos do Centro ou a região de Vila Isabel, que eu conheço menos, mas que acho um charme).

O Rio em três palavras:
Vida, Natureza, Bagunça.

Patrick Casteau : "O Rio significa é para mim Alegria de Viver! "

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Patrick Casteau tem 27 anos, e é franco-brasileiro mas sempre morou na Europa. Ele está no Rio a pouco mais de um ano.

Qual a sua cidade natal?
Paris.

Em que bairro do Rio você mora?
Leblon, que eu costumo chamar de “a pequena Suíça” pelo conforto e qualidade do bairro.

Há quanto tempo você mora no Rio de Janeiro?
Faz um pouco mais de um ano.

Porque você escolheu o Rio?
Sou franco-brasileiro, mas sempre morei na Europa. Cresci em Paris, morei na região de Genebra, depois fui estudar em Lausanne (na Suíça). Quando terminei os estudos, fui trabalhar em Londres; foi uma experiência ótima. Apesar de sempre ter vindo ao Brasil pelo menos uma vez por ano para visitar minha família materna em São Paulo, faltava uma parte essencial na minha vida: morar no Brasil. Quando tive a oportunidade de vir passar um tempo maior aqui para trabalhar nos Jogos Olímpicos, a escolha foi rápida! A possibilidade de trabalhar na organização do maior evento do mundo, e ainda por cima no meu “segundo” pais era chance que eu não podia perder.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Quando eu estava trabalhando em Londres, em uma empresa de consultoria esportiva, eu trabalhava muito com o Brasil. Tinha que vir de vez em quando ao Rio por alguns dias, o que eu fazia com grande prazer. Eu já sabia, portanto, que a cidade era formidável. Mas foi so quando eu vim morar aqui de verdade que eu entendi até que ponto a cidade é realmente a “Cidade Maravilhosa” por excelência. Tudo não é sempre fácil, porque a cidade está passando atualmente por uma grande transformação e também por causa da situação delicada do pais, mas assim mesmo o Rio continua tendo muito a oferecer.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Eu trabalho no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016. Eu me encarrego das Relações com os Comitês Olímpicos e Paraolímpicos Nacionais, como o CNOSF e o CPSF na França, por exemplo. O meu trabalho consiste em fazer com que os países e as delegações das quais sou o encarregado estejam preparados da melhor maneira possível para trazer seus atletas para o Rio.

O que é que o Rio mudou em você?
Para se adaptar ao Rio, você tem que vir com um estado de espirito diferente, e principalmente com a mente aberta. O tipo de conforto e os costumes aqui são muito diferentes dos da Europa, e temos que saber aceitar isso. O que o Rio realmente mudou em mim foi exatamente isso, a vontade de me transformar para me adaptar ao modo de vida local, saber identificar os desafios locais de cada dia, justamente para poder aproveitar o lado bom!

Ser Carioca, para você é o quê?
Já pensei muito nessa pergunta desde que eu cheguei aqui. Para mim, ser Carioca é acima de tudo uma atitude. Um modo de vida onde não cabem o estresse ou o mau-humor e onde a alegria de viver e o bem-estar são mais importantes que os conceitos de eficiência e produtividade.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Como sou fã de futebol, claro que eu escolheria o Maracanã, o templo do futebol por excelência e onde ocorrerão as cerimonias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

O Rio em três palavras:
Alegria de viver!

Delphine Moulin : "O Rio é Contrastes, Beleza natural, Despreocupação!"

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Delphine Moulin, de 41 anos, trabalha na organização de eventos esportivos e mora no Rio a 4 anos.

Qual a sua cidade natal?
Saint-Germain-em-Laye (nos arredores de Paris) e Países Bascos /Béarn.

Em que bairro do Rio você mora?
Ipanema.

Há quanto tempo você mora no Rio de Janeiro?
Há 4 anos.

Porque você escolheu o Rio?
Eu trabalhava a mais de 10 anos na organização de eventos esportivos internacionais, viajando o tempo todo, então tive vontade de passar mais tempo num lugar só. No Rio, eu tinha a possibilidade de trabalhar para os Jogos Olímpicos, e principalmente, de morar perto do mar! Fazia anos que eu sonhava em ir morar num lugar bem longe...

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Eu não conhecia nada no Brasil, sempre fui mais ligada à Ásia. Eu também não era fanática por samba nem por futebol (e continuo não sendo), mas fiquei fascinada quando vi as fotos panorâmicas da cidade do Rio.
Cheguei aqui sozinha e peguei um taxi para ir direto para a sede do Comitê Olímpico, na Barra da Tijuca. Era o dia 14 de fevereiro de 2012, estava fazendo um calor sufocante e eu fiquei perdida, o lugar não tinha nada a ver com as fotos do Rio que eu tinha visto. Era a véspera do carnaval, então eu cheguei num dia e no dia seguinte eu já estava de férias. A chegada foi ótima, porém perturbadora.
Eu não conhecia ninguém, e desde o primeiro dia fui aprendendo a descobrir a gentileza dos brasileiros: uma pessoa da organização do Rio 2016 me apresentou seu irmão, que me levou para conhecer a cidade e escalar a Pedra da Gávea. Foi uma iniciativa corajosa, debaixo de um sol de 40 graus. De lá fomos para Ipanema, onde eu estranhei os postos de gasolina na orla da praia e os homens entrando no banco só de sunga. Fiquei impressionada de ver a natureza dominando a cidade e também com certa incoerência arquitetônica...

Ali eu entendi o que fui confirmando com o tempo, que o Rio é uma cidade de contrastes.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Eu trabalho no Comitê de Organização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 há 4 anos. Durante um ano trabalhei junto ao o Presidente e agora sou encarregada dos eventos-teste, que são eventos de aquecimento que acontecem antes dos JO, chamados de “Aquece Rio”, para que os atletas tenham um primeiro contato com as instalações e com as equipes, para que possam se integrar com seus parceiros e para que os cariocas também comecem a entrar no clima.

Encerramos esse programa no fim de maio. Foi um trabalho intenso, com um orçamento apertado: foram 45 eventos em menos de um ano, com 7000 atletas, 6000 voluntários, 2000 pessoas trabalhando e 400 dias de operações.
No final das contas o resultado foi extremamente positivo, tanto pelo retorno dos atletas quanto das Federações. Foi importante principalmente porque permitiu que os atletas conhecessem os locais das provas e trabalhassem juntos, de forma que estarão prontos quando chegar o dia D. Nem tudo estava perfeito e nós aprendemos muito com isso, o objetivo dos eventos-teste é exatamente esse, que possamos acertar o passo antes dos Jogos.

Sempre fui ligada aos esportes, trabalhei em vários campeonatos mundiais e em diversos tipos de eventos, participei de quatro edições dos Jogos Olímpicos trabalhando para o CIO (Comitê Internacional Olímpico) e sei o que o esporte pode proporcionar em termos de valores, de desenvolvimento pessoal, de respeito pelas diferenças e do esforço coletivo para criar e vencer. Os JO são muito mais que um evento esportivo, se considerarmos sua complexidade e seu potencial. O meu compromisso sempre foi e continua sendo o de contribuir com estes Jogos, os primeiros a serem realizados na América do Sul, e de inculcar os valores do esporte às minhas equipes brasileiras.

Não escondo o meu orgulho por ter incluído as escolas no programa e por ter desenvolvido projetos junto às comunidades: mais de 5000 crianças assistiram aos eventos-teste. A minha intenção é de continuar a usar o esporte como vetor educativo e cultural, inclusive em projetos “de proporções mais humanas”.

Enquanto isso, temos pela frente mais três meses de preparação dos Jogos no Brasil, e eles serão certamente muito calorosos e humanos, cheios de energia e com a gentileza que caracteriza o país, coisa de que o mundo precisa tanto.

O que é que o Rio mudou em você?
O Rio me transformou. Aqui eu fiz quarenta anos com muita alegria, absorvi a energia humana e natural do Brasil, acalmei minha ansiedade e minha impaciência (apesar de continuar fazendo o papel da “francesa mandona”).
O Rio me trouxe também uma visão diferente de nossa cultura e de nosso entendimento sobre o que é a vida, do sentido e das prioridades que escolhemos para nós.
Assim mesmo estou voltando para a Europa no fim do ano, sinto saudades do meu país, mas voltarei para cá com prazer, para rever os amigos.

Ser Carioca, para você é o quê?
É tomar uma cerveja na praia, fazer um churrasco, ficar de short e de chinelo, rindo e sem se preocupar com mais nada.
Gosto do termo ‘Parioca’, que combina a elegância francesa com o prazer brasileiro.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
Eu iria para a Suite (by Dussol), um pequeno paraíso!
Gosto do Jardim Botânico, das casinhas e dos restaurantes do Horto.
Gosto da minha rua em Ipanema, onde as raízes das arvores quebram a calçada.
Gosto de ver a vista do alto do morro, para admirar a cidade e as suas múltiplas facetas.

O Rio em três palavras:
Contraste, Beleza natural, Despreocupação.

Aurélie Berak : "O Rio é Contraste, Exuberância, Alegria de viver"

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Aurélie Berak , de 35 anos, trabalha com eventos esportivos e mora no Rio a dois anos e meio.

Qual a sua cidade natal?
Eu nasci numa cidadezinha chamada Arrou, no departamento Eure-et-Loir, ao sudoeste de Paris.

Em que bairro do Rio você mora?
Eu moro no Humaitá, perto do Cobal e do polo gastronômico de Botafogo.

Há quanto tempo você mora no Rio de Janeiro?
Vim morar no Rio em Outubro de 2013, portanto estou aqui há mais de 2 anos e meio.

Porque você escolheu o Rio?
Eu trabalho na área de eventos esportivos. Depois de ter trabalhado na Copa do Mundo na Alemanha em 2006 e em duas edições da Euro Copa, em 2008 e 2012, os Jogos do Rio se apresentavam como uma oportunidade bem interessante. Eu já sabia que iria chegar num momento-chave para a cidade, que tudo estaria em plena transformação devido à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos. Uma época em que a cidade muda o tempo todo devido aos eventos todos os festejos. Além de ter a praia, o clima agradável e a alegria de viver. Depois de ter morado três anos na Polônia, a ideia parecia um sonho.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Fiquei surpresa. Eu não conhecia o Brasil e não sabia o que esperar. Cheguei de noite e estava chovendo. Quando acordei no dia seguinte, a primeira coisa que eu vi foi a famosa praia de Copacabana debaixo da chuva, com vento, com frio e muitos prédios. O contraste entre o imaginário e a realidade foi marcante. Mas desde o primeiro dia eu fui conquistada pela simpatia dos brasileiros, que me receberam de braços abertos. Até amigos dos meus amigos se desdobraram para que eu me sentisse em casa, rapidamente eu já estava participando dos almoços de domingo e das festas de família. Fora isso, a estética da cidade me deixou impressionada: a natureza tão presente, a mata maravilhosa, as curvas da cidade...

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Eu trabalho para o Comitê de Organização dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Sou encarregada da bilheteria intencional, que inclui as vendas para os patrocinadores, as federações, os divulgadores e também todas as vendas internacionais de ingressos. Quando eu cheguei, éramos cerca de 1000 funcionários. Não podemos ter mais de 10% de empregados estrangeiros, para garantir a identidade brasileira dos Jogos. Hoje somos mais de 4000 e eu devo dizer que a integração das equipes é muito fácil quando se trabalha com tantos brasileiros.

O que é que o Rio mudou em você?
Aqui eu aprendi a não levar tudo tão a sério, e a ser mais paciente no dia-a-dia. No começo, era muito difícil para mim, ficar esperando o ônibus sem ter ideia de a que horas ele ia passar, ou mesmo se ia passar e qual o itinerário que ele ia fazer. Agora eu já estou mais relax. Também estou tentando ser mais aberta em relação aos outros, acho que já consigo me aproximar mais das pessoas do que quando eu cheguei. Pra terminar, acho que eu perdi meus complexos: os cariocas em geral são naturais e sem complexos, o que torna o dia-a-dia mais agradável.

Ser Carioca, para você é o quê?
Ser Carioca é não se deixar abater pelo lado negativo das coisas, não há problema que uma cerveja bem gelada no boteco da esquina ou na beira da praia não possa resolver. É viver sem estresse, sem formalidades, de short e chinelo.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O Cobal do Humaitá. Adoro o ambiente e fui morar ali principalmente por causa do Cobal, que é um lugar muito eclético, um ponto de encontro onde gerações se misturam. Adoro fazer compras por lá para depois saborear uma picanha na chapa.

O Rio em três palavras:
Contraste, exuberância, alegria de viver.

publié le 19/07/2016

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