Os franceses do Rio - especial ONG - Setembro 2016

Todo mês, apresentamos a vocês um rápido encontro com Franceses que decidiram vir morar no Rio. Algumas perguntas, sempre as mesmas, traçam os seus perfis e permitem que conheçamos nossa comunidade um pouco mais. Este mês, damos a palavra a cinco franceses que trabalham para associações ou ONGs. Nossa forma de comemorar o dia nacional do voluntariado que foi no dia 28 de agosto.

Mélanie Montinard: o Rio é "felicidade, tristeza e esperança"!

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Melanie Montinard, 35 anos, trabalha em prol da integração dos haitianos no Brasil atravês do projeto Haiti Aqui da ONG Viva Rio, projeto que ela coordena. Ela mora no Rio de Janeiro desde 2011, com seu marido Robert e seus 2 filhos: Bimba e Lula.

Cidade natal: uma cidadezinha na região de Beauce: St Léonard-en-Beauce.

Bairro do Rio: Glória.

Porque você escolheu o Rio?
Vim para o Brasil a serviço da ONG Viva Rio, para a qual eu já trabalhava desde 2006 no Haïti, e agora aqui no Rio, desde 2011.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
O Rio é realmente uma cidade maravilhosa. Os cariocas são acolhedores e calorosos, e a cultura de rua daqui é muito parecida com a do Haiti, onde nasceram meu marido e nossos filhos. Isso foi muito importante para nós, principalmente depois da catástrofe de 12 de janeiro de 2010, da qual fomos vitimas. Devo confessar que a vida aqui é muito cara e que a integração dos estrangeiros é difícil, por causa da complexidade da burocracia.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Eu coordeno, na ONG Viva Rio, o projeto “Haiti Aqui”, que tem o objetivo de facilitar a integração de imigrantes haitianos na sociedade brasileira, participando de politicas publicas sobre o assunto.

O que é que o Rio mudou em você?
Passei a conhecer melhor nossa cultura haitiana e a querer valoriza-la.

Ser Carioca, para você é o quê?
É "tudo bem", "tranquilo". É um estilo de vida muito agradável, cheio de beleza e de alegria de viver.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O Aterro de Flamengo.

O Rio em três palavras:
Felicidade, tristeza e esperança.

Pauline Akouvi: o Rio é "desigual, grandiosa, única"!

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Pauline, 22 anos, está no Rio a sete meses como estudante, ela faz um estagio no serviço de marketing da ONG “Asplande” que acompanha mulheres empreendedoras e oriundas de comunidades carentes

Cidade natal: Paris.

Bairro do Rio: Copacabana.

Porque você escolheu o Rio?
Eu resolvi vir estudar no Rio, porque eu queria aprender a falar português e queria aproveitar para conhecer a América do Sul. Sempre tive atração pelo Brasil, um país tão grande, com tamanha variedade de culturas, paisagens e modos de vida de uma região para a outra. O Rio, Cidade Maravilhosa, me pareceu ser o lugar ideal para o tipo de experiência que eu estava procurando: grandes mudanças e novos conhecimentos.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Assim que eu cheguei ao Rio, fiquei impressionada com a beleza da cidade: montanha, floresta e mar, tudo na mesma paisagem. E também adorei o jeito dos cariocas, que tem uma alegria natural incrível e uma generosidade imensa, apesar da pobreza e das desigualdades que vemos na cidade toda.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Eu comecei estudando um semestre no IBMEC. Quando ia terminar, eu não queria ir embora, então procurei um estagio, para ficar mais seis meses. Tive a sorte de conseguir um estagio no serviço de marketing da ONG “Asplande”. Nosso objetivo é de acompanhar mulheres empreendedoras e oriundas de comunidades carentes, dando apoio na organização, no desenvolvimento, na administração e no planejamento de seus projetos.

O que é que o Rio mudou em você?
O Rio me ensinou a ser uma pessoa mais simples, mais motivada a descobrir coisas novas, mas também a ser mais calorosa e mais feliz.

Ser Carioca, para você é o quê?
Ser Carioca é morar em uma das cidades mais bonitas do mundo, é saber se contentar com coisas simples, é ter o ritmo no sangue!

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
A pedra do Arpoador, quando o sol se põe atrás do morro dos Dois Irmãos. Não me canso de olhar, mesmo depois de sete meses...

O Rio em três palavras:
Desigual, Grandioso, Único.

Julie Terzian: o Rio é "desconcertante, atraente, cansativa"!

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Julie, 32 anos, mora no Rio há 3 anos e meio. Ela trabalhou três anos para um programa de desenvolvimento urbano da ONU-Habitação que se chama Rio+Social antes de se tornar responsável de programas na ONG americana “CIEE study abroad”.

Cidade natal: uma cidadezinha perto de Livradois-Forez, a mais ou menos 1h de Clermont-Ferrand.

Bairro do Rio: Santa Teresa.

Porque você escolheu o Rio?
Antes de vir morar no Rio, eu morei dois anos em Ilhéus, no sul da Bahia, com o meu companheiro, que é de lá. Eu gostei muito, adoro a Bahia, mas nós decidimos viajar: ele é musico e tinha alguns projetos, e eu queria trabalhar na minha área, com projetos sociais. Tínhamos que nos aproximar da cidade grande. O Rio de Janeiro foi a escolha ideal, entre a Bahia e a França.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Chegamos aqui em pleno verão, logo depois do Carnaval de 2013. Não conhecíamos quase ninguém. O calor era esmagador e eu peguei dengue logo na primeira semana. O Rio estava em destaque e o Brasil em plena expansão, a cidade parecia ser o melhor lugar do mundo. Procurar um apartamento para alugar era uma loucura, os preços estavam nas alturas. Minhas primeiras impressões foram, portanto, um pouco difíceis.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Trabalhei durante três anos para um programa de desenvolvimento urbano da ONU-Habitação que se chama Rio+Social, nas favelas pacificadas da cidade. Agora estou mudando de função e começando a trabalhar como responsável de programas na ONG americana “CIEE study abroad”. É uma ONG que ajuda os estudantes universitários americanos que vem fazer intercâmbio nas universidades do Rio. Essa ONG também existe em Salvador e em São Paulo, e a função dela é de encontrar famílias que possam oferecer hospedagem, em troca de cursos intensivos do idioma e de atividades culturais. A base do Rio está se ampliando rapidamente, eu fui contratada para desenvolver o programa de orientação intercultural que é apresentado aos estudantes que chegam, e também para criar um programa de voluntários e estagiários, para quem se interessar. Além disso, oferecemos acompanhamento pedagógico, para que os estudantes possam aproveitar ao máximo da estadia. Por outro lado, nossa ideia é de promover junto às instituições receptoras uma reflexão a respeito das missões e dos objetivos específicos desses estudantes. Nosso acompanhamento permitirá que haja um compromisso sério, tanto por parte dos estudantes quanto das instituições. Dessa forma, todos saem ganhando!

O que é que o Rio mudou em você?
Eu não sei se é o Rio ou se é o Brasil de um modo geral, mas sem duvida eu me tornei mais paciente. Também tenho a impressão de que o Rio me ajudou a conseguir ter certo distanciamento com relação a varias coisas, me permitindo ver as coisas de outro jeito e me obrigando a desfrutar do momento presente. A violência faz parte do dia-a-dia da cidade, a gente percebe que tudo pode mudar de uma hora para a outra, e isso muda nossa perspectiva da vida!

Ser Carioca, para você é o quê?
Acima de tudo, ser carioca é gostar de estar sempre na rua, é ser muito sociável, é gostar de musica ao vivo, é adorar ir à praia e tomar uma cerveja bem gelada. Nunca vi ninguém gostar tanto de ir à praia e nem de tomar tanta cerveja na praia. Acho que os cariocas tem um lado muito hedonista.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O Parque das Ruinas, em Santa Teresa. A vista da cidade é lindíssima de lá e todo fim de semana tem um programa diferente, eu também gosto muito da cafeteria de lá. As pessoas que visitam o Rio não conhecem muito o lugar, mas eu sempre levo meus convidados!

O Rio em três palavras:
Desconcertante, atraente, cansativo.

Michel Gauthey: o Rio é « beleza, alegria e dureza»

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Michel tem 66 anos e mora no Rio há 5 anos. Ele e é socio da ONG « Campo » que apoia grupos populares, fortalecendo a organização comunitária como força transformadora, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Nilopolis e Campo Grande.

Cidade natal: Lyon

Bairro do Rio: Flamengo

Porque você escolheu o Rio?
Conheço a cidade e o Brasil há mais de 25 anos.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
A informalidade, a gentileza e, é claro, a beleza da cidade.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Sou aposentado da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e sócio da ONG " Campo". Desde 1987, a missão da ONG é apoiar grupos populares, fortalecendo a organização comunitária como força transformadora. Campo quer contribuir para ampliar a cidadania e melhorar a qualidade de vida, sempre ouvindo os grupos e com eles procurando encontrar soluções criativas. A ONG trabalhou primeiro com creches e brinquedotecas, depois na formação profissional/geração de renda e em seguida, na educação ambiental.

O que é que o Rio mudou em você?
Me abriu a mente, me facilitou fazer contato com os outros.

Ser Carioca, para você é o quê?
É uma mistura de descontração e de força moral, para enfrentar situações às vezes dificeis.

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O Flamengo, onde eu moro.

O Rio em três palavras:
Beleza, alegria e dureza.

Odile Touhami: o Rio é « calor humano, coragem, precaridade... e beleza!»

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Odile tem 53 anos, ela veio para o Rio acompanhando o marido e é voluntária junto a associações de ajuda, como a Casa São Luiz para a velhice, no Caju, e a ONG Saúde Criança, a onde ela ajuda no vestiário, há um ano e meio.

Cidade natal : uma cidadezinha do vale de Munster, perto de Colmar

Bairro do Rio: Copacabana

Porque você escolheu o Rio?
Nos não escolhemos o Rio propriamente, mas não hesitamos quando a proposta foi feita, inclusive nos conhecíamos um pouco da América Latina, porque já havíamos morado no Chile.

Quais foram as suas primeiras impressões quando você chegou por aqui?
Minhas primeiras impressões foram positivas, fiquei agradavelmente surpresa pela facilidade de contato com os Cariocas. Devo dizer que antes de vir para cá nos morávamos na Rússia... A beleza da cidade, é claro, também me impressionou muito.

Qual a sua ocupação profissional, o seu compromisso, a sua principal atividade atualmente?
Sou formada como assistente social, então naturalmente eu me voltei para o voluntariado.
A minha primeira experiência aqui, que eu continuo a exercer, foi com um grupo de voluntarias que visitam os residentes da Casa São Luiz para a velhice, no Caju. Vamos lá toda sexta-feira de manhã.
Através da associação Rio Accueil, eu conheci a associação Saúde Criança, que eu visito toda semana, há um ano e meio. Lá eu cuido do vestiário, ou seja, recebo as doações de roupas, brinquedos e até de louças, para serem distribuídos em função das necessidades das famílias, que são recebidas por vários profissionais. Essa associação ajuda famílias que tem uma criança doente. Como ajudar o Saúde Criança: http://www.saudecrianca.org.br/doacoes/. Contatos: tel (21) 3082.1632 ou e-mail : relacionamento@saudecrianca.org.br

O que é que o Rio mudou em você?
Rapidamente eu entendi que não se tratava apenas de distribuir as roupas. Percebi que para aquelas mães, falta tudo, elas precisam de tudo... E isso é o mais difícil de administrar, porque não temos como atender a todas as necessidades.
Com isso eu tive que aprender a dizer não, mas também a entender melhor o que é mais importante para cada uma, para poder oferecer coisas que possam agradar. Aprendi também a respeitar quando elas se recusam a aceitar alguma coisa, mesmo que eu não tenha mais nada a oferecer.
Depois de ter passado as primeiras semanas sendo arrebata da pelas emoções, hoje em dia eu já fico mais à vontade de poder dar um pouquinho de alegria, mesmo tendo que explicar que temos que repartir o que temos entre muitas famílias.
Gosto de ir à Saúde Crianças porque os encontros me ensinam muito, essas mulheres tem uma carência enorme, mas assim mesmo tem orgulho e uma coragem admirável.
Fora essas duas atividades como voluntária, faço aulas de inglês e de pintura. Pratico Pilates e faço muitos passeios com o grupo Trilhas do Rio.
Tenho consciência das realidades da cidade e acho que eu me tornei muito mais tolerante e paciente.

Ser Carioca, para você é o quê?
Pergunta difícil de responder, porque existem vários tipos de cariocas, mas aquele do qual eu vou me lembrar sempre é o carioca que detesta ficar sozinho, que adora conversar, que mesmo sabendo que dias melhores virão, passa o dia cheio de entusiasmo. A família é essencial para o carioca, os pais, os filhos, os netos... Aliás, é disso que as pessoas sempre falam, antes de qualquer outra coisa. O carioca é também muito barulhento, adora musica e tem muito orgulho de ser carioca...

Se você tivesse que escolher um lugar do Rio, qual seria?
O meu lugar preferido é indiscutivelmente a Floresta da Tijuca, pois do alto de suas montanhas podemos ver a Cidade Maravilhosa de diversos ângulos.

O Rio em três palavras:
Calor humano, coragem, precaridade... E beleza!

publié le 26/09/2016

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