#Rio2016 / Judô: nos bastidores do judô francês, um encontro com Eric Buonomo

Como parte dos preparativos para os Jogos Olímpicos do #Rio2016, o Consulado da França no Rio de Janeiro acompanha os times da França, conhecidos como “les Bleus”. Desta vez, fomos ao encontro de Eric Buonomo, Diretor Técnico Adjunto da Equipe Francesa de Judô, que nos falou de seu trabalho, nos bastidores dos tatames.

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Eric Buonomo, Diretor Técnico Nacional Adjunto da Equipe Francesa de Judô : "O Rio2016 para nós é expectativa, esperança e confiança !"

Qual é o papel do Diretor Técnico Nacional (DTN) e de seu adjunto, na preparação dos JO ?

Eu cuido de toda a organização da equipe francesa de judô, principalmente da estadia de nossa equipe durante os Jogos. O papel do DNT e de seu adjunto é de prever todas as problemáticas organizacionais. Claro que faremos parte da equipe Olímpica, portanto a organização da Federação Francesa de Judô estará incluída na organização geral do Comitê Olímpico Nacional e Esportivo da França (CNOSF).

Já que estamos falando de organização, onde é que a Equipe Francesa de Judô vai se hospedar durante a quinzena dos Jogos?
Nós ficaremos hospedados na Vila Olímpica, desde que chegarmos no Brasil.

Você já participou de quantos Jogos Olímpicos? E qual será a particularidade desses Jogos no Rio?
Será a quarta vez que eu participo dos Jogos, e a primeira coisa que eu posso dizer é que nenhum é igual ao outro. As características dos JO que vão acontecer aqui no Rio são completamente diferentes das dos Jogos de Londres, de Pequim ou dos de Atenas, nos quais eu também fiz parte da equipe. Claro que aqui temos uma particularidade. A cidade do Rio está acostumada a receber grandes públicos em eventos festivos e turísticos. Os JO fazem parte deste tipo de filosofia, sendo acima de tudo uma festa mundial, a festa dos atletas. Vai ser um evento extraordinário, reunindo um enorme numero de países. Claro que quando se chega a uma cidade como o Rio, existe a tentação de se cair na folia. Entretanto, os JO são também a consagração de anos e anos de trabalho. Cada lutador de judô, cada atleta vem com uma bagagem de anos de trabalho duro. No caso do judô, a competição vai durar uma semana e será o resultado de quatro anos de trabalho. As exigências são grandes e a pressão também vai ser intensa.

E para o DTN e o adjunto, quais são os desafios?
Nós fizemos um trabalho intensivo de preparação, a fim de prever a organização nos mínimos detalhes. Por exemplo, a Vila Olímpica fica bem perto do local da competição, uma situação bem diferente da que tivemos em Londres e em Pequim, onde estávamos afastados do local das competições. Aqui, podemos calcular melhor o tempo de locomoção, para que os atletas tenham o máximo de conforto e possam se preocupar unicamente com o desempenho esportivo.

Você tem a receita para fazer um campeão Olímpico?
(Risos) Claro que sim! Como na historia do Asterix, um de seus amigos caiu dentro do caldeirão magico quando era pequeno e ficou fortão! Nós temos um assim, igualzinho! Agora, falando sério, não existe receita. Podemos, entretanto, observar certos traços em comum. Os grandes campeões, aqueles que ganham medalhas de ouro, tem certas características: uma força de vontade imensa; a capacidade de se superar, quando preciso, para aliviar o stress e a pressão, saber não prestar atenção à família, à federação e ao esporte de modo geral, para poder se concentrar apenas no evento e no dia D para conseguir se sublimar. Mas é claro que tudo isso não adianta nada, se não houver um trabalho intensivo por trás. Muitas pessoas tem um talento excepcional, mas somente a força do trabalho, o rigor nos treinos e o esforço pessoal permitem que sejam ultrapassados todos os limites. No judô e nos esportes de combate, temos uma filosofia especifica, por termos que enfrentar os outros. No treinamento, somos parceiros, colegas, mas no dia da competição vamos encontrar outra pessoa e vamos ter que enfrenta-la. Nessa hora, a problemática é diferente. Então eu diria que a receita é própria de cada campeão. Mas eles têm essas características em comum, em todo caso os esportistas que ganham medalha de ouro as têm.

Algum recado para os torcedores?
Às vezes, na vida, podemos nos encontrar em situações extraordinárias. O torcedor é acima de tudo um apaixonado pelo esporte. Poder vir ao Rio para assistir ao maior evento esportivo do mundo, é uma coisa fantástica, porque a cidade é fantástica. Aos que puderem vir, e aos que tiverem a sorte de participar, quero dizer que terão belíssimas imagens para levar de volta para a França.

Rio 2016 em três palavras?
Expectativa, esperança, confiança.

Entrevista concedida à Joanna Gherardi-Allan e Edouard Mangez.

publié le 17/03/2016

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