Visita do ex-campeão paralímpico Gilles de la Bourdonnaye ao Rio de Janeiro

O ex-campeão paralímpico francês, Gilles de la Bourdonnaye, esteve no Rio de Janeiro para promover o tênis de mesa e os valores do esporte para deficientes, junto a cerca de 300 crianças de diversas escolas da cidade, que têm aulas de francês.

O atleta paralímpico de tênis de mesa Gilles de la Bourdonnaye encontrou-se com cerca de 300 alunos de três escolas, em Laranjeiras, em Niterói e na Taquara.

Atleta nas Escolas - Niterói

Alunos da Rede Municipal de Niterói se aproximam da experiência dos jogos paralímpicos.O Primeiro Atleta nas Escolas chegou por aqui pra conversar com os alunos sobre os valores olímpicos e fazer demonstrações esportivas. A apresentação foi na Escola Infante Dom Henrique na Engenhoca, Zona Norte de Niterói. Os primeiros convidados foram os paratletas Gilles de La Bourdonnaye e Luana Silva. Quem sabe sejam inspiração pra futuros atletas? Motivação é o que não falta! :) Dá uma olhada nesse vídeo!

Posté par Prefeitura de Niterói sur mardi 24 novembre 2015

Recebido pelo adido olímpico Alexandre Bazire, o campeão paralímpico francês de ping-pong se reuniu com Brice Roquefeuil, Cônsul Geral no Rio de Janeiro, que compartilha a sua visão e experiência na integração de pessoas com deficiências, no funcionalismo publico francês. “Nós podemos acrescentar muito ao mundo empresarial, indo além de nossas deficiências” concluiu Gilles de la Bourdonnaye.

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Jogar tênis de mesa com um campeão!

Os alunos da 7ª série do Colégio francês Lycée Molière se prepararam para receber o jogador profissional de ping-pong, Gilles de la Bourdonnaye, durante a aula de educação física na segunda-feira 16 de novembro. Depois de apresentar dois pequenos vídeos mostrando diversos atletas paralímpicos, Gilles falou sobre a sua experiência. “Eu faço tudo com o meu braço esquerdo” ele disse aos alunos, que ficaram curiosos para saber como ele conseguiu vencer a deficiência. “Quanto maiores as limitações, mais energia temos que ter”, disparou o francês, que hoje mora em Florianópolis, onde dirige um curso da Aliança Francesa.
“Como alguns de vocês, quando eu era pequeno fui com os meus pais morar em outro pais”, contou o atleta poliglota, que além de falar francês e português, fala espanhol, inglês e chinês.
“Em Dakar, a cidade onde eu nasci, comecei a jogar tênis para ganhar do meu irmão”, lembra Gilles, que ficou surpreso ao ver que quase todos levantaram a mão quando perguntou quem já tinha assistido a uma competição de esporte paraolímpico. Alguns já tinham até jogado basquete em cadeira de rodas e futebol com vendas, adaptado para os deficientes visuais.
“Na China, o tênis de mesa tem 200 milhões de jogadores, número igual à população do Brasil inteiro”, disse Gilles. Ele se lembra de ter visto muitas mesas de ping-pong nas escolas chinesas, e vários atletas de alto nível. “Você já ganhou de algum chinês?” perguntou um dos alunos. “Sim, tive esse prazer”, respondeu o atleta satisfeito, que participou de cinco Jogos Paralímpicos, ganhando três medalhas de ouro.

Os alunos foram em seguida para o pátio, onde jogaram durante uma hora com o campeão. Até o professor de matemática entrou no jogo, e algumas crianças de outras turmas também.

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Niterói veste as cores da França

Gilles de la Bourdonnaye estava sendo esperado na terça-feira de manhã em Niterói, onde, ao lado da atleta paralímpica brasileira Luana Silva Couto ele lançou o programa "Um Atleta na Escola", que faz parte da promoção do esporte na cidade. A Escola Municipal Infante Dom Henrique estava toda decorada com as cores da França e do Brasil, e com as paredes cobertas de mensagens de paz. Um dos alunos, o Tiago, mostrava orgulhosamente um enorme quadro que ele desenhou com o rosto do atleta.

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Para promover o projeto “Niterói, Cidade do Esporte”, o Secretário municipal do Esporte Bruno Souza falou de seu carinho pela França, onde morou durante três anos, depois do minuto de silêncio que fizeram pelas vítimas da catástrofe de Mariana e dos os atentados de Paris. “Temos muita sorte de poder oferecer essa experiência aos nossos alunos; além disso, através do francês eles têm a oportunidade de conhecer outros valores e civilizações”, disse Flavia de Barros, Secretária municipal de Educação.

Depois dos hinos brasileiro e francês ecoarem no pátio, a diretora Maria Lucia Xavier, na quadra de esportes, continuou: “Os valores do esporte ensinam aos alunos a importância de saber perder, de ter disciplina e de poder se superar.” Emocionada, estando a poucas semanas de se aposentar, ela falou também das dificuldades diárias, ligadas à falta de recursos e à violência, mostrando as marcas de bala no teto da quadra.

Uma homenagem à Francofonia

Gilles de la Bourdonnaye e o Adido Olímpico Alexandre Bazire, começaram a apresentação com um
“Bonjour”, que os alunos responderam em coro. Eles têm aulas de francês desde fevereiro de 2014.

Os alunos da Escola Infante Dom Henrique aproveitaram para fazer perguntas no idioma de Molière: “Tu aimes la plage?” (Você gosta de ir à praia?); “Où habites-tu?” (Onde você mora?); “Quel est ton club de foot préféré?” (Para que time de futebol você torce?).

Depois disso, Gilles de la Bourdonnaye organizou um pequeno torneio com os alunos, com a participação de alguns professores que aceitaram o desafio. “Nunca vi tanto entusiasmo nem fui recebido com tanto carinho”, concluiu Gilles de la Bourdonnaye.

Na quarta-feira 18 de novembro, foi a vez da Escola Juan Montalvo na Taquara, zona oeste do Rio, içar as bandeiras francesa e brasileira no meio do pátio.

“Avez-vous déjà utilisé le BRT?” (Você já usou o BRT?); “Les médailles d’or sont-elles vraiment en or ?” (As medalhas de ouro são feitas de ouro mesmo?)... Gilles respondeu a uma avalanche de perguntas. Diante dos alunos da 7ª série, ele lançou um desafio: “Para alcançarmos um nível básico, é preciso 10 000 horas de treino. Treinando 4 horas por dia, em quanto tempo a gente chega lá?” Várias mãos se levantaram: “2 anos de treino!”.

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Gilles incitou os alunos a acompanharem as competições dos Jogos Olímpicos na TV, “e os brasileiros tem muitas chances de levar medalhas”. Nas 200 partidas jogadas em competição durante a sua carreira, ele só teve 16 derrotas.
“Quais são as diferenças que você viu entre as crianças, nos outros países que você conheceu?” perguntou um aluno da escola municipal. “Eu sempre vi mais as semelhanças do que as diferenças: todas as crianças gostam de brincar e de se divertir juntas; os meus dois filhos adoram a escola brasileira, eles queriam inclusive ser brasileiros, para poderem jogar com as cores do Brasil”, contou Gilles, que já morou em quatro continentes: no Senegal, no Congo, na França, na Espanha, na China, e agora no Brasil.

Veja os dois vídeos de apresentação do esporte paralímpico que os alunos assistiram:

publié le 08/12/2015

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